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Perspectivas

Moita - Mariana Mortágua do Bloco de Esquerda em Alhos Vedros«O Parlamento Europeu tem poder mínimo ao nível europeu»

. O euro é um mecanismo de exploração

A União Europeia limitou-se a criar “propostas de austeridade”, “culpou os trabalhadores” e “não controlou a especulação financeira”, salientou Mariana Mortágua, ontem à noite, em Alhos Vedros, numa Conferência sobre a Europa, promovida pelo Bloco de Esquerda.

Mariana Aiveca, alertou para a importância de todos votarem – “é preciso contrariar avisão do voto em branco”, e referiu que – “a abstenção só favorece os vosso inimigos, eles não deixam de votar”.

António Chora, defendeu uma europa onde – “ houvesse um salário mínimo europeu e direitos laborais iguais”.

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Moita - Mariana Mortágua do Bloco de Esquerda em Alhos Vedros «O Parlamento Europeu tem poder mínimo ao nível europeu»

Por Jornal Rostos

Na Associação de Reformados de Alhos Vedros, ontem à noite, realizou-se um debate, tendo como tema : “Que Europa queremos? De pé para uma alternativa”, uma iniciativa do Bloco de Esquerda, no âmbito da Campanha para as Eleições Europeias, que contou com a participação de Mariana Aiveca, Mariana Mortágua, António Chora e Cláudio Torres.

Aumentar competição aos trabalhadores

Mariana Mortágua, defendeu que é “mais acertado” ver a União Europeia como “uma estratégia do capital para aumentar a exploração” em vez da fundamentação que afirma que a criação da União Europeia visou “garantir a paz na Europa”.
Sublinhou que a abertura de fronteiras gerou competição internacional, criando condições para “aumentar competição aos trabalhadores”, ao mesmo tempo que vai “retirando direitos aos trabalhadores”.

Parlamento Europeu tem poder mínimo ao nível

“A livre circulação de capital é uma forma de chantagear os estados” – sublinhou Mariana Mortágua, porque esta situação aumenta a “pressão sobre os estados”.
Na sua opinião a União Europeia – “leva estes mecanismos ao extremo”, porque faz um – “caminho de construção da União Europeia longe da democracia, perto do capital financeiro”-
“O Parlamento Europeu tem poder mínimo ao nível europeu” –referiu.

O euro é um mecanismo de exploração

Na União Europeia – “o euro é um mecanismo de exploração”, devido ao “capitalismo financeiro e ao neoliberalismo”, que marca a realidade do mundo.
No entanto, Mariana Mortágua, alertou para a importância de serem analisadas as propostas de saída do euro – “têm que ser pensadas três vezes”.
Recordou que – “Portugal nunca teve um problema de divida pública, antes da crise financeira”.
O que aconteceu é que “houve uma crise especulativa a juntar a uma economia frágil”.
A União Europeia limitou-se a criar “propostas de austeridade”, “culpou os trabalhadores” e “não controlou a especulação financeira”.

Divida é uma consequência da crise

“A divida é uma consequência da crise, não é a crise” – afirmou, acrescentando que – “a divida pública que não era um problema é agora um problema”.
Recordou que o “Tratado Orçamental”, assinado pelo PSD; CDS e PS, vai manter-nos no “mesmo caminho” e “as regras são mais graves”.
“Nós não vamos cumprir e vamos ter cá a União Europeia a vigiar-nos” – sublinhou.
“O PS, PSD e CDS sabem isto e continuam a sacrificar os interesses do país” – referiu.

Estão a recuperar aquilo que perderam

Cláudio Torres, recordou que o 25 de Abril retirou o poder aos que tinham condições para “fazer negócios”, mas, disse “eles agora estão a recuperar aquilo que perderam”.
“É o que está a acontecer nos negócios, eles não largam o osso” – sublinhou.
Referiu a destruição efectuada no sector das pescas, quer no mundo rural – “destruíram as economias de sobrevivência que caracterizava os países do sul”.
“Matam a pequena agricultura para dar força aos grandes proprietários” – referiu.

Estamos a perder a nossa cultura

Cláudio Torres, salientou que – “estamos a perder a nossa cultura, o nosso saber milenar” que “está a ser comido por um pseudo desenvolvimento”.
Dando o exemplo do trabalho que está sendo desenvolvido no concelho de Mértola, referiu que – “a cultura pode criar desenvolvimento”.
“O futuro daquela terra passa por um fenómeno cultural” – disse.
“Criar desenvolvimento através do fenómeno cultural, recriar saberes, pode criar futuro”- sublinhou.

Europa está num caminho estranho

Cláudio Torres, defendeu que devemos – “olhar de uma forma diferente para a Europa”, porque, neste momento – “a Europa está num caminho estranho, não é a Europa que queremos”.
“Temos que encontrar solidariedade no sul” – disse, acrescentando que – “o Mediterrâneo é um espaço cultural que espera por nós”.
“Temos que fazer em conjunto com o Mediterrâneo” – referiu

Um salário mínimo europeu

António Chora, afirmou que – “a Europa que queremos não é esta Europa”, acrescentando que a Europa que os trabalhadores desejam é – “aquela onde houvesse um salário mínimo europeu e direitos laborais iguais”.
Recordou que quando se fala dos “mercados” como algo que tem sentimentos humanos – “está nervos”, “está instável”, são formas de “preparar ataques às conquistas dos trabalhadores” que, disse, “foram conseguidas ao longo de 60 anos de Estado Social na Europa, após a II Guerra Mundial”.
António Chora, salientou que após a queda do muro de Berlim, “o capitalismo acordou”.
Recordou que a “outra europa” do “socialismo”, obrigou a Europa a criar o Estado Social, o Serviço Nacional de Saúde, as pensões para os trabalhadores.
“Agora estão a fazer pagar, agora querem tirar tudo” – sublinhou.

Desobedecendo às politicas de austeridade

António Chora, referiu que, nos dias de hoje, quando se fala em “discutir de novo” o que se pretende – “é dar todos os direitos ao capital” e “colocar os trabalhadores a ganhar o mínimo possível” ao mesmo tempo que atacam a legislação laboral e aprovam o despedimento individual.
Salientou que com a «lei dos despedimentos” com base na “avaliação de desempenho” o que se pretende é – “despedir os pais que estão com contratos razoáveis, para empregar os filhos com baixos salários”.
Nesse sentido lançou o apelo à “desobediência” no próximo dia 25 de Maio, apelando a que seja exercido direito de voto – “desobedecendo às politicas de austeridade” e afirmando que – “estamos todos de pé para defender a democracia”.

Abstenção só favorece os vossos inimigos

Antes de se iniciar um período de debate, Mariana Aiveca, referiu que “Belmiro Azevedo vai votar e os que nos exploram vão votar”.
Neste contexto, alertou para a importância de todos votarem – “é preciso contrariar a visão do voto em branco”, e referiu que – “a abstenção só favorece os vossos inimigos, eles não deixam de votar”.

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