Saltar para o conteúdo
Perspectivas

Moita - «Alhos Vedros: Economia, Administração e Demografia Séculos XIV-XVIII»Uma mais valia da escrita da história económica em Portugal

Marques Almeida na apresentação do livro “Alhos Vedros: Economia, Administração e Demografia Séculos XIV-XVIII”, de António Gonçalves Ventura, sublinhou - “é uma das melhores teses de doutoramento que tive o prazer de orientar”.

4 min de leitura
Moita - «Alhos Vedros: Economia, Administração e Demografia Séculos XIV-XVIII» Uma mais valia da escrita da história económica em Portugal

Por Jornal Rostos

Na Igreja da Misericórdia realizou-se a cerimónia de encerramento das comemorações dos 500 Anos do Foral Manuelino, com a apresentação do livro “Alhos Vedros: Economia, Administração e Demografia Séculos XIV-XVIII”, de António Gonçalves Ventura, editado no âmbito do Programa de Apoio à Investigação e Divulgação Moita Património, lançado pela Câmara Municipal da Moita.

Quem está preparado para escrever a história económica?

Marques Almeida, que orientou a tese de doutoramento de António Gonçalves Ventura, sublinhou que tem existido “evolução da escrita da história económica em Portugal”, em cujo contexto – “tem valia o trabalho de António Ventura”.
Referiu que “a escrita da história económica suscita um problema”, nomeadamente sobre – “Quem está preparado para escrever a história económica? O Historiador? O Economista”
“Esta é uma discussão teórica que ocupa os historiadores”, disse.

Não basta ser passado para ser história

Sublinhou que os economistas têm a preparação técnica da sua disciplina, mas –“não têm uma visão histórica, a visão histórica é muito diferente”.
Referiu que os economistas “têm uma visão retrospectiva”, acrescentando que – “não basta ser passado para ser história”.
Sublinhou a importância de se definir na investigação aquilo que pode – “ser histórico”.

Historiador pode assumir-se como cientista

Marques Almeida, sublinhou que – “história é ciência”, é “um trabalho cientifico”.
“Eu como historiador sou cientista, produzo discurso conceptualizado de práticas cientificas”, disse.
Recordou que “nunca sabemos o necessário”, ou “o que precisamos saber”.
“O Historiador pode assumir-se como cientista” salientou.

História económica usava o estilo descritivo

Recordou que no século passado, a história económica – “usava o estilo descritivo”.
“Explicava e reproduzia a informação”, sublinhou.
Nesta altura “o processo da história económica na Europa” afirmou – “não era uma escola, eram autores”.
No caso de Portugal referiu a importância de Magalhães Godinho.
O estudo, recordou, evoluiu – “de uma forma descritiva para uma forma interpretativa, com o usos de “conceptualidades”, criação de “conceitos” e “uso de metáforas”.
Referiu que nos anos 60 a história económica “mudou” e nos anos 70 entrou “num beco sem saída”, através de “uma via falsa que não sobreviveu” – “uma história quantitativa”, através da “aplicação da matemática à história”.
Marques Almeida, salientou que a “história interpretativa criou conceitos novos” nomeadamente – “mercado”, “preço” e “definições metafóricas”.
“Metaforicamente a história aproximou-se da valia cientifica”, disse.

Escrita de António Ventura é harmoniosa

“A obra do professor António Ventura é uma obra notável, muito bem estruturada, tem sentido lógico”, afirmou, enquadrando-a numa visão interpretativa da história.
Referiu a importância do título da obra que define o “espaço temporal” e o seu “conteúdo”, clarificando a dimensão da investigação.
Uma obra que, disse, tem “Um apêndice documental” essencial do “ponto de vista da alavancagem cientifica”.
“A escrita de António Ventura é harmoniosa”, disse – “uma escrita humanizada e universal”, comparando-a aos escritos de António Sérgio.

Uma das melhores teses de doutoramento
Marques Almeida sublinhou “orientei a obra”, mas, de facto, disse, “fui orientado por António Ventura. Quem aprendeu com António Ventura fui eu”.
“É uma das melhores teses de doutoramento que tive o prazer de orientar”, sublinhou.

Alhos Vedros num contexto alargado

De referir que a obra “Alhos Vedros: Economia, Administração e Demografia Séculos XIV-XVIII”, de António Gonçalves Ventura, retrata o concelho de Alhos Vedros, num contexto alargado e de forma integrada, o Estuário do Tejo e também a cidade de Lisboa, abordando temas como a geografia do território, a economia, a administração municipal e a demografia.
A obra é uma parte da tese de doutoramento, de António Gonçalves Ventura, na especialidade de História Moderna pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção