Barreiro - Filomena Iria no Dia Municipal para a Igualdade«Nas vitimas de violência doméstica não contabilizamos as vitimas que se suicidam»
Filomena Iria, na apresentação do seu livro “(Re)Contos de Violência Doméstica”, com emoção, sublinhou que um dos contos refere-se a “uma tareia que quase me levou à morte e interrompeu uma gravidez de três meses”.

Por Jornal Rostos
No âmbito das iniciativa que assinalaram o Dia Municipal para a Igualdade, no Espaço J, foi apresentado o livro “(Re)Contos de Violência Doméstica”, com a participação da autora barreirense, Filomena Iria.
Demonstrava o seu amor excessivo
Filomena Iria salientou que tem apresentado o seu livro em diversos pontos do país, mas apresentá-lo – “a convite da Municipal da minha terra é uma honra”.
A autora referiu que escreveu o livro “(Re)Contos de Violência Doméstica”, “afastar os meus problemas de violência doméstica”, que resultaram de cinco anos durante os quais não teve a coragem de dizer: “basta” e afastar-se da “pessoa que eu tinha escolhido”, a qual “convencia-me que me amava” e “demonstrava o seu amor excessivo”.
Uma tareia que quase me levou à morte
“Não escrevi a minha história, escondi-me atrás da história, por essa o livro são (re)contos. Esta narrativa funciona como alguém que estar a contar a história de alguém” – referiu Filomena Iria.
Recordou que as personagens “não existem”, são “nove contos” sobre “a minha experiência pessoal” com situações “das mais violentas”.
A escritora, com emoção, sublinhou que um dos contos refere-se a “uma tareia que quase me levou à morte e interrompeu uma gravidez de três meses”.
Não contabilizamos as vitimas que se suicidam
Recordou que após cinco anos, no ano 2004, quando a “violência doméstica ainda não era crime público”, decidiu dizer : “Basta!”.
Salientou as situações que “ocorriam dia-a-dia” uma violência em diversas dimensões – “eram pressões psicológicas diárias”.
Filomena Iria, referiu que um dos contos resultou de uma conversa com uma criança, filho de uma amiga que morreu num acidente de carro, contra uma árvore que lhe disse: “Acho que ela se matou por causa do meu pai”.
“Nas vitimas de violência doméstica não contabilizamos as vitimas que se suicidam” – disse.
Não conseguem libertar-se e começar de novo
Filomena Iria, na sua intervenção salientou que escrever o livro “(Re)Contos de Violência Doméstica”, foi afirmar “uma luta possível, é a minha luta”, por essa razão “vou a todos os sítios que me convidem”.
“As pessoas têm-me contado os casos delas e mantenho contacto com as pessoas. O livro abre o caminho às pessoas” – disse.
Referiu que existem situações graves, mas as pessoas não têm coragem de sair de casa e libertar-se.
“Conheço casos de pessoas que não conseguem libertar-se e começar de novo” – afirmou.
Recordou que foi essa a sua decisão – Libertar-se e “valeu a pena”.
De referir que das receitas do livro, que é uma edição de autor, 10% são entregues à APAV – Associação de Apoio à Vitima.













