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Perspectivas

Barreiro - Álvaro Beleza no Seminário da Frater«Todos os Serviços públicos deviam ter indicadores de qualidade»

. “A taxa moderadora hoje é co-financiamento”

A Associação Clínica Frater, ontem à tarde, no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, promoveu um seminário tendo como tema – “Sociedade Civil e a Crise”.

Na opinião de Álvaro Beleza, prelector convidado, “não são os políticos” que vão dar garantias de ter um Serviço Nacional de Saúde, porque eles nas eleições “tudo prometem”.
“Têm que ser os cidadãos a perceber que Portugal é deles” – salientou.

“É preciso ter coragem, enfrentar os grupos de interesse que se servem do sistema, empresas sentadas no Orçamento do Estado” – disse Álvaro Beleza.

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Barreiro - Álvaro Beleza no Seminário da Frater «Todos os Serviços públicos deviam ter indicadores de qualidade»

Por Jornal Rostos

Álvaro Beleza, Médico - Presidente do Conselho Nacional de Auditoria e Qualidade da Ordem dos Médicos, um dos prelectores convidados, referiu que – “em Portugal temos um problema grave, não temos sociedade civil”, acrescentando que “os cidadãos não mandam nada”.
Na sua opinião temos “um país corporativo” e “um sistema de eleição fechado”.
“O 25 de Abril devemos aos militares” – disse.
“Sou céptico em relação à sociedade civil” – afirmou, sublinhando que – “somos muito dóceis com o poder”.

Sistema de convenções privado concorre com o público

Quanto ao Serviço Nacional de Saúde, criado por Arnaut, referiu que - 65% é público e 35% é privado - num “emaranhado de convenções” cujo objectivo é o “lucro”.
“O Sistema de convenções privado concorre com o público” – sublinhou Álvaro Beleza.
“É um escândalo, devia ser um caso de policia” – referiu.

Devia ter havido cortes não na área da saúde

Álvaro Beleza, salientou que Portugal gasta 4.2 do PIB com o Serviço Nacional de Saúde, um valor, disse, “abaixo da média europeia”.
Referiu que com a vinda da troika – “cortámos na saúde”, embora, referiu, “não sendo o país que gasta mais”.
“Devia ter havido cortes não na área da saúde” – disse.
Recordando referências de Paulo Moreira, sobre o modelo do sistema de saúde, sublinhou que em Portugal - “o sistema de saúde só funciona no meio, no principio e no fim não funciona”. Ou seja, na funciona ao nível da prevenção, nem ao nível da monitorização e reabilitação.
“Em Espanha não há o Espirito Santo da Saúde, nem os Mello da Saúde” – referiu.
Na sua opinião, Portugal tem dois sistemas de saúde, o público e o privado, sendo a ADSE que alimenta os serviços do privado.

Taxa moderadora hoje é co-financiamento

Álvaro Beleza, salientou que a crise em Portugal podia ter contribuído para se fazer melhor na área da saúde e diminuir os gastos.
“Não diminuiu nos medicamentos hospitalares, não se fizeram melhoras organizativas ao nível do Hospital” – salientou.
Defendeu que podiam existir “taxas moderadoras inteligentes” de forma a não ser afectados os utentes que utilizassem o Serviço Nacional de Saúde ao nível da prevenção – “é tudo cego, há taxas moderadoras escandalosas”.
“A taxa moderadora hoje é co-financiamento” –referiu.

Serviços públicos deviam ter indicadores de qualidade

Álvaro Beleza, recordou que se verificou um aumento das lista de espera “de forma perversa”, que foram efectuados “cortes cegos nos profissionais, que fogem para os privados”.
Na sua intervenção defendeu maior intervenção dos cidadãos na avaliação do Serviço Nacional de Saúde, que deviam exigir “mais informação”.
“Todos os serviços públicos deviam ter indicadores de qualidade que exprimissem os índices de satisfação”” – sublinhou.
“Dar opinião, ajuda a melhorar” – referiu.

Um país muito monárquico e muito aristocrático

“Temos um sistema demasiado Hospital, demasiado médico” – sublinhou Álvaro Beleza .
Na sua opinião “não são os políticos” qua vão dar garantias de ter um Serviço Nacional de Saúde, porque estes nas eleições “tudo prometem”.
“Têm que ser os cidadãos a perceber que Portugal é deles” – salientou.
Recordou que em Portugal temos um Serviço Nacional de Saúde com “falhas em muitas áreas”, mas não é “o aumento de verbas” que faz “melhor Serviço Nacional de Saúde”.
“É preciso ter coragem, enfrentar os grupos de interesse que se servem do sistema, empresas sentadas no Orçamento do Estado” – disse.
“Temos um país muito monárquico e muito aristocrático” – referiu.

Dar informação para que as pessoas possam decidir

“Temos uma Escola de Saúde Pública de gente que sabe” – disse Álvaro Beleza.
“Os políticos não têm desculpa, para por o Serviço Nacional de Saúde a servir os cidadãos” – disse.
“Temos que dar um salto 40 anos após o 25 de Abril. Os portugueses são donos de Portugal” – sublinhou, apelando a mais “partilha de informação”, “mais acesso a informação”, que deve estar afixada nos serviços públicos.
“Dar informação para que as pessoas possam decidir” – referiu Álvaro Beleza.

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