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Perspectivas

«Os Maias» de João Botelho filmado no distrito de SetúbalEm digressão pelo país foi aplaudido no Barreiro

O filme “Os Maias”, de João Botelho, iniciou esta semana uma digressão pelo país, tendo marcado presença no Barreiro, ontem à noite, no Auditório Municipal Augusto Cabrita, tendo sido aplaudido no final da projecção.

Hugo Amaro, que no filme desempenha o papel da personagem de Dâmaso Salcede, sublinhou a actualidade do filme apesar de ser retrato do século XIX.

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«Os Maias» de João Botelho filmado no distrito de Setúbal Em digressão pelo país foi aplaudido no Barreiro

Por Jornal Rostos

A digressão de «Os Maias», patrocinada pelo Montepio Geral, tem por objetivo levar o filme a diferentes salas do país, em locais onde o acesso a filmes portugueses é menor.
Contactar e interagir com os públicos escolares é outro objetivo, uma vez que este romance escrito por Eça de Queirós e está integrado no programa curricular da disciplina de Português.

Filme foi produzido em Azeitão

Hugo Amaro, antes de começar a projeção do filme referiu que o filme foi produzido em Azeitão, ao longo de um ano, num espaço onde foram construídos os cenários.
Sublinhou que João Botelho com este filme transmite "uma visão pessoal" da obra de Eça de Queirós, mas é "fidedigno ao texto" tratando-o como se fosse "um libreto de opera".
"Tudo o que nós dizemos Eça escreveu", salientou.

Portugal que está a encaminhar-se para a bancarrota

Hugo Amaro referiu a "actualidade da obra" que retrata de forma "mordaz e cinica" uma classe do século XIX - "uma aristocracia decadente, a perder influência" e "uma classe intelectual" que não cumpre as suas funções, num "Portugal que está a encaminhar-se para a bancarrota".
Recordou que estivemos 99 anos a pagar a bancarrota que aconteceu naquela época, fruto de "banqueiros e politicos corruptos".
"Portugal continua igual" - sublinhou.

Um realizador que procura ir do pormenor aos detalhes

Hugo Amaro, salientou que "um ano após as filmagens" estar aqui e "ver este público que nos vem ver" dá para sentir o nosso trabalho e essa é a razão da digressão do filme pelo país.
Recordou que João Botelho, no trabalho que faz é "um realizador que procura ir do pormenor aos detalhes" e sempre preocupado com "a luz que precisamos para compor a imagem".
"Ele pretende dar substância à imagem", sublnhou.
Um filme que contou com cerca de 50 actores e mais de 1000 figurantes.
"O núcleo central ensaiou durante meses, antes de começar as filmagens. Quando fomos para as filmagens tinhamos entre todos uma grande coesão" - afirmou.

Aplausos no final do filme

A sala do Auditório Municipal Augusto Cabrita, não estando repleta, estava bem composta e no final da projecção muitos dos presentes aplaudiram o filme, uma registo que, certamente, ficará para a memória.

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