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Perspectivas

Barreiro - Paulo Moreira no Seminário da Frater«As taxas de reinternamento são assustadoras e até vergonhosas»

. Nível do «Diagnóstico» do Ciclo de Saúde está dominado pelos privados

A Associação Clínica Frater, no âmbito das comemorações dos seus dez anos de actividade, promoveu, hoje à tarde, no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro um seminário tendo com o tema: “Sociedade Civil e a Crise”.

“O Serviço Nacional de Saúde nos últimos 30 anos não foi eficaz no garantir dinâmicas de prevenção” – referiu Paulo Moreira, prelector convidado pela Frater.

“Em média, em Portugal, morrem mais de 11 mil pessoas, por ano, vitimas de infecção no Serviço Nacional de Saúde” – sublinhou.

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Barreiro - Paulo Moreira no Seminário da Frater «As taxas de reinternamento são assustadoras e até vergonhosas»

Por Jornal Rostos

Paulo Moreira, Professor Doutor (Diretor da International Journal of Healthcare Management, Londres), na sua intervenção considerou essencial “o reforço do acesso aos cuidados do Serviço Nacional de Saúde”.
Numa abordagem sobre a gestão dos serviços de saúde ao nível internacional, centrou a sua intervenção em torno da compreensão dos processos organizacionais e do ciclo dos cuidados de saúde.

Situação da Saúde ao nível da prevenção é preocupante

Ciclo de a saúde não começa, nem acaba no Hospital

Paulo Moreira, sublinhou que o ciclo de a saúde – “não começa, nem acaba no Hospital”, referindo que no ciclo “não há principio, nem fim”.
Na sua opinião, o ciclo de cuidados de saúde – “deve ter a sua génese na prevenção”, devia ser “na prevenção o início da relação com os cidadãos”.
“Há poucos serviços para esta função” – salientou, acrescentando que “no contexto nacional” a situação “é preocupante”.
“O Serviço Nacional de Saúde nos últimos 30 anos não foi eficaz no garantir dinâmicas de prevenção” – referiu Paulo Moreira.

Habitualmente exigimos Hospitais

“A sociedade civil devia exigir mais serviços de prevenção, mais recursos ao serviço da prevenção”- salientou Paulo Moreira.
Na sua opinião a sociedade civil – “raramente atribui importância a esta função”, quando “devia exigir” que esta função de “prevenção” ao nível da saúde fosse mais “eficaz”.
Neste contexto salientou a importância de existir – “maior literacia em saúde”, até “do ponto de vista sistémico”.
“A nossa literacia é deficitária em serviços de saúde” – sublinhou, acrescentando que existe – “ausência total de serviços de prevenção”.
“Habitualmente exigimos Hospitais” – referiu.
“A sociedade Civil não está a contribuir para o equilíbrio dos serviços de saúde”- disse Paulo Moreira.

Nível do «Diagnóstico» está dominado pelos privados

Paulo Moreira, na sua abordagem ao ciclo de saúde, referiu que, partindo do primeiro patamar que devia ser a “prevenção” , o segundo patamar situa-se ao nível do «Diagnóstico», que, referiu é “dominado pelo sector privado”, com base em «Convenções».
“O Governo tomou medidas had-hoc e gerou o caos” - sublinhou.
A situação criada ao nível do «Diagnóstico» está marcada pelo, disse, “aumento dos tempos de espera”.

Consultas vão funcionando

Segundo Paulo Moreira, no terceiro patamar do ciclo, o nível de «Aconselhamento» - as Consultas -, este, salientou - “vai funcionando”.

Tratamento de qualidade excelente

O nível seguinte «Tratamento», Paulo Moreira, referiu que temos em Portugal – “Unidades excelentes” que prestam aos utentes cuidados de saúde de “grande qualidade”.
Estes serviços, referiu, contam com recursos humanos de qualidade e de serviços tecnologicamente bem equipados.

Taxas de reinternamento são assustadoras

Paulo Moreira, na sua abordagem do ciclo de saúde, considerou como patamar seguinte os «Serviços de Monitorização», onde referiu existem “dificuldades” e que “há um deficit enorme no pós-agudo” e “no pós- tratamento”.
“As taxas de reinternamento são assustadoras e até vergonhosas” – referiu.
Na sua opinião as estatísticas existentes estão “deturpadas”.
“Este é um sintoma preocupante” – disse.
“A sociedade civil devia exigir transparência” – defendeu.
Paulo Moreira, salientou que para existir uma análise do sistema de saúde existem dois números que são fundamentais conhecer- as taxas de reintegração e as taxas de infecção.
“Em média, em Portugal, morrem mais de 11 mil pessoas, por ano, vitimas de infecção, no Serviço Nacional de Saúde” – sublinhou.
“Este é um dado assustador” –disse.

Dados vergonhosos em relação ao AVC

Paulo Moreira, considerou como último patamar do ciclo de saúde – a «Reabilitação».
Referiu a reabilitação ao nível do AVC, que é a situação que em Portugal –“dá mais nas vistas”, pois existem “dados vergonhosos em relação ao AVC ” e onde “há falhas muito graves”.
“Estar três meses à espera para entrar num sistema de reabilitação, é chocante e revoltante” – salientou, acrescentando, isto acontece – “mas não resulta da falta de recursos”.
A Monitorização e a Reabilitação, no caso português, têm que ser repensados.

Repensar o modelo do Serviço Nacional de Saúde

Paulo Moreira, defendeu que o Serviço Nacional de Saúde em, Portugal “tem que ser repensado”, acrescentando – “este é o momento em Portugal para repensar o modelo do Serviço Nacional de Saúde”.
Referiu que o sistema de saúde em Portugal – “é sempre pensado a partir dos Hospitais e da despesa”, ao nível da economia da saúde.
Defendeu que é necessário ao repensar o Serviço Nacional de Saúde “introduzir alternativas de análise a partir do cidadão”.
Recordou que já lá vão muitos anos que se fala, em Portugal, no “cidadão como centro do sistema de saúde” ao nível do “discurso politico e em anos de eleições ”.
“O sistema não garante respostas, temos que repensar o sistema” – disse.

Não estamos num país do 3º mundo

Paulo Moreira, referiu que “não estamos num país do 3º mundo”.
Na sua opinião temos um sistema “mal organizado”.
“A sociedade civil devia exigir do Serviço Nacional de Saúde outras respostas” – referiu Paulo Moreira, apontando como prioridades uma aposta na melhoria dos serviços ao nível dos Serviços de Prevenção e nos Serviços de Reabilitação.

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