Carlos Salgueiro, candidato PCTP/MRPP – Barreiro«Prioridade para o Barreiro é a industrialização»
“Na mentalidade do Barreiro é difícil discutir ideias, é uma terra muito fechada para dentro, tem algum receio de ouvir para fora porque tem medo de ficar isolado” - refere.

Por Jornal Rostos
Carlos Salgueiro, refere que se candidata à presidência da Câmara Municipal do Barreiro – “porque acho que o Barreiro precisa de uma visão diferente da cidade, acho que a cidade que nós temos não é a cidade que as pessoas querem, basta a gente ouvir a opinião das pessoas para sabermos que não é isto que as pessoas querem”.
Barreiro neste momento nem é dormitório
“O Barreiro neste momento nem, de facto, é como dormitório, as pessoas vão saindo daqui porque não há nada que as fixe.
A ideia de candidatar-me é para dizer que há outras alternativas àqueles que governaram a cidade.
Isto não são eleições municipais, são eleições nacionais com carácter municipal, basta ver o envolvimento dos líderes nacionais para se perceber que as eleições transcendem, claramente, o âmbito local.
A candidatura é para oferecer, às pessoas, outras alternativas para o Barreiro”.
Prioridade para o Barreiro é a industrialização
Quais a propostas do PCTP/MRPP?
“Em primeiro lugar o importante era ter a auscultação da opinião da população. Não vale a pena prometer livros, descida do IMI. Temos que conhecer a realidade.
Neste momento o que é prioridade para o Barreiro é a industrialização. O Barreiro sem industrialização não consegue sair deste marasmo onde está, não temos que ter medo de ter indústrias. Temos é que ter industriais menos poluentes, mais de acordo com os princípios actuais, com menos poluição, industrias que possam desenvolver postos de trabalho diferenciados.
Dou um exemplo, nem é preciso ser muito inventivo. Há quantos anos se apanha ameijoa na Moita, Seixal, Barreiro e Alcochete. Não seria possível existir entre estes concelhos um acordo para a criação de uma unidade de depuração de ameijoas. Os espanhóis vêm cá e levam-nas a preços baixos. Porque não houve entre estes concelhos acordo para criar desta forma postos de trabalho. Regularizava-se a apanha da ameijoa e criava-se um dinâmica”.
Porque não se aproveita o Cinema da CUF
“Ao nível cultural o Barreiro precisa de outra dinâmica. Há cultura só para alguns.
Porque não se aproveita o Cinema da CUF e toda aquela zona envolvente, a escola, as casas, e criar um Museu Vivo da Cidade, não um museu estático, mas um museu com o qual pudesse coexistir escolas profissionais, com empregos como soldador, marceneiro.
Colocam painéis a referir a obra do Politécnico e pergunto: O que é que o Politécnico tem a ver com o Barreiro? As coisas têm ser interligadas.
Há escolas primárias estão abandonadas. Estão abandonadas porquê? Não podem ser transformadas em centros de cultura, em Bibliotecas, aproveitando esse património.
Temos património arquitectónico, como a Estação dos Barcos, que podia ser aproveitada para um Museu.
É preciso fazer coisas que vão ao encontro das pessoas e não contra as pessoas. Tem que existir movimento.” – sublinha o candidato do PCTP/MRPP.
Na mentalidade do Barreiro é difícil discutir ideias
Como analisa a actual gestão da Câmara?
“É uma gestão muito fechada. O Carlos Humberto disse-me uma coisa que achei muita piada: «Eu ouço, mas eu é que decido».
Tive uma reunião com ele há um ano para apresentar duas propostas, uma sobre problemas que afectam as nossas crianças nas escolas, que não têm material adequado, outra sobre o aproveitamento de lojas, que pudessem ser utilizadas, como salas disponíveis a jusante, para crianças que possam estar doentes, utilizando recursos do Centro de Emprego, com apoio de enfermeiros e médicos.
Ele ouviu-me, ouviu-me, mas fiquei sem resposta. É muito fechado.
Na mentalidade do Barreiro é difícil discutir ideias, é uma terra muito fechada para dentro, tem algum receio de ouvir para fora porque tem medo de ficar isolado.
Este, para mim, é o problema deles, têm medo de ouvir pessoas que discordam, porque ao discordar não significa que não é válido, por isso ninguém vai a uma reunião para ser enxovalhado, porque se é dada uma opinião discordante, é chamado disto e daquilo” – refere Carlos Salgueiro.
Promover uma sindicância para percebermos as dividas
“Outra coisa que é preocupante é a divida que já vai nos 30 milhões. Nós defendemos isto ao nível local e nacional, saber o porquê da divida, quem foram os responsáveis, com que objectivo a divida foi contraída, se foi contraída para dar pequeno almoço às crianças, acho bem, se é para ter material escolar como deve ser, acho bem, mas se foi para outras coisas, como pagar aquele mamarracho que está ao pé do túnel, ou outras coisas quaisquer, está fora de questão.
Seria importante ter a noção como aconteceu e que perspectivas existem para a sua alteração.
Uma medida que nós preconizamos se chegarmos à presidência é promover uma sindicância para percebermos as dividas” – sublinha.
Criticamos o clientelismo politico
“Outra coisa que nós criticamos é o clientelismo politico, quer desta força politica que está la agora, quer da outra que lá esteve, porque isto é função pública e a função pública tem que ser por mérito, estas são situações que é importante desmascarar.
Deixem te ter medo. Deixem fazer uma sindicância. Deixem observar quem é que lá está não por mérito, mas por outras questões” – salienta o candidato do PCTP/MRPP.
Imposto único a nível nacional
“Nós, por exemplo, em relação aos impostos defendemos a existência de um imposto único a nível nacional, de acordo com a riqueza das pessoas. Não tem lógica que os cidadãos paguem impostos nacionais, impostos municipais. Não tem lógica nenhuma. Somos um país. Há um imposto que o Governo central, obrigatoriamente deverá distribuir para os municípios” – sublinha Carlos Salgueiro..
Eu discuto ideias
Como aprecia o Carlos Humberto?
“Eu não vejo o Carlos Humberto enquanto pessoa. Nem tenho ideia formada sobre ele. Eu discuto ideias. Podemos ouvir os outros. Mas não é só ouvir é valorizar o que os outros dizem.”
E, Luis Ferreira ou Humberto Candeias?
“Não conheço. Não discuto pessoas, discuto ideias”.
Ideia fundamental é tentar mobilizar as pessoas
Qual a meta do PCTP/MRPP nas eleições?
“A ideia fundamental é tentar mobilizar as pessoas e que as pessoas pensem que temos mais coisas em comum que diferenças. Temos que mobilizar as pessoas.
Há aí um caso de uma escola que não tem ar com qualidade. Pergunto – De quem é a culpa? Não é da Câmara. Não é da Delegação de Saúde. Ninguém é responsável. Isto não pode ser. Isto não pode acontecer.
Por isso é preciso mobilizar as pessoas. Não podem ficar em casa. Têm que expressar os seus pontos de vista, pensar, estes já lá estiveram, que foi que fizeram, e dar a oportunidade a outros” – salienta Carlos Salgueiro.
S.P.













