Alhos Vedros - Moita«Marcas nos Chãos» obra de Leonel Coelho
Um livro lançado aos 80 anos que …abre a porta à “esperança”!
Leonel Coelho, homem de resistência, lutador, na acção e na palavra, completou no passado dia 27 de Dezembro, 80 anos, efeméride que assinalou com o lançamento do seu livro «Marcas nos Chãos», numa sessão marcada por um grande calor humano e muita emoção.
“Não devemos ter medo das discussões, devemos ter medo é do silêncio” – sublinhou Leonel Coelho.

Por Jornal Rostos
A sessão que decorreu na Academia de Alhos de Vedros, numa sala marcada por uma moldura humana feita de diversas gerações.
Começou com a projecção de um vídeo, uma homenagem de uma sobrinha de Leonel Coelho – “uma filha de minha irmã, que foi corrida de Portugal, onde não serviu para Arquitectura, nem servia para cantora” – disse emocionado Leonel Coelho, ao visionar as imagens e escutar os melódicos daquela surpresa enviada por sua sobrinha, para assinalar o seu aniversário.
Livro abre a porta à esperança
Dores Nascimento, sua filha, apresentou o livro «Marcas nos Chãos», sublinhando que a obra é carregada de “imagens” que conduzem a imaginação de Leonel Coelho ao encontro de lugares e pessoas – “esta é a minha rua”.
Referiu que «Marcas nos Chãos», é “uma pequena novela” onde o autor procura “exaltar a figura da mãe” e a “figura do mais ausente”.
Dores Nascimento motivou os presentes para a leitura da obra divulgando diversas passagens da obra, num encontro com o mundo da cortiça, a moagem do milho, as casas, o rio Tejo, aqueles lugares que existiam – “no meio do nada e ao pé de tudo”.
Doress Nascimento salientou que Leonel Coelho, neste seu livro abre a porta à “esperança” escrevendo como quem pega “numa ponto de um sonho e vai por aí..”
É preciso não ter vergonha de ser humilde
Leonel Coelho, visivelmente emocionado, sublinhou que – “é uma alegria ter só caras bonitas à minha frente”, acrescentando que perante esta proximidade, estas presença eram “um convite à felicidade”.
Recordou como os tempos de hoje são diferentes daqueles que estão espelhados na sua obra, hoje, homens e mulheres “andam na escola e esta é uma grande conquista”.
Referiu o seu amigo Mira, a quem um dia se dirigiu e disse-lhe: “A gente não se fala nem sei porquê” e a partir daí retomaram a amizade.
“É preciso não ter vergonha de ser humilde” –disse.
Devemos ter medo é do silêncio
Leonel Coelho, salientou que nos últimos tempos têm sido publicados muitos livros em Alhos Vedros, uma expressão das dinâmicas culturais da vila.
“Não devemos ter medo das discussões, devemos ter medo é do silêncio, temos que conviver mais e viver mais” - referiu
Aprendi a escrever com as pedras da vida
“Eu se tivesse vivido noutra sociedade era seria um escritor. Se eu tivesse aprendido a lidar com as palavras como o pedreiro lida com os tijolos. Eu aprendi a escrever com as pedras que eu aprendi na vida” – referiu Leonel Coelho, recordando que – “eu tirei a 4ª classe no ano de 1944”.
“Aprendi muito, particularmente, com os miúdos que estão aqui” – disse.
Leonel Coelho salientou que “este livro não se esgota aqui” acrescentando que – “um livro não se esgota quando se lê”.
“Quero agradecer muito particularmente, aos miúdos que estão aqui” – disse, dirigindo-se aos jovens que marcaram presença, para expressar a gratidão ao dirigente associativo ao mestre da vida.
Ajudou-me a crescer como pessoa
O Nelson, um dos jovens atletas da Academia de Alhos Vedros, ali presente, salientou que – “Leonel Coelho tem sido uma pessoa importante na minha vida, fez-me crescer como pessoa, fez-me crescer a jogar ping-pong”.
O Tomás referiu – “ajudou-me a crescer como pessoa, ajudou-me em tudo, em todos os momentos”.
Não fez campeões. Fez grandes homens
Manuel Fernandes, da Associação de Ténis de Setúbal, recordou que a sua relação com Leonel Coelho é de muitos anos, e, disse, quando o conheci fiquei com a ideia que – “não percebia nada de Ténis de Mesa, mas os miúdos adoravam-no”.
“Leonel Coelho é um homem por quem tenho muita admiração. Não fez campeões. Fez grandes homens” – salientou.
“Ele é um homem que tema Universidade da vida que sempre soube transmitir aos mais novos” – disse.
Leonel Coelho, comentando estas palavras disse- “Tenho orgulho de pertencer ao povo”.
Um grande treinador de pessoas
Vivina Nunes, vereadora da Câmara Municipal da Moita, referiu – “estou aqui em nome pessoal”, para dizer – “Obrigado. Leonel Coelho pode não ser um grande treinador desportivo, mas é que um grande treinador de pessoas”.
Com a sua vida enriqueceu a palavra amigo
Daniel Figueiredo, vereador da Câmara Municipal da Moita, marcou presença também ao nível pessoal, por ser amigo de Leonel Coelho, homem que com a sua vida “enriqueceu a palavra amigo”.
Referiu que tem mantido discussões com Leonel Coelho e nas suas relações “a palavra amizade permanece sempre”.
Momentos que dão sentido à vida
Foi uma noite muito agradável. No final cortou-se o bolo de aniversário, escutou-se um pouco de jazz, realizou-se uma sessão de autógrafos, rodeando os presentes Leonel Coelho num abraço fraterno e de amizade, assinalando o lançamento do livro «Marcas nos Chãos», e festejando os 80 anos de vida de um homem que pela palavra e pela acção inscreveu seu nome na vida de gerações e na história da nossa região.
Como disse Leonel Coelho este foi um dia onde “sentiu-se a felicidade” e daqueles momentos que dão sentido à vida de – “um homem que levou porrada e manteve-se sempre teso”.
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