Moita - Jaime Martins, Conselho Distrital de Lisboa da Ordem de Advogados«A judicialização é feita através da desqualificação dos profissionais»
António Jaime Martins, presidente do Conselho Distrital de Lisboa da Ordem de Advogados, afirmou que a reforma judiciária em curso – “afasta tribunais dos cidadãos”.
“Os advogados defendem os cidadãos”, porque – “temos uma cultura de defesa das liberdades e garantias” – sublinhou.

Por Jornal Rostos
No Tribunal da Moita, ontem à tarde, realizou-se o acto de posse dos membros eleitos para a Delegação de Advogados da Moita, o evento que contou com a presença de Rui Garcia, presidente da Câmara Municipal da Moita e João Miguel , presidente da Junta de Freguesia de Moita.
Uma reforma administrativa que não se percebe
Vasco Correia, Presidente cessante da Delegação de Setúbal da Ordem dos Advogados, no decorrer da tomada de posse dos novos órgãos sociais da Delegação de Advogados da Moita, recordou que no seu mandato a Delegação da Moita foi – “um interlocutor de primeira água de relações excelentes”, numa “lógica de cooperação institucional e franca”.
Referiu que a sua presença tinha um significado de estar solidário com a Delegação da Moita que tem – “um desafio importante” perante os “novos mapas judiciários”, que definiu como – “mais uma reforma administrativa que não se percebe”.
Tribunal da Moita não perca a sua valência crime
Vanda Seixo, após assumir a presidência da Delegação de Advogados da Moita, expressou o desejo que o Tribunal da Moita – “não perca a sua valência crime”
“Estamos todos na luta” – referiu, acrescentando – “vamos conseguir fazer algo, porque esta reforma legislativa é um presente envenenado”.
Três anos de desafios que foram uma luta diária
A presidente da Delegação de Advogados da Moita salientou o trabalho que tem sido realizado no sentido da dignificação da Delegação, referindo a criação dos Gabinetes de Consulta Jurídica na Baixa da Banheira, no Gaio Rosário e Sarilhos Pequenos, como uma meta concretizada com sucesso, assim como a realização de acções de formação de casa cheia.
“Foi uma honra servir os colegas e a população do concelho” – sublinhou Vanda Seixo.
“Tivemos três anos de desafios que foram uma luta diária”, disse.
Judicialização feita através da desqualificação dos profissionais
António Jaime Martins, presidente do Conselho Distrital de Lisboa da Ordem de Advogados, lançou um apelo aos advogados do concelho da Moita para darem o apoio aos novos corpos sociais da Delegação que tem um papel importante nas lutas actuais da advocacia com o objectivo de – “preservar a dignidade do exercício da advocacia”.
Recordou que a advocacia, num estado de direito, tem um papel relevante na defesa da liberdade e direitos de cidadania.
Referiu que estamos perante – “um estado devorador” que desenvolve “um movimento de judicialização feroz”.
“A judicialização é feita através da desqualificação dos profissionais” – salientou.
Separar as profissões judiciárias
Neste contexto, António Jaime Martins, considerou ser necessário “separar as profissões judiciárias”.
Criticou que esteja em marcha um processo no qual o Agente de Execução – “vai negociar o crédito” do qual “é parte”.
“A negociação de crédito é acto próprio dos advogados” – referiu.
“O advogado é o árbitro que defende as regras correctas” – disse.
É a cidadania que está em causa
O presidente do Conselho Distrital de Lisboa, considera que a reforma judiciária em curso – “afasta tribunais dos cidadãos”.
Na sua opinião, a Delegação de Advogados da Moita – “tem lutado contra a desqualificação do Tribunal”.
“A situação em que toma posse não é nada fácil”, disse.
“É a cidadania que está em causa, é o prestigio desta profissão que está em causa” – sublinhou.
António Jaime Martins, referiu que “os advogados defendem os cidadãos”, porque – “temos uma cultura de defesa das liberdades e garantias”, porque “temos uma cultura ética e judiciária.
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