Presidente do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana«No Barreiro 3.172 estão vazios, o que corresponde a 14,5% do Parque Habitacional»
. Barreiro pode transformar-se num exemplo paradigmático ao nível da reabilitação urbana
O presidente do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana, Victor Reis, no decorrer da conferência promovida pela Associação de Proprietários do Barreiro referiu que no Barreiro em 2011 existiam 21.508 fogos, correspondendo a 4.259 edificios.
Destes 3.172 estão vazios, o que corresponde a 14,5% do Parque Habitacional.

Por Jornal Rostos
Victor Reis, Presidente do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), foi o prelector da Conferência subordinada ao tema: “Reabilitação Urbana – Um desafio de todos para todos”, promovida pela Associação dos Proprietários do Barreiro.
O presidente do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana recordou o trajecto do país nos últimos anos nesta matéria e – “o que fizemos para encontrar soluções”.
Compra de casas em detrimento do arrendamento
Recordou – “o processo de expansão urbana associado à construção nova”, do qual – “toda a margem sul é um exemplo”, situação gerada com diversos fenómenos – “o retorno das colónias”; “a melhor oferta de emprego” que dá origem “à desertificação do interior”.
“Cometemos erros gravíssimos”, disse, porque – “orientamos todas as politicas públicas e privadas para a compra de casas em detrimento do arrendamento”.
“As ofertas da banca tornou mais atraente a compra que o arrendamento”, sublinhou.
Na sua opinião, esta situação é uma das causas do – “completo esvaziamento progressivo das zonas mais antigas”.
Começamos a ter mais casas que pessoas
Victor Reis, salientou que “as pessoas para comprar casa” optaram pelo crédito.
“Não seria problema se a situação económica e social se mantivesse estável” – referiu.
No entanto a crise que se sentiu conduziu famílias ao “incumprimento, deixando para trás o investimento”, gerou-se “ruptura na construção civil” e o país vive “uma situação de recessão demográfica”.
“As politicas continuaram na expansão urbana e começamos a ter mais casas que pessoas”, sublinhou o presidente do IHRU.
Temos 737 mil casas vazias no país
Referiu que, no país, nos anos 90 tínhamos mais 500 mil casas, actualmente temos mais 1 milhão e meio de casas.
“Temos 737 mil casas vazias no país”, disse, acrescentando que o valor destas casas na ordem dos 78 milhões de euros corresponde – “ao que devemos à Troika”.
“Enterramo-nos enquanto sociedade num processo de endividamento”, disse.
Recordou que – “toda a inversão dá-se no ano 2000”.
“Até ao ano 2000 foi um ciclo de construção de novas casas”, disse.
Não resolvemos o problema do acesso das famílias à habitação
Victor Reis, sublinhou que neste período a opção por reabilitação de casas foi na ordem dos 2% ou 3% - “um valor ridículo”.
“Continuamos a expandir, em cima da divida que se devia”, salientou.
Um processo que na sua opinião, com a crise, conduziu a “rebentar as famílias”, “rebentar as empresas de construção” e “rebentar os bancos”.
Recordou que nos anos 80, o mercado de arrendamento correspondia a cerca de 50% e outro tanto de casas próprias.
Mas, no ano 2001, atingiu-se 73% do mercado com casa própria, com “redução a metade a disponibilidade de arrendamento”.
Salientou que – “a oferta da habitação não ia ao encontro das necessidades”.
Referiu que em Portugal vivemos uma “verdadeira proeza” de “acabar com o deficit de habitação”, mas – “não resolvemos o problema do acesso das famílias à habitação”.
“Criamos a ideia que só fazia sentido ter casa própria”, disse, “tornou-se cultura, criou-se essa ideia na comunidade”.
O país tem mais casas que famílias para elas
O presidente do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana, sublinhou que actualmente – “não há acesso fácil à habitação, este é o problema central”.
“O país tem mais casas que famílias para elas”, disse.
Neste contexto defendeu a necessidade de mudança de paradigma – em vez de expansão urbana, optar pela reabilitação urbana; em vez de construir novas casa, apostar na recuperação de casas antigas, em vez de se optar por casa própria, optar pelo arrendamento.
Referiu que há prédios com 7 e 8 andares no Vale da Amoreira, sem luz, sem elevador – “são um susto”.
Aposta na reabilitação é uma oportunidade
Victor Reis, sublinhou a importância de se apostar na “reabilitação urbana” e divulgou que vão criados instrumentos financeiros para a reabilitação de zonas antigas – “o Barreiro Velho é um caso”.
“A principal prioridade neste projecto é ser dirigido à reabilitação integral de edifícios, prédios inteiros”, disse.
Os empréstimos serão por um período de 15 anos, com juros bonificados.
Sublinhou que os investimentos terão que ter “retorno social”, sendo sujeitos a praticar “rendas condicionadas” e proporcionar “acessibilidade às famílias”, com rendas na ordem dos 200 a 300 euros.
Salientou que as regras permitem “ter retorno do investimento” e “suportar todos os custos”, com 90% do financiamento.
“A aposta na reabilitação é uma oportunidade”, disse.
Barreiro pode transformar-se num exemplo paradigmático
O presidente do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana, referiu que no Barreiro em 2011 existiam 21.508 fogos, correspondendo a 4.259 edificios.
Destes 3.172 estão vazios, o que corresponde a 14,5% do Parque Habitacional.
Neste contexto, sublinhou que a “reabilitação urbana” é importante para promover a “oferta habitacional”, num contexto que se perspectiva a instalação do novo Terminal de Contentores do Porto de Lisboa, no Barreiro – “é uma oportunidade”.
“O Barreiro pode transformar-se num exemplo paradigmático”, disse.
Victor Reis referiu que – “a estratégia tem que ser montada”, acrescentando que – “a reabilitação urbana não é trabalho dos municípios”, porque para tal – “não há dinheiro dos poderes públicos”.
“É preciso iniciativa privada”, sublinhou.
Salientou que todos os edifícios com 30 ou mais anos de idade, são elegíveis para o financiamento, no âmbito da ARU – Área de Reabilitação Urbana, que recentemente foi aprovada pela Câmara e Assembleia Municipal do Barreiro.













