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Perspectivas

Barreiro – Tertúlias Augusto Cabrita«Saborear a História»

Foi com esta proposta que, na passada sexta-feira, os participantes de mais uma tertúlia na Escola Augusto Cabrita – Barreiro – viajaram pelo mundo da Gastronomia.

Em todas as grandes civilizações conviveram em paralelo uma cozinha mais erudita, destinada a servir os apetites dos «senhores feudais» e uma cozinha popular destinada a alimentar as classes mais pobres.

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Barreiro – Tertúlias Augusto Cabrita «Saborear a História»

Por Jornal Rostos

Foi com esta proposta que, na passada sexta-feira, os participantes de mais uma tertúlia na Escola Augusto Cabrita – Barreiro – viajaram pelo mundo da Gastronomia.

“A civilização desenvolveu-se à volta da mesa”

“O Homem precisa de se alimentar. Contudo apercebeu-se, desde a pré-história, de que se pudesse dominar o fogo, podia saborear melhor os alimentos.” começou por referir José Bento dos Santos, acrescentando “cozinhar tornou-se assim a primeira forma de arte e o que começou por distinguir o ser humano dos outros animais.
Através da cozinha o Homem começa a preparar-se para a grande aventura da civilização e por isso pode-se dizer que a civilização desenvolveu-se à volta da mesa”.

Saborear a História

Foi de uma forma brilhantemente original que o convidado desta tertúlia: Engº, José Bento dos Santos conduziu, os presentes, por uma viagem de saberes e de sabores ao longo da História das grandes civilizações até ao tempo presente.
Esta «degustação histórica», teve inicio os queijo tal como os Gregos os faziam – queijo de cabra com azeite e mel - , avançando pelo rigor da receita do molho utilizado na idade média para acompanhar a carne – obtido do assado, engrossado com pão e temperado com vinagre -, passando pela mousse renascentista de funcho e salmão, até ao molho a que poderíamos chamar de «osmazónico» inspirado na «cozinha alquimista».
Com a influência dos grandes «mestres» da cozinha a recuperar os princípios de nouvelle cuisine, foram apresentadas iguarias como um molho de lagosta com natas e maionese de baunilha, uma espuma de foi gras, ou um aroma de trufa com molho. Por fim e em jeito de sobremesa foi servido um chocolate com a receita original dos Incas, os primeiros a produzir este produto tão apreciado ainda hoje.

Cozinha popular e cozinha erudita

Em todas as grandes civilizações conviveram em paralelo uma cozinha mais erudita, destinada a servir os apetites dos «senhores feudais» e uma cozinha popular destinada a alimentar as classes mais pobres.
Se por um lado foi a cozinha baseada em princípios científicos – e em determinados períodos, metafísicos – que elevaram a culinária a uma arte ao mais alto nível, foi a cozinha mais rudimentar que alimentou grandiosos exércitos que mudaram o curso da história.
De qualquer forma, seja pelos escritos da cozinha erudita ou pela transmissão das receitas populares de geração em geração, as técnicas e os princípios destas duas formas de sabedoria foram sendo perpetuadas.
Contudo chegados ao século xxi, tendo em conta os novos hábitos alimentares, podemos estar, de acordo com José Bento dos Santos «estamos possivelmente prestes a assistir a uma ruptura com aquilo que tem sido a evolução da culinária e possivelmente com o avanço civilizacional».

Rui Nobre

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