Defendido no lançamento de livro sobre engenharia na EST BarreiroNo Século XV portugueses anteciparam conceito «engenharia heterogénea»
Pedro Lourtie, ex-Secretário de Estado Ensino Superior, sublinhou que a sabedoria desta obra está no seu contributo para se poder “olhar a profissão de forma mais abrangente” no todo que “é engenheiro”, que não é “meramente técnico”.

Por Jornal Rostos
No centro documental da Escola Superior de Tecnologia do Barreiro, realizou-se o lançamento do livro “Engineering Practice in a Global Context”, da autoria do Professor Bill Williams, docente na Escola Superior de Tecnologia do Barreiro do Instituto Politécnico de Setúbal (ESTBarreiro/IPS), do Prof. Doutor José Figueiredo, docente no Instituto Superior Técnico, Universidade Técnica de Lisboa e do Prof. Doutor James Trevelyan, docente na University of Western Australia.
João Vinagre, abriu a sessão expressando a satisfação de ser apresentada a obra no contexto dos projectos do Instituto Politécnico de Setúbal, divulgou as biografias dos autores, sublinhando as suas carreiras académicas e os vastos trabalhos de investigação cientifica.
Olhar a profissão de forma mais abrangente
Pedro Lourtie, ex-Secretário de Estado Ensino Superior, apresentou a obra, realçando que as mesma contribui para uma abordagem das “diferentes práticas de engenharia na sua dimensão social”, sendo “um contributo para a compreensão da profissão de engenheiro” e a sua “interacção com o ambiente”.
Sugeriu a leitura dos dois primeiros textos da obra que permitem ficar com “um enquadramento histórico” e uma visão da “engenharia ao longo dos tempos”.
A sabedoria desta obra está no seu contributo para se poder “olhar a profissão de forma mais abrangente” no todo que “é engenheiro”, que não é “meramente técnico”.
“Encontrar uma latitude para a definição da profissão de engenheiro e engenharia, nisto reside a sabedoria do livro” – sublinhou.
“A engenharia é mais que aquilo que os engenheiros fazem” – referiu Pedro Lourtie, acrescentando – “nem tudo o que os engenheiros fazem é engenharia”.
Sublinhou que “a história e a conceptualização” encontram-se nos dois primeiros textos, os outros textos são relacionados com a profissão e o exercício da profissão.
Existe uma forma diferente de olhar
Pedro Lourtie, referiu a importância da “imagem do engenheiro” na sociedade – “o engenheiro-engenheiro”, o “engenheiro-politico”, perspectivando a necessidade de existir um conhecimento sobre o “que fazem os engenheiros na sociedade e o seu tipo de intervenção”.
Referiu que na sua experiência de vida, afastado do exercicio directo da profissão de engenheiro, a sua formação de engenharia proporcionou-lhe – “formas de pensar”, “esquemas conceptuais” quer permitiram “relacionar” com outras profissões com “outros olhos”, porque “existe uma forma diferente de olhar”.
Coisa que todos sabem é engenharia
Bill Williams, um dos autores da obra “Engineering Practice in a Global Context”, sublinhou que o livro procura encontrar respostas à pergunta: “Que é ser engenheiro?”
Recordou que um dia perguntaram a 52 filósofos: “O que é filosofia”, e existiram 52 respostas diferentes – “coisa complexa os filósofos”, disse, enquanto, sublinhou – “coisa que todos sabem é engenharia”.
Recordou que a ideia conceptual de engenheiro é que “resolve problemas” e “faz projectos”.
Trabalho do engenheiro é bastante complexo
Bill Williams, recodou que com base numa sondagem efectuada em Portugal e Espanha, foi registado que as empresas mais “inovadoras a nível mundial” eram a Brisa, Renova e YDreams.
Numa abordagem ao universo dos engenheiros da YDreams, conclui-se que 42% da sua actividade semanal é exercida ao nível de acção individual, sendo os 58% desenvolvidos em interacçao com outras pessoas.
“Mais de 50% do trabalho de engenheiro implica inter-agir com outras pessoas”, nomeadamente em coordenação de pessoas, sublinhou Bill Williams .
“O trabalho do engenheiro é bastante complexo, age todos os dias com diversos actores” – salientou.
Portugueses foram pioneiros
Bill Williams, sublinhou que a história de Portugal deu sustentabilidade à investigação que foi realizada e que resultou na obra “Engineering Practice in a Global Context”.
Referiu que os portugueses foram pioneiros, de acordo com Jonh Law, num estudo sobre a história mundial da tecnologia, quem primeiro contribuiu para a definição do conceito “engenharia heterogénea”.
No Século XV, os portugueses, através da Casa da India, foram portadores da “tecnologia mais avançada” para a época, que tinha por base o saber interagir com diferentes actores, sublinhou Bill Williams.
Conceito “engenharia heterogénea
José Figueiredo, outro dos autores, salientou que o conceito “engenharia heterogénea” tem muito de “interessante e inovador”.
“Um actor é tudo o que age” – referiu, acrescentando que – “os actores são heterogéneos” e “constroem redes heterogéneas”.
Recordou que no âmbito do projecto um dos objectivos era fazer um livro cientifico, tendo sido desenvolvida uma rede de investigadores que deu origem ao livro, numa acção toda ela desenvolvida em rede – “e grande rigor”.
Imagem mais clara do exercício da engenharia
O livro “Engineering Practice in a Global Context”, pretende desmistificar a atividade prática, o quotidiano e os momentos que compõem a atuação do engenheiro no seu local de trabalho, fornecendo uma imagem mais clara do exercício da engenharia.
O trabalho é sustentado por estudos, que abordam a relação entre a prática dos profissionais de engenharia e o conhecimento, competências e contextos interdisciplinares e de identidade, incluindo, ainda, dados relativos à prática da engenharia na Austrália, Irlanda, Portugal, sul da Ásia, Suíça, Reino Unido e EUA.
Tecnologia marítima dos navegadores portugueses
Ao pesquisarem sobre uma forma eficaz para representar os processos identificados no estudo dos engenheiros em Portugal, os autores encontraram um modelo, do sociólogo inglês John Law, acerca do sucesso da tecnologia marítima dos navegadores portugueses do século XV. A utilização de forma análoga da representação deste modelo conferiu sentido aos dados do estudo, o que revela o importante contributo da inovação, tecnologia e dos conhecimentos dos navegadores portugueses na atuação dos atuais engenheiros.
De referir que estudo, publicado agora em livro, já foi apresentado em países como a Austrália, Malásia, Irlanda e EUA, pelo Professor Bill Williams, da Escola Superior de Tecnologia do Barreiro.













