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Perspectivas

«Barreiro à Conversa…»Das 6000 empresas existentes no concelho do Barreiro 98% têm 10 trabalhadores ou menos

Em Lisboa, em 2015, estima-se que vão entrar 10 milhões de turistas, será o Barreiro capaz de captar 1% desses turistas, foi uma das reflexões de uma conversa sobre «Desenvolvimento Local», realizada na Casa Portuguesa.

“O centro deixou de ser alargado e ficou na Avenida Alfredo da Silva” – sublinhou João Pedro Soares.

O Barreiro 2024, sublinhou Frederico Rosa, tem que ser uma cidade “capaz de ter oferta turística, que atraia jovens, que atraia talentos, que se fixem aqui projectos”.

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«Barreiro à Conversa…» Das 6000 empresas existentes no concelho do Barreiro 98% têm 10 trabalhadores ou menos

Por Jornal Rostos

O Grupo de reflexão barreirense «Barreiro à Conversa…» promoveu conferência tendo como tema «Desenvolvimento local»
A conversa realizou-se na Casa Portuguesa, juntando algumas dezenas de pessoas, num ambiente de tertúlia e de troca aberta de opiniões.
Para abrir o debate foram convidados dois barreirenses: Frederico Rosa, gestor, e João Pedro Soares, Gerente Comercial de uma microempresa
Alexandra Ruivo, que integra o grupo de promotores destas conversas, sublinhou que a finalidade é dinamizar – “tertúlia de diálogo sobre a cidade”, procurando reflectir sobre o espaço como “factor unificador”.

Economia que nos tem vindo a desgovernar

João Pedro Soares, Gerente Comercial de uma microempresa, começou por referir que “não se pode falar do Barreiro, sem falar do país em que estamos inseridos”, na “economia global” e na “economia que nos tem vindo a desgovernar nos últimos anos”.
Recordou que as PME’s são 97% do tecido nacional, salientando que das 400 mil empresas existentes, apenas 18 mil são exportadoras, por essa razão quando falam da importância da exportação – “estão a falar para outra galáxia”.

Europa está a impor uma austeridade grotesca

Recordou que nos últimos 20 anos, de globalização, a Europa aposta nas grandes empresas, nas grandes superfícies, que “surgiram como cogumelos”.
Sublinhou que o “mercado global” aposta não mão de obra barata e a importância do mercado da China – “a europa passou a competir com esta realidade”.
Na sua opinião a Europa está a impor uma “austeridade grotesca” que “todos sentimos de uma forma brutal”.

Falta a intervenção na Rua Miguel Bombarda

João Pedro Soares, sublinhou que o Barreiro – “tem vivido do mesmo mal” e também aqui cresceram as grandes superficies.
Recordou que a Associação de Comércio, Indústria e Serviços do Barreiro e Moita apoiou a instalação do Forum Barreiro – “não por estar a favor das grandes superfícies” mas por considerar que teria importância no centro da cidade, mas- “não está a resultar”, porque faltam lojas “âncora no Centro Comercial” e a “intervenção na Alfredo da Silva ficou coxa” e “falta a intervenção na Rua Miguel Bombarda”.
“O centro deixou de ser alargado e ficou na Avenida Alfredo da Silva” – sublinhou.

Partidos de esquerda têm que se deixar de guerrinhas

João Pedro Soares defendeu que “os três partidos de esquerda têm que se deixar de guerrinhas” e devem “cooperar uns com os outros” para por fim aos “estado a que isto chegou”.
“A actual oposição, seja ela qual for, tem muita culpa” – disse.

Construção da Ponte Barreiro – Seixal

Na sua intervenção referiu que o Barreiro é “um território encrustado” e defendeu a necessidade de construção da Ponte Barreiro - Seixal, isto passa pelo investimento público.
“O Barreiro continua condenado ao ostracismo” – sublinhou.

