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Perspectivas

«Viva o Casamento!» no Teatro Municipal do BarreiroUma comédia que dá ânimo e proporciona «música no coração»

. . Arte Viva dedica este espectáculo a João Cavaco

Luís Pacheco, encenador, entra com o pé direito, na sua primeira colaboração com ArteViva - Companhia de Teatro do Barreiro, ao proporcionar um espectáculo com ritmo, musicalidade, humor e ironia.

«Viva o Casamento!», uma comédia de Fernando Gomes, que vai estar em cena no Teatro Municipal do Barreiro, até dia 1 de Março 2014, é, sem dúvida uma delícia e um espectáculo a não perder.

7 min de leitura
«Viva o Casamento!» no Teatro Municipal do Barreiro Uma comédia que dá ânimo e proporciona «música no coração»

Por Jornal Rostos

Num tempo marcado diariamente por «nuvens negras», noticias que nos retiram energia, ver a peça «Viva o Casamento!» é, sem dúvida um momento de conforto, divertimento que nos dá ânimo e faz-nos pensar que há mais mundo e mais vida que aquela que nos entra quotidianamente pelo écrans da televisão.
Sentimos, também que, aqui e agora, no Barreiro, há jovens que se divertem e divertem-nos fazendo arte de qualidade, mantendo vivo o teatro como expressão da vida e dos tempos que vivemos.
Um texto que faz sentir a intemporalidade, que faz pensar o país, a nossa terra, a nossa rua. Um texto que nos faz mergulhar por dentro dos sentimentos, de forma divertida e com muita musicalidade.
Quando termina a peça «Viva o Casamento!» não ficamos com um sentimento de vazio, antes pelo contrário, somos levados a mergulhar no tempo e percorrer as memórias de nós, neste canto à beira mar plantado.

Um espectáculo onde o espaço cénico, em todo o seu enquadramento estético merece o nosso aplauso, pela sua funcionalidade, permitindo os personagens fluir com autenticidade e com grande equilíbrio.
O jogo de luz funciona, igualmente, como um elemento estruturante do espaço cénico.
Um espectáculo onde o próprio guarda roupa contribui de forma plena para caracterizar os personagens e ajuda os actores na vivência e na expressão corporal.
Não vou referir nenhuma interpretação em particular, acho que todos estiveram em palco de forma muito serena, ajudando-se mutuamente, com muito calor e energia. Foram excelentes, na interpretação e no canto!
Todos os personagens, em momentos concretos, são centrais no espectáculo, dando sentido ao texto, na construção e desconstrução das situações dramáticas, com boa colocação de voz e caricaturas.
Os momentos musicais são, sem dúvida, uma agradável surpresa, pelo ritmo, pela graciosidade e por proporcionarem, eles mesmos, uma contextualização sociológica, tornando-se um motor da própria dinâmica teatral, sátira social e problematização da nossa realidade sócio-cultural.

Luís Pacheco, encenador, está de parabéns, entra com o pé direito, na sua primeira colaboração com Arte Viva - Companhia de Teatro do Barreiro, proporcionando um espectáculo com ritmo, musicalidade, humor e ironia.
«Viva o Casamento!», uma comédia de Fernando Gomes, que vai estar em cena no Teatro Municipal do Barreiro, até dia 1 de Março 2014.

Se quer viver uma noite divertida, com fortes gargalhadas e simultaneamente abrir um espaço para, na sua interioridade, pensar Portugal, de hoje e do seu passado recente, então, este, garanto-lhe, é um espectáculo a não perder. É uma delicia!

Recordar João Cavaco

Uma nota final. Rui Félix recordou no final do espectáculo da estreia, com um texto muito lindo e emocionante, que a Arte Viva - Companhia de Teatro do Barreiro dedica este espectáculo a João Cavaco, amigo e colega recentemente falecido.
Um momento de grande emoção com todos os espectadores, de pé, e actores, durante largos minutos a homenagear João Cavaco, com um forte aplauso, recordando um homem que inscreveu seu nome na história do teatro do Barreiro e na vida do Arte Viva.

António Sousa Pereira

DO PROGRAMA

Sobre o texto
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“VIVA O CASAMENTO” é uma Comédia Dramática, Romântica e Musical!

Fernando Gomes inspirou-se na novela de Eça de Queirós “Alves & Cia.” ao (re)escrever “Viva o Casamento”. No triângulo amoroso desta novela reencontramos as demissões e ambiguidades do nosso quotidiano. A fraqueza humana disfarçada por rasgos de desagravo de honra, que rapidamente tombam quando há interesses a defender.

Em “Viva o Casamento” a acção decorre em Lisboa, no princípio dos anos 60. O gerente da firma “Alfredo Pato & Cia. Modas e Confecções” estava convencido que tudo corria bem entre ele e a sua querida e jovem esposa, até que um dia… a encontrou nos braços doutro homem. E para o seu sofrimento ser ainda maior, esse homem era o seu melhor amigo e sócio da firma que dirige! Com muitas canções dos Anos 60 interpretadas graciosamente pelos actores, esta é uma comédia que irá agradar a todos aqueles que estiverem disponíveis para dar umas boas gargalhadas!"

