Autoridade da concorrência não irá permitir que a Mota Engil concorra para Porto do BarreiroMota Engil «tem o domínio do monopólio em Lisboa e 100% em Setúbal»
Luis Pedro Cerqueira levantou dúvidas sobre os impactos ambientais, questionando se será uma solução ou um agravar dos problemas no Rio Tejo- “não é um problema do Barreiro é da região”.

Por Jornal Rostos
O grupo de reflexão barreirense, «Barreiro à Conversa«, promoveu, ontem à noite, na Boleira do Parque, um encontro que teve como tema: “Um terminal de contentores para o Barreiro?”.
O evento contou com a participação de Paulo Moreira e e Luís Pedro Cerqueira. Ana Paula Vitorino cuja presença estava agendada, por motivos imprevistos esteve ausente.
Tenho dúvidas que venha para o Barreiro
Paulo Moreira, referiu que com a existência de “movimentos em prol do Porto de Setúbal, vai ser difícil que a construção portuária seja no Barreiro”, porque “quando se coloca decisão na mão dos agentes económicos é dificil”, dado que estes “são uma força de bloqueio”.
Recordou que os agentes económicos estão instalados perto dos terminais – “e não querem deixar de estar onde estão instalados”.
“Se a decisão for desse grupo económico tenho dúvidas que venha para o Barreiro” – referiu o investigador.
Domínio do monopólio em Lisboa e 100% em Setúbal
Na opinião de Paulo Moreira, os argumentos que são colocados na defesa da opção de instalação do Terminal em Setúbal “são combatíveis”.
Recordou que a Mota Engil – “tem o domínio do monopólio em Lisboa e 100% em Setúbal”.
Salientou que - “no caso do novo terminal ser instalado no Barreiro”, então a autoridade da concorrência – “não irá permitir que a Mota Engil” participe no Concurso Internacional que terá que ser lançado.
Dúvidas sobre impacto ambiental
Luis Pedro Cerqueira, recordou que as concessões existentes no Parque Empresarial da Baía do Tejo, no Barreiro, “estão ancoradas” com base num “compromisso” até 2046/2047, dado que considera de referência para reflectir sobre aquele território.
Recordou que no Parque Empresarial existem dois portos no quadro da APL – um de líquidos e outro de granel.
Sobre a construção do novo porto, referiu que o mesmo será construído numa zona de aterro na proximidade do Porto de Liquidos, já previsto no Plano de Urbanização da Quimiparque.
Referiu que o novo porto será para navios de 12 metros de calado – “o que limita para ser um porto interessante”.
Por outro lado, perspectivou que as “obras em terra serão complexas” e com impactos ao nível do ambiente
Luis Pedro Cerqueira levantou as suas dúvidas sobre os impactos ambientais, questionando se será uma solução ou um agravar dos problemas no Rio Tejo- “não é um problema do Barreiro é da região”.
Que modelo de desenvolvimento
“Uma actividade como esta é, ou não compatível com o Barreiro? Temos ou não temos modelo de desenvolvimento para o Barreiro?” – foram duas perguntas que considerou centrais na reflexão sobre o tema da instalação do Porto de Contentores.
Na sua opinião é necessário reflectir sobre o “modelo de desenvolvimento” que se pretende para o Barreiro e se a vinda do porto contribui para esse desenvolvimento.
Sublinhou que – “é possível construir um Terminal de Contentores no Barreiro”, mas colocou em aberto as dificuldades que podem existir ao nível de infraestruturas – rodoviárias e ferroviárias.
Os dois terminais em Lisboa estão a meio gás
Seguiu-se um período de debate, troca de opiniões, onde se discutiu de tudo um pouco – de Salamanca a Roterdão, do Panamá ao Porto de Sines e a sua capacidade, do excesso de oferta no mercado no mundo – “existem terminais de contentores que estão a fechar”, disse Paulo Moreira, porque “estamos em recessão na europa e no mundo”
“Os dois terminais em Lisboa estão a meio gás. Está estagnado.” acrescentou.
Criação de postos de trabalho directos, indirectos e induzidos
Sobre a existência de dois portos no Barreiro, Paulo Moreira, salientou que um novo terminal
será – “mais uma valência” que irá produzir efeitos directos com a criação de postos de trabalho - directos, indirectos e induzidos, poque pode proporcionar – “a proximidade de instalações portuárias das empresas”.
“É nesta perspectiva que se tem que olhar para o porto no Barreiro”, disse.
Paulo Moreira, referiu que a construção do porto – “pode trazer actividades complementares para o território, porque pelas características do porto a instalar no Barreiro – “vai mais além que a movimentação de cargas”.
Plano Estratégico da APL previa expansão para o Barreiro
Paulo Moreira, no decorrer do debate, recordou que no Plano Estratégico do Porto de Lisboa, em 2006 – “está previsto o alargamento da actividade para o Barreiro, mas não passou do papel”.
Recordou que para que a construção do Porto possa beneficiar de fundos europeus, terá que ser apresentada proposta até Fevereiro de 2015 – “Alguém está a apresentar propostas?”.
Expressou a sua preocupação e dúvidas quando o governo aponta a tomada de decisão para Março de 2015.













