Barreiro - «Aos domingos pela manh㻫Constelações Vivas» o registo das memórias da vida de uma comunidade
Salientou, Rui Guerreiro, que a edição do livro livro «Constelações Vivas» surge no âmbito da programação do Festival BB Blues fest, procurando fazer uma abordagem da identidade da Baixa da Banheira – de uma comunidade rural que se desenvolve fruto da migração de populações para uma zona industrial.

Por Jornal Rostos
Hoje, pela manhã, no Café Bar da SFAL, decorreu mais uma iniciativa do ciclo «Aos domingos pela manhã», tendo como tema a apresentação do livro «Constelações Vivas», uma obra que divulga memórias da Baixa da Banheira, editada pela associação grãonauta, no âmbito das actividades culturais do BB Blues Fest.
Um movimento associativo muito forte
João Figueiredo, da grãonauta, sublinhou que esta obra procura dar uma visão das “origens da Baixa da Banheira” uma origem que está “próxima do Lavradio”, ambas terras que se desenvolveram como “subúrbio da fábrica”.
“Foram pessoas que se juntaram numa zona que era terra agrícola, que com as suas mãos construíram as suas casas, num tempo que nem havia, nem água, nem esgotos” – referiu.
“Foram terras, onde surgiu, anos depois, um colectivismo muito forte que cresceu ao longo de décadas e deu origem a um movimento associativo muito forte”, disse.
Bblues é uma expressão de rituais
Rui Guerreiro, da associação BB Blues Portugal, promotora do Festival BB Blues, recordou que o blues é uma música com origens nos “trabalhadores escravos, com raízes africanas, músicas de rituais de trabalho e celebração, que expressa as dificuldades da vida“.
Sublinhou que o blues é uma expressão de rituais, cantados com guitarra e instrumentos de percussão, com origens rurais, que, após os anos 30, devido aos fluxos migratórios ao longo do Rio Mississipi, para cidades como Chicago e Detroit, grandes zonas industriais de química, automóveis e siderúrgicas, aí, registou-se o fenómeno da electrificação dos instrumentos.
Rui Guerreiro, recordou que o rock “nasceu no berço do blues”, com “os brancos cantando música dos negros”.
Preservar as memórias da vida de uma comunidade
Salientou, Rui Guerreiro, que a edição do livro livro «Constelações Vivas» surge no âmbito da programação do Festival BB Blues fest, procurando fazer uma abordagem da identidade da Baixa da Banheira – de uma comunidade rural que se desenvolve fruto da migração de populações para uma zona industrial.
As imagens editadas, salientou, proporcionam “elementos visuais próprios do blues”, ali, encontramos “cenários rurais, numa relação urbana, com proximidade da linha do comboio e do rio”.
O blues exprime nos sues sons – “os sons do comboio”, e as “harmónicas”, presentes nas imagens editadas.
“O nosso objectivo é preservar as memórias da vida de uma comunidade onde se insere o BB Blues Festival fest” – referiu Rui Guerreiro.
Continuar a recolher histórias e imagens
João Figueiredo sublinhou que o Blues surgiu nas zonas rurais – “música rural que na cidade ganhou o carácter urbano com a introdução da guitarra eléctrica”.
“É essa analogia que nós queremos preservar com a Baixa da Banheira, que nasceu de pessoas que vieram da zona rural e transformam a sua cultura rural numa cultura urbana” – sublinhou João Figueiredo.
“A nossa ideia é continuar a recolher histórias e imagens e editar, mesmo que seja num novo formato, numa plataforma web” – referiu.
“Na prática pretendemos criar sinergias entre a comunidade da Baixa da Banheira e o BB Blues fest”, disse.
Identificação de fotografia
No decorrer de conversas com os presentes na sessão, uma antiga professora do Ensino Primário, que lecionou na Baixa da Banheira, deu o seu contributo para clarificar a identificação de uma fotografia publicada no livro, esclarecendo que – “não era na escola da Professora Herminia, mas sim, no antigo Posto Escolar”.
VER FOTOS
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