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Perspectivas

Barreiro - Comemorações dos 40 anos do 25 de AbrilDebate na Assembleia Municipal afasta cenários de convergência

. “O 25 de Abril não é neutro” – sublinhou José Paleta, CDU

. Saudação da CDU “é a negação do 25 de Abril”, afirmou Madalena Alves Pereira, PS.

. “No 25 de Abril, eu tinha seis anos, será que eu era fascista?” – interrogou Vítor Nunes do PSD

. No Barreiro, o PCP “assaltou a sede do MRPP”, recordou Carlos Salgueiro

O 25 de Abril foi um dos temas que animou os trabalhos da reunião da Assembleia Municipal do Barreiro, ontem à noite, no Auditório da Biblioteca Municipal.
Foram debatidos dois documentos apresentados, um pela CDU, outro pelo PSD. O debate esteve acalorado e as votações finais abrem caminho para afastar cenários de convergência para assinalar os 40 anos de Abril.

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Barreiro - Comemorações dos 40 anos do 25 de Abril Debate na Assembleia Municipal afasta cenários de convergência

Por Jornal Rostos

O 25 de Abril foi um dos temas que animou os trabalhos da reunião da Assembleia Municipal do Barreiro, ontem à noite, no Auditório da Biblioteca Municipal.
Deram o mote para o debate uma recomendação apresentada pelo PSD e uma saudação apresentada ela CDU.

Celebração ampla, condigna, abrangente e plural

A recomendação do PSD, recordava que o 25 de Abril instituiu a “democracia universal, representativa e plural em Portugal, simultaneamente politica e económica, mas também social e cultural, defendendo que a celebração dos 40 anos do 25 de Abril fosse – “uma celebração ampla, condigna, abrangente e plural”, incluindo a organização de “um ciclo de conferências públicas que envolvam no mínimo, os diversos partidos e movimentos políticos com representação na Assembleia da República e/ou na Assembleia Municipal do Barreiro”.
Esta recomendação foi reprovada com os votos contra da CDU, recebendo os votos favoráveis do PS, PSD, BE e PCPT/MRPP.

Tempos presentes de ignomínia e regressão social

A Saudação da recordava que o 25 de Abril foi um “acto de emancipação social e nacional, desencadeado pelo heróico Movimento das Forças Armadas (MFA) em aliança estreitacom os trabalhadores e o povo, a Revolução de Abril pôs fim a 48 anos de ditadura fascista realizando-se a partir daí profundas transformações democráticas, politicas, económicas, sociais e culturais”.
Referindo que comemorar Abril – “nos tempos presentes de ignomínia e regressão social” e “defender Abril é lutar contra a inaceitável intervenção externa que agride a nossa soberania e põe em risco a independência nacional”.
“Um pacto de agressão, venerando e obrigado, subscrito pela troika interna e a cumplicidade do Presidente da República com consequências dramáticas para a generalidade dos portugueses, particularmente os trabalhadores, os reformados, os jovens, as mulheres, os pequenos empresários e comerciantes. Um Pacto de afrontoso conflito com o que Abril representou de conquista, transformação e realização ao ferir liberdades fundamentais, empobrecer o país, empurrar para o desemprego e a emigração milhares de portugueses, subverter a Constituição da República pondo em causa o futuro colectivo do país” – refere o texto.
Sublinha-se a importância de lutar contra as tentativas de destruição do Serviço Nacional de Saúde, a Escola Pública, o Serviço Público e Universal de Segurança Social.

Um momento para a unidade e convergência

“Este é o tempo e o momento de manifestar a nossa indignação e a recusa a estas politicas que põem em causa a nossa história e o futuro de um povo e de um país que sonhou e teve esperança” – acrescenta a saudação da CDU.
“Este é um tempo e um momento para a unidade e convergência entre todos, homens e mulheres que consideram que a Pátria não se vende, que repudiam a exploração, que defendem valores solidários , fraternos e de esquerda” – é sublinhado.
Esta saudação contou com os votos favoráveis da CDU, BE e PCTP/MRPP, registando os votos contra do PS, PSD e MCI.

A negação do 25 de Abril

Em declaração de voto, Madalena Alves Pereira, PS, afirmou que a saudação da CDU – “é a negação do 25 de Abril”, porque “induz sectarismo”, é contra a “pluralidade de opiniões”, sendo um texto que proporciona a “divisão”.
Estas as razões que motivaram “a nossa posição contra”, esclareceu a deputado do PS.

A CDU é antidemocrática

Hugo Cruz, PSD, em declaração de voto, referiu que com a sua recomendação a CDU “prefere isolar-se” em vez de “celebrar a democracia”.
“A vossa génese não é democrática, continuam a pensar que têm o exclusivo de Abril. O 25 de Abril não é um exclusivo vosso” – afirmou.
“A CDU é antidemocrática” – referiu o deputado social democrata.

No Barreiro o PCP assaltou a sede do MRPP

Carlos Salgueiro, PCPT/MRPP, que votou favoravelmente a moção da CDU, recordou que a luta politica “é classe contra classe, são classes em luta”, sublinhando que o seu partido foi “proibido” após o 25 de Abril.
O deputado do PCPT/MRPP lançou o apelo para que o 25 de Abril fosse celebrado naquilo que “nos une enquanto portugueses” que “é mais que as diferenças partidárias”.
Referiu que, no Barreiro, o PCP “assaltou a sede do MRPP”, mas, agora diz-se “democrata”.

25 de Abril não é dos órgãos do Poder Local

No decorrer dos trabalhos da Assembleia Municipal, sobre este tema das moções do 25 de Abril, José Paleta, CDU, expressou a discordância da recomendação apresentada pelo PSD, afirmando que “o 25 de Abril não é dos órgãos do Poder Local, é do nosso povo”.
Referiu que com esta recomendação o PSD demonstra que está – “desconfiado da pluralidade da Câmara”, acrescentando que – “o PSD não tem grandes motivos”.

Fechada, sectária que não nos une

Isidro Heitor, PS, considerou que a saudação da CDU é “fechada, sectária que não nos une”.
Referiu que o PCP “partido minoritário no país” defende as “práticas totalitárias na Coreia do Norte”.
O deputado socialista considerou que com a saudação que apresentou a CDU – “não valoriza os valores de Abril, está contra”.

O 25 de Abril não é neutro

José Paleta, CDU, numa outra intervenção disse- “pedimos desculpa por apresentar a moção” relativa ao 25 de Abril.
Sublinhou que o 25 de Abril tem “valores”, foi feito “contra as forças da opressão”.
“O 25 de Abril não é neutro” – sublinhou o deputado do PCP, referindo que devem ser combatidas – “as tentativas de alterar a história”.

Eu tinha seis anos, será que eu era fascista

Vitor Nunes, PSD, interrogou José Paleta: “No 25 de Abril, eu tinha seis anos, será que eu era fascista?”
José Paleta, em resposta sublinhou que – “em todos os partidos há democratas”, perguntando: “O fascismo existiu, ou não? O regime existiu, ou não?”.
Salientou que com a saudação a CDU pretende defender “os valores de Abril” que, disse – “estão a ser espezinhados”.

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