«O Sol da Caparica» em AlmadaFestival é daqueles que promete esgotar sempre
Se não foi ao «Sol da Caparica», para o ano não pode faltar, mas com alguma pressa porque este festival é daqueles que promete esgotar sempre.

Por Jornal Rostos
Com muito calor recomeçou o terceiro dia do festival “O Sol da Caparica”. Aline Frazão abriu as hostes musicais do palco BLITZ com sons que variam desde o MPB, ao jazz, passando pelo fado sem nunca destoar das suas raízes angolanas. Com muitas referências a Anselmo Ralph, conterrâneo que viria a atuar mais tarde, Aline Frazão proporcionou um concerto muito agradável perante um público muito composto para o primeiro concerto do dia, revelando o crescente interesse por parte dos festivaleiros no festival da Caparica.
Muita energia e animação
Ainda no palco BLITZ, atuou Capicua, perante uma das maiores audiências antes da abertura do palco principal, a rapper portuense mostrou a razão de ser um dos nomes com maior destaque no hip-hop nacional nos últimos anos. Repleta de conteúdo inteligente, Capicua, demonstrou que para além de um grande flow, consegue conectar-se com o público que respondeu com muita energia e animação às interações da rapper que ao terminar deu lugar a outro nome emergente do hip-hop português, Sensi, que acompanhado de uma ótima banda, com grandes coros e vocais por trás proporcionou um bom show para os adeptos do hip-hop nacional.
Uma das grandes artistas da música de Cabo Verde
A abrir o palco SIC/RFM, Ceuzany envolveu imediatamente todos os presentes na música de origem cabo-verdiana. Com muito ritmo e alegria, o público dançou enquanto o sol se punha por detrás do palco. Foi desta forma que a cantora, nascida no Senegal, confirmou a razão pela qual a sua juventude não afeta o facto de ser reconhecida no presente como uma das grandes artistas da música de Cabo Verde.
Após o lançamento do seu segundo álbum, notou-se claramente a evolução de Frankie Chavez de uma one man band para um estilo muito mais explosivo e com muita influência do Rock. Sem nunca perder o seu estilo, Frankie deu um concerto de encher o olho à grande multidão que se reuniu em frente ao palco BLITZ.
Rita Redshoes mostrou toda a sua qualidade artística
Já no palco principal, de forma muito menos explosiva mas repleta de música tradicional de muita qualidade, António Zambujo responde perante vários milhares de pessoas com muita cultura musical, desde o fado à bossa nova. A multidão rejubilou com canções do seu álbum mais recente, Quinto, nomeadamente com o single “Lambreta”.
O último concerto do festival no palco BLITZ pertenceu a Rita Redshoes, e não viu o maior público em termos de número, pois já tocava David Fonseca no palco principal. Nada que se refletisse no concerto de Rita Redshoes, que mostrou toda a sua qualidade artística, ao cantar e tocar o seu piano Rhodes, perante verdadeiros fans da sua música.
“O que se passa na Costa à noite, fica na Costa à noite”
De forma impressionante foi como começou David Fonseca que já nos habituou a espetáculos mágicos, e mais uma vez não desiludiu. Trouxe a casa abaixo com canções de todos os seus álbuns que puseram o público inteiro a vibrar por mais. Com comentários como “O que se passa na Costa à noite, fica na Costa à noite”, agarrou o público por completo. Revelando a sua experiência enquanto artista, apesar de alguns problemas técnicos, alheios à performance do cantor, David Fonseca, não desapontou no que foi com certeza um dos melhores concertos do festival.
Anselmo Ralph entrou em grande
Após algumas palavras do presidente da câmara de Almada, Joaquim Judas, deu entrada no palco, o maior nome da noite, Anselmo Ralph. De frente para uma multidão que dava a entender serem bastante mais que vinte mil, Anselmo Ralph entrou em grande. Desde explosões de confettis, dançarinos, luzes e muita música, ficou claro de imediato a razão pela qual foi considerado o cabeça de cartaz do festival. Com muito humor e o seu charme único, Anselmo cativou o público, nomeadamente o feminino, como só ele sabe, sendo evidente o porquê de ser não só o melhor artista do seu género, como principalmente para as camadas mais jovens, um dos melhores artistas do momento. Os ecos da multidão que gritava por um encore no final do concerto, chegaram até Almada e Anselmo não desiludiu, tocando um dos seus maiores êxitos “Não me Toca” por uma última vez.
Festival é daqueles que promete esgotar sempre
Foi o último concerto de bandas do festival e foi provavelmente também o melhor espetáculo da noite, dando entrada de seguida a D’Jay Rich e António Mendes, DJs oficiais da RFM, que puseram o público todo aos saltos pela noite dentro, encerrando assim o palco principal SIC/RFM de um festival que promete ter vindo para ficar por muitos mais anos. Se não foi, para o ano não pode faltar, mas com alguma pressa porque este festival é daqueles que promete esgotar sempre.
Pedro Santos
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