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Perspectivas

Carlos Humberto, candidato da CDU – BarreiroBarreiro é um concelho com muitos problemas

“É uma função muito exigente do ponto de vista físico e emocional, mas também muito galvanizadora, obriga-nos a uma grande entrega e dedicação” – salienta Carlos Humberto, ao comentar a sua experiência de autarca.

“Um dos grandes desgostos da minha vida foi não ter assistido ao 25 de Abril, comentei muitas vezes sobre isto com a minha mulher, uma coisa que nos marcava” - recordou.

6 min de leitura
Carlos Humberto, candidato da CDU – Barreiro Barreiro é um concelho com muitos problemas

Por Jornal Rostos

Carlos Humberto, candidato da CDU à presidência da Câmara Municipal do Barreiro, nasceu no Barreiro, no ano de 1951, como ele sublinha – “ foi ali na zona dos Penicheiros, do Quartel dos Bombeiros de Salvação Pública, do Luso, que é o meu clube, como toda a gente sabe, mas também estive ligado ao Ciclismo, o Casalense, naquelas ruas existiam diversas colectividades, uma vida associativa muito intensa”.

Instituto Comercial intervenção no Movimento Associativo

Carlos Humberto, frequentou o ensino primário na Escola Conde Ferreira, o secundário na Escola Alfredo da Silva, onde concluiu o Curso Geral do Comércio, seguindo para o Instituto Comercial.
“Nos últimos anos da Escola Alfredo da Silva já tive alguma intervenção, integrei os núcleos pro-associativos e fui Presidente da Comissão de Finalistas.
Depois fui para o Instituto Comercial onde já tive intervenção activa no Movimento Associativo.” – refere.

Uma vivência muito forte do ponto de vista cultural

“Tu lembras-te aquele período, que foi considerado um período histórico, das Comissões do Luso, onde se leccionavam aulas desde o ensino primário até ao 7º ano do Liceu. Temos no Barreiro muita gente formada que começou no Luso.
Para além de uma vivência muito forte do ponto de vista cultural e associativo. Uma extraordinária actividade, riquíssima, que envolveu muita gente, onde foram feitas muitas coisas, de intervenção cívica e politica.” – recorda Carlos Humberto.

Intervenção politica um processo natural

Carlos Humberto é um homem que fez da vida politica a sua profissão. Porquê? – perguntámos.
“Vim para intervenção politica por um processo natural, não foi uma opção. As pessoas do meu escalão etário, sabem, que sempre fui uma pessoa de intervenção cívica, associativa, nos clubes de rua, nos Jogos Juvenis, na Comissão Cultural do Luso, no Luso, nos Penicheiros.
Na altura de 67/68 comecei a tomar consciências das coisas, a tomar opções, comecei a intervir antes da Campanha de 69, no ano de 1971 aderi ao PCP. Iniciei a minha actividade clandestina, semi-clandestina, semi-legal, foi um processo natural.
Depois fui para a tropa, em Moçambique, onde estive ligado aos Movimentos, regressei a Portugal após o 25 de Abril, em Dezembro de 1974.
Um dos grandes desgostos da minha vida foi não ter assistido ao 25 de Abril, comentei muitas vezes sobre isto com a minha mulher, uma coisa que nos marcava ( sente-se a emoção nos seus olhos).
No regresso a Portugal, como tinha ligação à UEC e, como na altura já não estudava fui para o Movimento Juventude Trabalhadora, depois para a UJC, posteriormente deixei as estruturas das juventudes e liguei-me à estrutura do Partido.
Fui convidado para funcionário do Partido. Foi um processo natural, como disse, não foi uma opção, foi um percurso de vida.”

Ficou para trás uma opção empresarial

Que outro percurso de vida tinha sido feito se não fosse a intervenção pela politca?
“Gosto das áreas da cultura, do associativismo, das questões de intervenção cívica, mas também gosto de coisas dos números.
Como toda a gente conhece o meu pai tinha uma Loja de Mobílias e Oficina, os meus irmãos tomaram conta e quando regressei de Moçambique fui trabalhar para a empresa Sularte, do meu pai, que já tinha falecido. Eu tinha um quota minoritária.
Era uma empresa que tinha cerca de 100 trabalhadores. Se não tivesse optado por ser funcionário do partido, certamente, teria ficado ligado à empresa e paralelamente à vida profissional teria a minha intervenção cívica social e associativa”.

Nunca foi um desejo meu ser presidente da Câmara

Como é a experiência de ser presidente de Câmara?
“Foi um processo natural. Como disse sou funcionário do partido. A minha profissão é de funcionário do PCP.
Fui muito anos - tu conheces - responsável, pelas autarquias na região, responsável pelas áreas de autarquias e desenvolvimento regional, cerca de 20 anos.
Depois fui convidado para Assembleia Municipal, onde fiz três mandatos.
Após aquele período em que o Partido Socialista esteve na Presidência da Câmara, fui convidado pelo Partido para ser candidato a presidente da Câmara.
Acabei por aceitar. Depois foi um processo natural de vitória da CDU, que foi bem construída, com uma estratégia bem definida e com resultados, começámos por ter a presidência com maioria relativa e depois noutro mandato com maioria absoluta.
A experiência de presidente da Câmara vem no corolário de todas as intervenções anteriores.
Nunca foi um desejo meu ser presidente da Câmara. Podia ter tido esse desejo, essa perspectiva, mas nunca tive, nem me passava pela cabeça sequer tal coisa, foi um processo natural.”

Dá gosto sentir que estamos a concretizar coisas

“É uma experiência muito desgastante, extraordinariamente desgastante, muito exigente, é muito exigente porque é preciso estar próximo, participar nas coisas, conversar com as pessoas, conhecer o essencial dos dossier’s, acompanhar com grande proximidade todos os processos.
Quem me conhece sabe que sou assim, é uma característica pessoal, é um estilo de trabalho e de intervenção nas coisas, é desgastante, mas é valorizador, dá gosto sentir que estamos a concretizar coisas. E sabemos que há sempre muita coisa por fazer” – sublinha o candidato da CDU.

Barreiro é um concelho com muitos problemas

“Estou convencido que um dia quando sair vou valorizar o que ficou por fazer, mas também valorizar os contributos que dei para que se fizessem coisas, porque o Barreiro é um concelho com muitos problemas.
É uma função muito exigente do ponto de vista físico e emocional, mas também muito galvanizadora, obriga-nos a uma grande entrega e dedicação” – salienta Carlos Humberto.

Difícil conciliar a vida pessoal com o desempenho da função

Um presidente de Câmara tem vida pessoal?
“Eu falo por mim, cada um tem a sua forma de estar e estilos de vida.
Por mim, tem sido muito difícil conciliar a vida pessoal com o desempenho da função. É o estilo do trabalho.”

Há muito pouco tempo para o meu neto

Há tempo para os netos?
“Há muito pouco tempo para o meu neto. Tenho um neto. Vem um segundo neto a caminho. Tenho um filho de 38 anos, o Luis Carlos, que vive em Lisboa, e dá aulas no Ensino Superior, e tenho uma filha a Rita, que vive no Barreiro, é Arquitecta”.

Uma conversa onde procurámos um encontro com a vida e as experiências de vida de Carlos Humberto, candidato da CDU à presidência da Câmara Municipal do Barreiro.

S.P.

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