Saltar para o conteúdo
Perspectivas

Violência Doméstica no concelho do BarreiroNo ano 2014 foram registados 250 casos
. Este ano já foram mortas 7 mulheres em Portugal

. Na Policia do Barreiro há um Gabinete de Apoio à Vitima

. 20% das vitimas de violência doméstica são homens e 80% são mulheres

“A violência no namoro é um estágio para a violência doméstica”, sublinhou Carlos Cameira, Chefe da Policia de Segurança Pública do Barreiro, no decorrer de um Colóquio sobre «Violência Doméstica» realizado na SFAL, no Lavradio

5 min de leitura
Violência Doméstica no concelho do Barreiro No ano 2014 foram registados 250 casos . Este ano já foram mortas 7 mulheres em Portugal

Por Jornal Rostos

Integrado nas Comemorações do Dia Internacional da Mulher, hoje à tarde, realizou-se na Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense, no Lavradio, um Colóquio tendo como tema «Violência Doméstica», uma iniciativa da União de Freguesias Barreiro e Lavradio.

Mulheres continuam a ter tratamentos diferenciados

Ana Porfirio, presidente da União de Freguesias do Barreiro e Lavradio, recordou que – “no mundo actual as mulheres continuam a ter tratamentos diferenciados”, embora, salientou, nos dias de hoje, a mulher desempenhe funções que outrora seriam não seriam aceites – conduzir um veículo pesado ou serem agentes da Policia.

Violência parte sempre da desigualdade de poder

Balbina Silva, da APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vitima- Setúbal, referiu que continua existir – “desigualdade entre os dois sexos”, acrescentando que – “não somos iguais mas temos que ter as mesmas oportunidades”.
Sublinhou que – “a violência parte sempre da desigualdade de poder”.
Recordou que – “ durante anos o homem não reconhecia os direitos da mulher”.
“Hoje a luta é com o homem”, disse, “uma luta que tem que ser o homem e a mulher lado a lado”.

Este ano já foram mortas 7 mulheres em Portugal

Balbina Silva, sublinhou que nos dias de hoje – “as pessoas ainda não conhecem os direitos que têm como mulher”.
Recordou que – “existem vários tipos de violência" e que, este ano, já foram mortas 7 mulheres em Portugal.
“Para chegar à morte houve um percurso de controle, de ameaças, de violência psicológica”, disse.
Referiu que actualmente, cerca de 20% das vitimas de violência doméstica é exercida por mulheres sobre homens – “mas 80% das vitimas são mulheres”, fruto, muitas vezes de “uma relação emocional que é dificil quebrar”.
Sublinhou que, nos dias de hoje – “há muitas mulheres que dizem não, há muitas mulheres que optam por mudar de vida”.

Associativismo promover a cidadania

Lurdes Sales, presidente da Direcção da Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense, recordou que durante muitos anos o tema da violência doméstica – “foi um assunto tabu”, mas, “nos dias de hoje as pessoas falam sobre esta matéria de forma aberta.
Referiu o papel do associativismo como espaço para viver a cidadania e neste contexto ter uma acção no divulgar e apoiar as mulheres e o debate dos seus direitos.

Violência Doméstica é crime público

Carlos Cameira, da Policia de Segurança Pública do Barreiro, recordou que a violência doméstica só a partir de Setembro de 2007 passou a ser reconhecido como “crime” e com uma moldura penal mais grave – “é crime público”.
Recordou que para além da “violência doméstica” há também a “violência no namoro”.
Salientou que ao nível do país, só há duas Comarcas, que possuem “um Procurador adstrito à violência doméstica”, no Barreiro e Setúbal.
Referiu que das queixas que são apresentadas na Policia de Segurança Pública – «algumas queixas chegam a Tribunal e são consideradas “injúrias” ou ofensas”.»

Na Policia do Barreiro há um Gabinete de Apoio à Vitima

Carlos Cameira, lançou o repto às vitimas para que apresentem queixas, e divulgou que existe na Policia de Segurança Publica do Barreiro um Gabinete de Apoio à Vitima.
Sublinhou que existe por parte da PSP um acompanhamento de casos, com inquéritos regulares, de forma a ser avaliado o nível de risco, numa articulação com o policiamento de proximidade.
Salientou que no ano 2014, no Barreiro foram registados 250 caos de violência doméstica, dois dos quais com homens e cinco em situação de namoro.
“A violência no namoro é um estágio para a violência doméstica”, sublinhou.

O ano passado em Portugal foram mortas 40 mulheres

A escritora Filomena Iria, autora do livro «(re)Contos de Violência Doméstica», sublinhou que a realização desta iniciativa no âmbito das comemorações do Dia Internacional da Mulher, é positivo – “tem quer ser assim” alertar e ir para além dos “bombons” no dia da mulher.
Referiu que o seu livro relata uma “experiência Vivida”, um relato que vai do “eu amo-te muito” até ao “medo”.
“Eu sentia que algo grave ia acontecer a qualquer momento”, recordou.
Sublinhou que perante a violência doméstica “não são só as vitimas que devem denunciar”, também “deve ser a comunidade”.
Recordou que o ano passado foram mortas 40 mulheres em Portugal.

Crianças e Idosos vitimas de violência

No decorrer do debate foi referenciado que a violência doméstica não é exercida apenas sobre as mulheres e os homens, hoje, registam-se casos de violência sobre crianças e idosos.
“As vitimas de violência doméstica podem contar com o apoio da Policia de Segurança Pública, durante 24 horas por dia”, referiu o Chefe Carlos Cameira.
Foi, referenciado o contributo do Gabinete de Apoio à Vitima da Cooperativa RUMO, cuja acção foi extinta pela inexistência de apoios ao nível governamental.
O nº de emergência para as vitimas de violência doméstica é o – 144.

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção