Moita - Conversa com… Manuel Fernandes e Carlos ManuelDuas lições de vida que se escrevem com as palavras – Querer, gostar e trabalhar

Por Jornal Rostos
A Escola Técnica Profissional da Moita vai promover um ciclo de «Conversas com..», com o objectivo de proporcionar aos seus alunos o encontro com profissionais de diversas áreas que falem das suas actividades e histórias de vida.
Para abrir este ciclo foram convidados dois prestigiados futebolistas Manuel Fernandes e Carlos Manuel.
Foi a minha mãe que me incentivou
Manuel Fernandes, que inscreveu seu nome na história do Sporting Clube de Portugal e na selecção nacional, recordou – “nasci numa aldeia humilde, a minha terra era uma terra isolada para lá chegar ia-se por estradas de areia”.
Salientou que desde muito novo – “senti que tinha vocação para ser jogador de futebol, enquanto os meus amigos de infância gostavam de brincadeiras de cow boys, ei gostava de jogar à bola. Eu jogava dois três jogos por dia. Senti que ser jogador, podia ser a minha profissão. Foi a minha mãe que me incentivou a ser jogador de futebol . Ela adora futebol, ainda hoje é a sócia nº 2, do Sarilhos”.
Ter muito jeito não chega, temos que lutar
“Acho que quando temos vocação para uma coisa, devemos agarrar essa vocação para termos sucesso” – sublinhou Manuel Fernandes.
Recordou que aos 16 anos, vestiu a primeira camisola, integrando a equipa do Sarilhos Pequenos.
Sarilhos Pequenos era uma terra com 700 habitantes.
“Eu tinha muito jeito” - sublinhou, acrescentando que – “ter muito jeito não chega, temos que lutar”, porque referiu há muitas dificuldades pelo caminho.
“Fui treinar ao Sporting e ao Benfica e fui escorraçado” – recordou.
Manuel Fernandes, sublinhou que esses episódios não lhe retiraram a vontade de concretizar o seu sonho.
“Eu vou conseguir” – recordou foi a afirmação que colocou a si mesmo, vindo a integrar o plantel do Grupo Desportivo da CUF.
Eu decidi ser jogador
Carlos Manuel, nome que recordamos do Sport Lisboa e Benfica e da selecção nacional, recordou a importância do “futebol de rua” onde iniciou o seu prazer de jogar sem competição.
“Nós somos o que vamos bebendo do sitio onde estamos”- salientou.
Referiu que o seu primeiro clube foi o Grupo Desportivo da CUF – “era o melhor clube deste país”.
“O meu primeiro contrato assinei tinha 14 anos. Foi o meu pai Alfredo que assinou o papel” – salientou.
Carlos Manuel, evocou as suas memórias do mundo do trabalho, nas Oficinas da CP, no Barreiro. Uma opção de vida – “eu não quis estudar, chumbava de propósito, mas acabei por tirar o Curso Industrial, à noite, na Escola Industrial Alfredo da Silva”.
“O querer e a vontade pelo que queremos é o que faz a nossa vida. O lado interior que é nosso, que é aquilo que nós queremos. Eu decidi ser jogador. E ao querer ser jogador eu queria se o melhor, ninguém podia ser melhor que eu” – sublinhou.
Sabia que um dia ia vestir aquela camisola
Manuel Fernandes, recordou que, dedicou-se durante seis anos ao Grupo Desportivo da CUF.
“Eu queria chegar ao clube do meu coração, o Sporting. Sempre disse que queria representar o clube que eu mais gostava – o meu Sporting” – salientou.
“Eu sabia que um dia ia vestir aquela camisola. E vesti-a durante doze anos” – recordou.
Recorde-se que Manuel Fernandes foi, até aos dias de hoje, o melhor marcador do Sporting Clube de Portugal e o atleta com mais jogos ao serviço do clube.
Se não gostamos o melhor é parar
Carlos Manuel, sublinhou – “eu nasci benfiquista”.
Recordou a influência que a cultura das Oficinas da CP na sua vida, na sua formação como homem – “eu era um miúdo da Oficina que jogava no Benfica”.
“O Benfica deu-me muita coisa, além do futebol ensinou-me o que era a vida, foram valores e virtudes que aprendi naquele clube” – sublinhou.
“Toda a nossa vida tem a ver com o que nós queremos ser, se não gostamos o melhor é parar. Na vida não basta a qualidade” – salientou Carlos Manuel.
“É preciso sentir o prazer de entrar em campo e ali sentir a liberdade de exteriorizar tudo o que se gosta de fazer, em todos os jogos” – referiu.
Duas lições de vida
Uma conversa que se prolongou, por cerca de duas horas, durante a qual Carlos Manuel e Manuel Fernandes falaram das suas vidas, de estórias e memórias, que como jogadores, quer como treinadores, numa conversa moderada por António Sousa Pereira, director do jornal «Rostos».
Uma conversa cuja conclusão pode resumir-se nas palavras – QUERER – somos o que queremos ser; GOSTAR – é preciso gostar do que queremos ser; TRABALHAR – mas para sermos o que gostamos e queremos ser, é preciso muito trabalho, porque, só assim, atingimos os nosso OBJECTIVOS – com essa profunda vontade de ganhar.
Foi esta a lição de uma agradável conversa, ali, na Escola Técnica Profissional da Moita, com dois homens que inscreveram, por paixão, os seus nomes na vida profissional que abraçaram nas suas vidas.
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