No dia do funeral do Padre Abilio Mendes«O Barreiro parou e a CUF deu tolerância de ponto»
“Esta obra vai ajudar a conhecer a história da primeira metade do século XX, no Barreiro” – salientou o Padre Azevedo, ontem à noite, no Auditório da Biblioteca Municipal, no decorrer da apresentação do livro “Padre Abílio da Silva Mendes – Fundador do Escutismo Católico no Barreiro”, de Gonçalo Brito Graça, uma obra editada pelo Agrupamento 927 Santo André, do Corpo Nacional de Escutas.

Por Jornal Rostos
No Auditório da Biblioteca Municipal, ontem à noite, decorreu a sessão de apresentação do livro “Padre Abílio da Silva Mendes – Fundador do Escutismo Católico no Barreiro”, de Gonçalo Brito Graça, uma obra editada pelo Agrupamento 927 Santo André, do Corpo Nacional de Escutas.
Um testemunho dos anos difíceis no Barreiro
Na apresentação o Padre Azevedo, autor do prefácio, recordou que- “conheci o Gonçalo em pequeno quando ele entrou para o escutismo, era perspicaz e interessado em história, fazia muitas perguntas ”.
Referiu que este seu livro – “com muita qualidade de investigação” todo ele “baseada em documentos” é “um testemunho dos anos difíceis no Barreiro no aspecto eclesial”.
Uma obra que demonstra como o Padre Abilio Mendes, fundador do escutismo no Barreiro, que tinha sido escuteiro, encontrou este caminho para ter – “acesso ao coração dos jovens”.
“Esta obra vai ajudar a conhecer a história da primeira metade do século XX, no Barreiro” – salientou o Padre Azevedo recordando que no dia do funeral do Padre Abilio Mendes – “o Barreiro parou e a CUF deu tolerância de ponto”.
Recordar a figura do Padre Himalaias
O Padre Azevedo sublinhou a importância de se conhecer – “a história da nossa terra”, este Barreiro que “é uma terra original, no seu processo industrial”, porque este é o caminho para termos – “amor a esta terra”.
“Já me considero um barreirense” -. referiu.
Na sua intervenção, recordou a figura do Padre Himalaias, que viveu no século XIX e XX no Barreiro, que participou em 1904, na Exposição Mundial, onde conquistou uma Medalha de Ouro, pelo seu invento pioneiro – “percursor da exploração da energia solar”
“Já lancei ao Gonçalo o desafio para investigar” – sublinhou.
Escutismo é uma escola moral e cívica
O Padre Daniel Nascimento, Assistente Regional, sublinhou que o livro de Gonçalo Brito Graça – “é uma obra que faz uma grande justiça ao Barreiro, à Igreja e ao escutismo da região”, ao recordar a vida do Padre Abílio Mendes que – “foi uma personagem ímpar”.
Recordou que a obra evoca momentos vividos, no Barreiro, no pós República, durante o qual os católicos –“enfrentaram problemas que hoje nem pensamos”.
Sublinhou que a obra permite referenciar que – “o escutismo é uma escola moral e cívica”.
“No escutismo os modelos de vida são importantes” – referiu, salientando que o Padre Abílio Mendes é um exemplo que vai – “ajudar-nos a ser mais humanos, mais cristão e mais escuteiros”.
No Barreiro faltava-nos esta investigação
Francisco Monteiro, Assessor do Chefe Regional, referiu que – “há quem confunda memória com passado”, mas, na sua opinião, “a memória sustenta o futuro”.
“Sem memória não há progresso” – sublinhou, acrescentando que – “no Barreiro faltava-nos esta investigação para celebrar a obra do Padre Abilio Mendes e os primeiros passos do escutismo”
Rúben Guerreiro, Chefe do Agrupamento 927 Santo André, recordou que Gonçalo Brito Graça integra o movimento escutista, no Barreiro, desde o ano de 1992.
Dos «Adueiros» aos escuteiros
Gonçalo Brito Graça, recordou a origem do seu livro, num dia que encontrou, no Museu Nacional do CNE, uma pasta com Cartas do Padre Abilio Mendes, de 1935 a 1955, num tempo que não existia Diocese de Setúbal, e, ali, - “estava a história do quotidiano do Barreiro”.
Recordou que no decorrer da 1ª República o Padre Abilio Mendes, exilou-se para o Brasil onde tomou contacto com o escutismo e fundou vários Agrupamentos no Brasil, tendo sido o fundador do primeiro agrupamento de escuteiros marítimos naquele país.
Referiu a existência no Barreiro dos «Adueiros Barreirenses», uma organização que antecedeu os escuteiros e tinha no Barreiro o Agrupamento nº 41.
Um tempo em que as procissões eram apedrejadas
Recordou também a existência da AEP – Associação de Escuteiros de Portugal, quer teve no Barreiro o Agrupamento nº 62, em torno do qual, salientou – “havia politica por trás”.
Referiu que um dia, em sequência de um Agrupamento de Escuteiros de Lisboa ter realizado um acampamento no Barreiro, o Padre Abilio Mendes, decidiu avançar para a fundação do Agrupamento, primeiro os Lobitos, depois os escuteiros e por fim os escuteiros marítimos.
“Era um tempo difícil, era um tempo em que as procissões eram apedrejadas” – sublinhou.
Uma viagem pelas décadas de 1930 a 1950
O livro de Gonçalo Brito Graça, “Padre Abílio da Silva Mendes – Fundador do Escutismo Católico no Barreiro”, faz uma abordagem das décadas de 1930 a 1950. É efectuada uma viagem pela vida do Padre Abilio Mendes, desde o seu primeiro contacto com o Movimento Escutista no Brasil até à sua acção no Barreiro, na fundação do escutismo católico.
Gonçalo Brito Graça é licenciado em História pela Universidade Nova de Lisboa e Mestre em Património Histórico pela Universidade de Cantabria (Espanha).
Atualmente, exerce investigação sobre a introdução do escutismo católico em Portugal no Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa.
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