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Perspectivas

Rui Garcia, Presidente da Câmara Municipal da MoitaRecusa que autarquias se transformem «em secretarias dependentes da administração central»

. Indispensável a força dos povos para começar a travar o avanço da barbárie

Rui Garcia, Presidente da Câmara Municipal da Moita, hoje pela manhã, na cerimónia que assinalou o Feriado Municipal, afirmou que este é o dia de – “reafirmar a nossa determinação de continuar a resistir aos avanços dos que, em última instância, ambicionam transformar as autarquias em secretarias, dependentes da administração central, para a gestão dos contratos com as empresas privadas a quem foi entregue toda a prestação de serviços”.

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Rui Garcia, Presidente da Câmara Municipal da Moita Recusa que autarquias se transformem «em secretarias dependentes da administração central»

Por Jornal Rostos

Hoje, pela manhã, realizou-se a Cerimónia d Pública de Atribuição das Medalhas Municipais, assinalando o Feriado Municipal da Moita.
Um apontamento musical com o clarinista Pedro Almeida, marcou a abertura da sessão, numa sala repleta, com um ambiente festivo, registando-se a presença dos vereadores de todas as forças politica – CDU,PS e BE – assim como de João Lobo, presidente da Assembleia Municipal da Moita e os presidentes das quatro Juntas de Freguesia do concelho.

Atribuição das Medalhas Municipais

A Medalha de Mérito Artístico e Cultural foi atribuída a Manuel Oliveira Filipe, atual presidente da direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Concelho da Moita, presidente da Sociedade Filarmónica Estrela Moitense e presidente do Grupo Tauromáquico Moitense.
José Alberto Mendes Ribeiro “Chula”, proprietário de uma das maiores empresas do setor agropecuário a laborar no concelho da Moita, desde 1978, recebeu a Medalha de Mérito Económico e Social.
A Medalha de Bons Serviços ao Município foi atribuída à primeira mulher a trabalhar ao serviço da Câmara da Moita, Maria Zulmira Alface Ferreira. Os três momentos de entrega das Medalhas Municipais foram marcados de alguma emoção.

Apagamento dos trabalhadores e dos povos

Rui Garcia, presidente da Câmara Municipal da Moita, citando Bertolt Brecht. que perguntou: Quem construiu a Tebas das sete portas?, sublinhou que esta interrogação, “questiona o apagamento dos trabalhadores e dos povos da História escrita pelos poderosos, evoca também o tempo que vivemos, marcado pela glorificação do individualismo exacerbado, promovido à condição de ideologia dominante através do poder globalizado dos meios de comunicação e difusão, que constroem vedetas para servir todos os usos e fins.”

Messianismo substitui as propostas

“No entretenimento, nas artes, na informação ou na política, a fulanização é um instrumento através do qual as ideias se escondem atrás das figuras, o messianismo substitui as propostas, enquanto ao povo se acena com a suprema liberdade de escolher o chefe na base de importantes atributos como o de ser o mais telegénico, ou o mais eloquente, ou apenas o que mais vezes é mostrado na televisão. De qualquer forma, o que a todos eles une é que a todos foi atribuído o papel lampedusiano de algo mudar, para que tudo fique na mesma” – afirmou Rui Garcia

Travar o avanço da barbárie

“Mas este mundo cada vez mais dominado pela globalização económica, mediática, cultural e política, onde se produzem modelos e líderes segundo o método de produção fordista, é o mundo que levou o Papa Francisco a afirmar que “talvez possamos falar já de uma terceira guerra mundial, disputada em fragmentos, com crimes, massacres e destruição”. Uma afirmação destas, feita por uma voz com o impacto mundial do Papa, necessita ser um contributo para alcançar o patamar seguinte, o da identificação dos responsáveis por esta tragédia militarista que atinge áreas cada vez mais vastas do planeta, passo este indispensável para que a força dos povos possa começar a travar o avanço da barbárie” - acrescentou o autarca.

Edificar o progresso social que ambicionamos

“A sociedade globalizada aumenta a inter-relação da escalas global, nacional e local pelo que se pode afirmar que nada do que acontece por esse mundo nos é alheio, o que me permite justificar esta breve digressão, para a concluir dizendo que aqui, neste Município de Abril, a resposta à pergunta de Brecht é clara: sabemos que os construtores do nosso futuro colectivo são as mulheres e os homens que trabalham e vivem no nosso concelho e que só neles reside a força para edificar o progresso social que ambicionamos” – referiu Rui Garcia.

Asfixia e de subjugação da nossa autonomia político-administrativa

“Hoje assinalamos o Dia do Município e o significado desta data só ganha sentido enquanto momento de afirmação da identidade e da autonomia do nosso Concelho. E quero eu com isto dizer que não podemos ser alheios ao que se passa à nossa volta, mas não temos que assimilar as modas ideológicas que nos amarram a mecanismos de asfixia e de subjugação da nossa autonomia político-administrativa ou a pressões para a homogeneização cultural que nos queiram apagar a identidade.
Assim, o Dia do Município é uma oportunidade para reafirmar a nossa determinação de continuar a resistir aos avanços dos que, em última instância, ambicionam transformar as autarquias em secretarias, dependentes da administração central, para a gestão dos contratos com as empresas privadas a quem foi entregue toda a prestação de serviços” – disse.

Reafirmar a nossa opção pelo Poder Local Democrático de Abril

“Reafirmar que rejeitamos, pelo retrocesso social que representam, as opções políticas governamentais que têm ao longo de anos promovido a asfixia financeira, a redução da autonomia, o sufoco político-jurídico das Autarquias, com gravosas consequências para a sua capacidade de corresponder às necessidades dos territórios e da população.
Reafirmar a nossa opção pelo Poder Local Democrático de Abril, espaço de participação popular e espaço de defesa dos direitos das populações e dos trabalhadores das autarquias, ao serviço do progresso das nossas comunidades e do bem-estar das nossas populações” – sublinhou o presidente da Câmara Municipal da Moita.

Temos procurado não banalizar a atribuição das distinções

“Mas este dia que celebra o nosso Concelho é também um dia para homenagear as nossas gentes. Temos, ao longo dos anos, procurado distinguir instituições e personalidades que tenham contribuído de forma destacada para o reconhecimento e o desenvolvimento do Concelho. Instituições e pessoas ligadas à nossa terra que, de diversas formas, aplicaram o seu trabalho e o seu saber em prol da comunidade.
Temos procurado não banalizar a atribuição destas distinções, sendo bastante parcimoniosos na sua atribuição, embora tendo consciência dos muitos homens e mulheres que delas são merecedores. Temos também a convicção de que a notoriedade individual é, em regra, fortemente devedora do trabalho dos colectivos. Por isso, pensamos que, através da homenagem individual, é afinal o labor colectivo, a capacidade de cooperar para atingir objectivos comuns, que assim é relevada. Os homenageados deste ano são, cada um de sua maneira, exemplo disto” - referiu o edil.

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