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Perspectivas

Barreiro - Tertúlia Augusto Cabrita debateu crise económica.«O futuro será totalmente diferente do que conhecemos hoje»

«O que pode estar em causa é a convivência deste capitalismo específico, com o poder democrático. A solução encontrada foi – e estamos a assistir ainda em Portugal - à rápida compressão dos rendimentos (…) o meu pesadelo é que esta compressão não possa ser feita sem um regime autoritário».
- Castro Caldas, Professor e economista.

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Barreiro - Tertúlia Augusto Cabrita debateu crise económica. «O futuro será totalmente diferente do que conhecemos hoje»

Por Jornal Rostos

«Não sou especialista em economia mas Sou um jornalista e por isso tenho muitas perguntas» e foi isso que fez. «Como é que o Estado e o Estado Social podem funcionar? e acima de tudo como podem sobreviver?. Como vamos resolver os problemas demográficos a nível global – do qual Portugal é um exemplo pela baixa natalidade e envelhecimento da população - ? Para além das perguntas, deixou duas certezas «a nossa governação vai ter que saber lidar com problemas que são globais». - Peter Weise correspondente do financial times em Portugal.

A tertúlia realizou-se no passado dia 20 (sexta feira) no auditório da Escola Secundária Augusto Cabrita.

«Antes da sessão falámos entre nós – convidados e anfitriões - e concordámos e iríamos lançar uma série de questões» começou por dizer o Professor Armando Pedrosa – um dos responsáveis das tertúlias – e deixou no ar a pergunta «o que é isto da economia mundial?»

O Professor e economista Castro Caldas, abordou o tema da Tertúlia: A Crise do Capitalismo Democrático. «Constatamos que estamos a viver uma crise do capitalismo, pois é o sistema dominante nas últimas décadas. Contudo esta pode não ser uma crise cíclica como é habitual acontecer» disse «esta crise pode ser específica do capitalismo democrático» sublinhou.
«Antes de mais é necessário percebermos o que é capitalismo democrático. No capitalismo a produção da sociedade é orientada para a troca. O capitalismo assenta no conceito da “Moeda de Troca”, que começou com a invenção da moeda, a diferença desses tempos antigos é que a capacidade e trabalho tem um preço». Castro Caldas considera que o capitalismo é democrático «quando os governantes são eleitos democraticamente e existe, uma certa, liberdade» referiu.
Explicou ainda que o capitalismo desde sempre teve uma certa tendência para a expansão «expandiu-se de tal forma na sociedade que todas as coisas tornaram-se mercadorias. Hoje em dia tudo se compra e tudo se vende». «por outro lado a expansão geográfica elevou o capitalismo ao estatuto de sistema dominante à escala global» - referiu.

Á medida que ia avançando na sua explicação, o Professor Castro Caldas convidou a assistência a fazer com ele vários exercícios mentais - como lhes chamou - para que melhor entendessem os conceitos. Afirmou que o ponto de viragem deu-se com a desindustrialização do Ocidente e em particular da Europa «criaram-se dois mundos: mundo fábrica – produção - e o mundo supermercado – consumo. Supunha-se que esta situação seria boa para todos. Contudo assistiu-se à erosão do emprego no mundo supermercado - Europa e EUA -, verificando-se posteriormente - em meados da década de 90 – um excedente financeiro». «O problema estava criado», explicou «e a solução encontrada foi a oferta de crédito» disse.
O fim desta estória teve uma data: Junho de 2007, com o esgotamento de uma forma particular de Capitalismo baseada no crédito.

«O que pode estar em causa é a convivência deste capitalismo específico, com o poder democrático. A solução encontrada foi – e estamos a assistir ainda em Portugal - à rápida compressão dos rendimentos» disse «o meu pesadelo é que esta compressão não possa ser feita sem um regime autoritário» - acrescentando com tom de preocupação.

Peter Weise correspondente do financial times em Portugal referiu no incio sua intervenção «não sou especialista em economia mas Sou um jornalista e por isso tenho muitas perguntas» e foi isso que fez. «Como é que o Estado e o Estado Social podem funcionar? e acima de tudo como podem sobreviver?. Como vamos resolver os problemas demográficos a nível global – do qual Portugal é um exemplo pela baixa natalidade e envelhecimento da população - ? Para além das perguntas, deixou duas certezas «a nossa governação vai ter que saber lidar com problemas que são globais». Por outro lado, seja qual for a solução Peter Weise é da opinião que «o futuro será totalmente diferente do que conhecemos hoje» - afirmou com convicção.

Ainda no campo das possíveis soluções Castro Caldas referiu que «uma boa política monetária podia evitar muito sofrimento, contudo o BCE mantém os activos financeiros elevados».
Alguns caminhos foram também apontados pela assistência como: A importância da correcta formulação do problema para que a discussão seja frutuosa; A afirmação de que falta debater a democracia; A aplicação de um salário máximo como forma de combater a desigualdade e a ganância.

Armando Pedrosa fez o balanço sucinto de mais uma tertúlia «estiveram presentes 50 tertulianos - a maioria professores, e 2 alunos. Intervenções muito diversas.
No jantar no Café Sport, ou Chez Ricardo, como gostamos de chamar, estiveram presentes 27 tertulianos. Magníficas intervenções da Conceição e da Irene. Interpretações de música erudita pelo Vasco, as canções do Rui, o sabor do folclore açoriano do Bartolomeu. Durante o bacalhau muitas conversas em grupo, à mesa e na rua».

No final todos foram unânimes em atestar o elevado nível desta tertúlia. A próxima é já na sexta feira, dia 27 de Junho com o objectivo de avaliar as tertúlias deste ano lectivo e decidir a sua continuação no próximo.

Rui Nobre

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