Jogos Juvenis do Barreiro 50 anos Sessão de abertura«Tenho medo que nos limitemos a olhar o passado»
sublinhou Carlos Humberto, presidente da CMB
Pedro Canário, recordou Augusto Valegas, que definiu como “idealista consequente, a quem o Barreiro muito ficou a dever”.

Por Jornal Rostos
Hoje à tarde, na SDUB «Os Franceses», realizou-se a sessão de abertura das comemorações dos 50 anos dos Jogos Juvenis do Barreiro. Uma sala que reuniu dirigentes associativos, técnicos de desporto, autarcas e diversas personalidades da vida local. De referir a presença dos familiares de Augusto Valegas.
Ética, convívio e partilha
Luis Vitório, presidente da Direcção da SDUB «Os Franceses», que participou nos JJB, na equipa «Águias Futebol Clube», da Rua Miguel Pais, recordou a importância dos JJB na formação da juventude barreirense deu-nos “ética”, “convívio” e “partilha”.
Recordou Augusto Valegas, que com apoio de colectividades e dando corpo “aos campeonatos inter-ruas” promoveu os Jogos Juvenis que envolveram milhares de jovens.
Um somatório de vontades
Romão Antunes, da Associação de Profissionais de Educação Física- APEF - Foz do Tejo, salientou o prazer de “trabalhar neste projecto”, dinamizado pela Cooperativa Cultural Popular Barreirense com o apoio da Câmara Municipal do Barreiro, envolvendo “cerca de 70 parceiros” no que definiu como “projecto em rede” e um “somatório de vontades”.
Referiu que este projecto tem que ser a “homenagem merecida aos Jogos Juvenis do Barreiro”, um evento que teve como protagonista Augusto Valegas – “um teimoso, perseverante e tenaz” que “envolveu gerações”, num tempo que era, disse, “uma fase complexa do país”.
Muitos dirigentes foram atletas
Daniel Ventura, da Associação de Colectividades do Barreiro, salientou que os Jogos Juvenis do Barreiro – “dizem muito à população do Barreiro”.
Referiu que nos dias de hoje ainda há “muitos dirigentes que foram atletas”.
“Estamos com este projecto” – sublinhou por aquilo que ele representa para a “memória colectiva” e temos que “continuar esta memória” e “lembrar os velhos tempos”.
Repositório de memórias positivas
Pedro Canário, Presidente da Direcção da Cooperativa Cultural Popular Barreirense, referiu que “os Jogos Juvenis do Barreiro constituíram um acontecimento impar da nossa vida colectiva”, marcado pela “originalidade”, por ser “subversivo”, “eticamente formativo”, “metodologicamente revolucionário” que contaram com a “participação da população”.
Sublinhou que os jogos tiveram – “a juventude como protagonista” e “agente de construção”.
“Os Jogos continuam presentes no nosso repositório de memórias positivas” – disse.
Recordou Augusto Valegas, que definiu como “idealista consequente, a quem o Barreiro muito ficou a dever”.
Pedro Canário salientou que comemorar os 50 anos dos Jogos Juvenis do Barreiro deve significar lançar – “sementes de novos projectos”.
Abertura muito grande ao espirito da época
Ana Porfirio, presidente da União de Freguesias do Barreiro e Lavradio, em representação das freguesias do concelho do Barreiro, afirmou que os Jogos Juvenis do Barreiro foi um movimento que marcou – “por ser contra as regras do poder constituído”.
Sublinhou que os jogos tinham – Uma abertura muito grande ao espirito da época”.
Recordou Augusto Valegas, como um homem que “lutou por aquilo que acreditou” e dedicou-se aos JJB com “amor à camisola”.
Cultura do associativismo
Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, agradeceu a todos que se envolveram no projecto de comemorações dos 50 anos dos Jogos Juvenis do Barreiro, os quais definiu como – “uma coisa épica”.
O autarca sublinhou que a realização dos Jogos Juvenis do Barreiro, não podem ser desligados do “contexto social da época” e da “terra onde se realizaram, um concelho operário, marcado pela repressão”.
“Os Jogos Juvenis do Barreiro foram percursores do 25 de Abril. Os putos tomaram conta dos campos, alguns pela primeira vez tiveram acesso a uma bola” – disse.
O presidente da Câmara Municipal do Barreiro recordou que foi atleta e treinador da equipa Casalense Futebol Clube, que participou nos JJB.
Referiu que foram milhares de jovens que participaram nos JJB, a “fazer desporto” e “aprender a organizar”, criando-se a “cultura do associativismo”.
Olhar para trás, em vez de olhar para a frente
Carlos Humberto, salientou a importância do passado colectivo que é “honroso”, que “temos permanentemente de valorizar”.
Por outro lado expressou a sua preocupação de se – “olhar para trás, em vez de olhar para a frente”.
“Tenho medo que nos limitemos a olhar o passado” – sublinhou o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, apontando a necessidade de se projectar o futuro com base nas lições do passado.













