Santana Lopes na assinatura de parceria no Barreiro«Um pecado sem perdão» que existam equipamentos que «não possam ver a luz do dia»
O Provedor da Misericórdia de Lisboa, hoje np Barreiro, sublinhou que “O Estado Social não vai ser no futuro o que era antes”, e vai deixar de ser um “Estado Social” para se transformar num “Estado Solidário”.
Santana Lopes, está convicto que o acordo assinado significa “um virar de página” da relação entre a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e a União das Misericórdias Portuguesas.

Por Jornal Rostos
Na Santa Casa da Misericórdia do Barreiro, hoje pela manhã, foi assinado entre o Provedor da Misericórdia de Lisboa, Pedro Santana Lopes, e o Presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel de Lemos, uma uma parceria inédita nos 516 anos de história da SCML, numa sessão que contou com a presença do Ministro do Solidariedade, Emprego e da Segurança Social, Pedro Mota Soares.
O Fundo vai ajudar Misericórdias endividadas devido aos atrasos na abertura e na construção das unidades de Cuidados Continuados, entre elas a Santa Casa da Misericórdia do Barreiro.
Estamos a saltar por cima de muros muito altos
Pedro Santana Lopes, sublinhou que “não foi fácil a formalização” desta parceria, nem no “tempo”, nem no “conteúdo” de forma a ser garantida a “procura de certeza de como realizar as acções correctas” de forma a garantir que “este é o passo correcto”, que contribui para superar a contradição que existe entre “convicção” e “circunstância”.
“Estamos a saltar por cima de muros muito altos” referiu, recordando as condições existentes no “tempo que vivemos”.
Referiu que no Orçamento de 2014 da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, existe a dotação orçamental, no programa «Mãos Dadas», destinado a este programa.
No diálogo com os jornalistas esclareceu que a verba inicial ronda os 5 milhões de euros e que a mesma poderá ser alterada de acordo com a análise das situações.
Não é um novo maná
Santana Lopes, salientou que este é “um pontapé de saída para os vários processos envolventes nas politicas sociais”, mas que “não é um novo maná”.
Alertou para a necessidade de ser efectuada uma “gestão dos recursos” tendo em conta “as responsabilidades dos paceiros”.
Recordou que das verbas dos jogos Sociais, actualmente a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa entrega ao estado 70% das receitas, das quais cerca de 43 milhões de euros são aplicados na área dos Cuidados Continuados.
Construir um novo modelo de relacionamento
O Provedor da Misericórdia de Lisboa, sublinhou que “O Estado Social não vai ser no futuro o que era antes”, e vai deixar de ser um “Estado Social” para se transformar num “Estado Solidário”.
Santana Lopes, está convicto que o acordo, hoje assinado, significa “um virar de página” da relação entre a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e a União das Misericórdias Portuguesas.
Por outro lado, alertou para a necessidade do Estado – “olhar para as Misericórdias e IPSS’s com vontade de construir um novo modelo de relacionamento”.
Afirmou que é necessário dizer ao Estado – não a este Governo ou outro mas ao Estado – “que não podemos continuar a agir como se este novo desafio não estivesse perante nós”.
Referiu a necessidade de novas “formas de trabalho” e “sensibilidade” perante as “necessidades da sociedade”.
Apontou a importância de existir uma “nova responsabilidade” no “estatuto das instituições” de forma a “chamar de novo à liça as Misericórdias a desempenhar” um novo papel.
Recordou que foram entregues às Misericórdias Hospitais de “paredes vazias”.
Um pecado sem perdão
Na sua intervenção, sublinhou que – “a sociedade portuguesa ainda não sentiu a pressão da nova realidade”, dando o exemplo das listas de espera ao nível de cuidados Continuados e Cuidados Paliativo”.
“Há Unidades à espera” – sublinhou, e considerou “Um pecado sem perdão” que esses equipamentos – “não possam ver a luz do dia”.
Interrogado pelo jornal «Rostos» sobre quem são os pecadores respondeu que “não pretende encontrar culpados” e que o importante é tomar medidas para resolver as situações, com mudanças da “maneira de trabalhar”.
Santana Lopes, salientou que estamos perante “um tempo novo” e que é preciso “trabalhar de maneira responsável” e que “todos os parceiros cumpram as suas responsabilidades”.
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