Não vou falar de investimento público

Frederico Rosa, começou por afirmar – “não vou falar de investimento público central”.
Recordou que o concelho do Barreiro tem 78 mil habitantes, cerca de 70 mil eleitores, dos quais 22% têm mais de 65 anos e 14% têm menos de 15 anos.
“Como vai ser o Barreiro de 2024? Que cidade vamos ter?” – perguntou.
Referiu que a importância de falar em “desenvolvimento local” conceito que na sua opinião também inclui o “desenvolvimento económico”.
“Não gosto do termo desenvolvimento económico local” – disse.
Considerou necessário que exista “uma visão da cidade que queremos” e mudar a actual realidade, para tal perspectivou como essencial um levantamento de “recursos” e a existência de “um plano de acção”.
“Estratégia não é acção” – disse, acrescentando que estratégia são “um conjunto de acções concertadas”.

Aumentar fluxo de clientes para o comércio local

“Como criar emprego? Como aumentar a população flutuante?” – interrogou.
Na sua intervenção, colocou a necessidade de encontrar respostas a estas duas perguntas como prioridades para se definir uma estratégia e uma visão de cidade.
Referiu que o aumento de população flutuante é um contributo essencial para aumentar o “fluxo de clientes para o comércio local” que nos dias de hoje, disse, “é quase residual”.

É necessária a alteração de perfil” das empresas

Recordou Frederico Rosa, que das 6000 empresas existentes no concelho do Barreiro, 98% têm 10 trabalhadores ou menos.
Sublinhou que o perfil é “pouco inovador”, com pouca capacidade de exportação e com uma dimensão de nível local e de comércio tradicional.
“Como levar estas empresas a criar emprego?” – interrogou.
Na opinião de Frederico Rosa, é necessária a “alteração de perfil” das empresas, acrescentando que isto “não se faz de um dia para o outro”.

Assusta-me a nova reindustrialização

“Que tipo de emprego criar no Barreiro?” – interrogou e sublinhou – “assusta-me a nova reindustrialização”.
Na sua opinião, no Barreiro é importante “fomentar emprego baseado no conhecimento”, com base em “industrias criativas” que sejam fruto de “valor acrescentado em conhecimento”, com “acesso ao talento” e para que se tenha sucesso é necessário ter escala.
Sublinhou que a criação desta tipologia de emprego irá contribuir para dinamizar o comércio local.

Uma cultura alternativa

Recordou que, em Lisboa, em 2015, estima-se que vão entrar 10 milhões de turistas.
Frederico Rosa defendeu o cenário do Barreiro captar 1% desses turistas – “para virem até aqui”.
Para isso sublinhou é necessário que existam ofertas – “uma cultura alternativa”
Na sua intervenção salientou que é preciso criar “eventos integrados com o comércio local”, porque no Barreiro existem “condições excelentes”.
“É preciso dar fluxos de clientes ao nosso comércio local” – afirmou.

Visão para o Barreiro 2024

“Não falei em pontes, nem em desenvolvimento de territórios como salvação” – disse Frederico Rosa.
“Não gosto de desenvolvimento económico local, gosto de falar em desenvolvimento local, que tem que ser um desenvolvimento integrado” – referiu.
Na sua visão para o Barreiro 2024, sublinhou que esta tem que ser uma cidade “capaz de ter oferta turística, que atraia jovens, que atraia talentos, que se fixem aqui projectos” que, salientou nasçam de uma “cultura jovem, empreendedora e criativa”.
“Esta é uma cidade onde é possível instalar empresas com custos inferiores a Lisboa” – sublinhou.
“O Barreiro tem gente valiosa com capacidade para dar contributos” – disse, acrescentando que para dar passos em frente é preciso “visão”, “competências”, inventariar recursos” e desenvolver “planos de acção”.

Construir uma cidade

Frederico Rosa, sublinhou que pensar a cidade – “nada tem a ver com partidos”, isto, “tem a ver com as pessoas”.
“É preciso construir uma cidade de acordo com as nossas ambições” – disse, salientando que essas ambições, têm que ser as ambições sentidas pelos cidadãos que vivem na cidade.

Após as intervenções seguiu-se um animado debate, moderado por António Sousa Pereira, Director do jornal «Rostos».
As conversas vão continuar com novos temas para reflexão.

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