Depois de “O Quiosque” e “Noites de Lua Cheia”, este é o terceiro espectáculo de Fernando Gomes que a ArteViva leva a cena, e é a primeira colaboração de Luís Pacheco com a Companhia.
Foi com enorme satisfação que recebi, e prontamente aceitei, o convite da ArteViva para encenar esta Comédia Musical. O orgulho é ainda maior por me ter sido dada total liberdade na escolha do texto e por poder trabalhar com um grupo de actores tão talentosos. Obrigado a todos, Luís Pacheco.

Sobre o autor
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Fernando Gomes Actor/ Autor / Encenador, nasceu no Porto, em 1944.
Iniciou a sua actividade como actor em 1974. Fez parte dos elencos do Teatro Experimental de Cascais, Casa da Comédia, O Bando, Comuna, Teatro da Graça, Teatro Aberto, Escola de Mulheres, Teatro da Garagem e Teatro Nacional D.Maria II.
A partir de 1980, começa a escrever, encenar e produzir os seus próprios espectáculos. Em 1984, recebe o Troféu Nova Gente para o melhor actor de teatro musical, em 1989, o Prémio Prestígio, da Imprensa Nacional e em 1991 o Prémio Especial de Humor, do V Salão Nacional de Caricatura. Colabora como autor e encenador no Teatro de Animação de Setúbal, Grupo Persona, Novo Grupo, Chapitô, Teatroesfera, Seiva Trupe, Teatro da Malaposta e Teatro do Noroeste.
É autor das versões em português de três óperas de Jacques Offenbach, que também encena: “Ba-ta-clan”, “O Principado de Tulipatan” e “As Madames do Bolhão”. Em 2007 encena “A Vingança da Cigana”. Em 2011, no Teatro Nacional de São Carlos, encena a ópera de Nino Rota “O Chapéu de Palha de Itália”, que repõe em 2013.
Foi director artístico do TIL e autor das versões musicais que encenou nessa companhia. Por esse trabalho para a infância e juventude é nomeado para os Globos de Ouro 96 como Personalidade do Ano. Em 2007, encena uma versão da ópera “O Barbeiro de Sevilha”, que recebe do Guia dos Teatros o Prémio de Teatro 2007 para o melhor espectáculo infantil. Em 2004 é convidado pela Escola Superior de Teatro e Cinema para encenar “Ubu”, com os alunos do terceiro ano de teatro. Em 2003 encena “Du Bocage In Love” com os alunos da Escola Técnica de Imagem e Comunicação.
Co-fundador e director artístico da “Klássikus”, a partir de 2006, e em estreita colaboração com o Centro Cultural da Malaposta, tem desenvolvido duas vertentes fundamentais: uma que se encontra dedicada ao seu interesse pelo teatro para crianças e outra que dentro de um teatro com laivos de farsa e de comédia pretende dar a conhecer, sempre de uma forma lúdica, alguns dos grandes autores de clássicos da literatura e do teatro.
“Rua Sésamo”, “Visita inoportuna”, “Por alma de Negreiros”, “Paris Hotel”, “A Maluquinha de Arroios” e “A minha família é uma animação” são alguns dos inúmeros trabalhos que fez para a televisão. Pela sua interpretação na novela “Todo o tempo do mundo” recebe o prémio Pateota 2000.

Ficha Técnica

Autor: Fernando Gomes
. Encenação: Luís Pacheco.
. Interpretação: Alexandre Antunes, Bruno Vitoriano, Henrique Gomes, Joana Pimpista, João Parreira, Rui Félix e Sara Santinho.
. Assistência à encenação: Teresa Mendes Vitorino
. Cenografia: Luís Pacheco
. Desenho de Luz: Luís Pacheco e João Oliveira Jr.
. Operação Técnica: André Concórdia, Pedro Duarte e Vítor Nuno
. Guarda-roupa e adereços: Luís Pacheco e Ana Pimpista
. Música: Gonçalo Pratas
. Design gráfico: Alexandre Antunes.

Agradecimentos a: Fernando Gomes, Centro Cultural Malaposta e Dário Valente.

Agradecimento especial a Fernando Gomes pela cedência dos direitos de autoria do texto. Numa época em que os artistas vêem os seus direitos retirados, a generosidade deste acto é reveladora da esperança e da luta por uma sociedade mais culta.

A ArteViva - Companhia de Teatro do Barreiro dedica este espectáculo ao João Cavaco, amigo e colega recentemente falecido.

Reservas:
964 787 109
212 060 860
arteviva.geral@gmail.com

Bilhetes:
5€ preço normal
3€ desconto para grupos

Em cena às sextas-feiras e sábados às 21h30, no Teatro Municipal do Barreiro.

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