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Perspectivas

Barreiro - Teatro Projéctor com «A Familia Martins»(Re)visitar o PREC e pensar o tempo que vivemos

. Na SIRB «Os Penicheiros», hoje, dia 28 de Março e nos próximos dias 11 e 17 de Abril, às 21h30.

O Grupo de Teatro Projéctor do Barreiro, ontem – Dia Mundial do Teatro - estreou a peça «A Família Martins», de Carlos Coutinho, com encenação de Luciano Barata.

Uma peça de teatro que nos move para pensar o tempo vivido, os percursos, na dureza da realidade que acaba por ser sempre diferente dos sonhos, mas, que nos diz, cada um de nós, na sua individualidade tem, afinal, um papel na história e na forma como se sente, vive e constrói essa mesma história.

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Barreiro - Teatro Projéctor com «A Familia Martins» (Re)visitar o PREC e pensar o tempo que vivemos

Por Jornal Rostos

Quando vejo uma peça de teatro, uma das ideias que me ocorre, é aquela definição de António Pedro que – “teatro é como a pintura e a escultura uma arte no espaço”- o lugar onde os interpretes respiram e transmitem ao público as emoções, os sentimentos, as ideias.
Ontem ao ver a peça «A Familia Martins», essa noção seguiu-me ao longo das várias cenas, nos sucessivos ambientes, dispersos, como linhas orientadoras que moviam o espectador na descoberta do sentido da história.
Luciano Barata teve bastante criatividade na criação dos diversos espaços dramáticos, construindo as accções e dando-lhes uma continuidade narrativa que colocava o espectador numa sensação de quem está vendo teatro ou os planos de cenas de um filme.
Aliás, aquela projecção de texto de enquadramento das cenas, muito bem conseguida, até faz lembrar aqueles filmes antes do sonoro.
Uma boa encenação, que dá um contributo muito importante para valorizar o texto e criar arte no espaço.

Quanto à peça, ela é um desafio à memória, um reviver tempos que marcaram as gerações que viveram o 25 de Abril e o PREC, onde foram construídos sonhos e exageros, onde Portugal caminhou na busca de si próprio e que nos legou um dos seus mais importantes patrimónios a Constituição.
Um texto que, afinal, é, ou pode ser um pretexto para revisitar o PREC, os seus valores e conflitos.

Os intérpretes estão muito bem, vivem as personagens e sentem-nas. Nota-se, talvez, por ser estreia, algum nervosismo, uns papeis mais ou menos adquiridos, mas, no global, estão bem e desenvolvem-se em cena com ritmo e coerência.
Gostei do Joaquim Paulino, pareceu-me o mais seguro. Gostei da Maria João Quaresma, porque , aguentou-se nesta responsabilidade de assumir um papel central na peça. Diverti-me com o Carlos Alberto Correia e com a Mizé.
O Ricardo Gião, no papel de Rodrigo, é um momento alto de interpretação que, até, podia ser mais caricaturado. A Lilia Pinto tem coragem e assume com elegância a jovialidade da personagem.
Não queria individualizar, estas são, afinal, meras notas que me ocorrem ao pensar as sucessivas cenas.

A peça é muito exigente, coloca a cada personagem um grande desafio, de forma a não se sentir contradição entre o que dizem e o que apresentam em palco, mas, diga-se, o modelo de encenação encontrado, permite liberdade aos intérpretes, para que se sintam bem, respirem e enquadrem as personagens no contexto histórico e sociológico.
Cada interprete tem a responsabilidade de viver de forma intensa a sua personagem, porque a encenação dá tempo e espaço para que possam respirar.
É uma peça com forte conteúdo ideológico, com marca no tempo, que merece da parte do espectador que a veja, não apenas como uma leitura da história, mas como uma abordagem que lhe pode permitir (re) visitar o PREC e (re)pensar a história.

A iluminação e as musicas escolhidas enquadram perfeitamente os sucessivos quadros, por dentro das vivências da família Martins, onde as contradições de modos de estar e ser, de perspectivas de vida – ontem como hoje – são uma realidade intemporal.
Uma peça de teatro que nos move para pensar o tempo vivido, os percursos, na dureza da realidade que acaba por ser sempre diferente dos sonhos, mas, que nos diz, cada um de nós, na sua individualidade tem, afinal, um papel na história e na forma como se sente, vive e constrói essa mesma história.

O Projector com este seu trabalho, marcou o Dia Mundial do Teatro, demonstrando que está vivo e continua a ser uma referência na história do teatro barreirense e do papel do teatro como contributo para pensar e sentir a vida e o pulsar da comunidade.
Talvez por isso, o espectáculo termine com a palavra «esperança», esse conceito que nos coloca entre o sonho – do teatro – e a vida real, que, quer queiramos, quer não – ela move-se!

António Sousa Pereira

Ficha Técnica

Título Origina - “O Depomento da Familia Martins”
Época – 1975
Cartaz – Carla Alexandre
Apoio Técnico – José Palácio
Assistência de Encenação – Domingos Lobo
Encenação – Luciano Barata

Personagens – Inérpretes
Conceição Martins – Maria João Quaresma
Francisco Martins – Joaquim Paulino
Margarida Martins – Lilia Pinto
Amélia – Fátima Gonçalves
Alberto Martins – João Martinho
José Martins – Nuno Gonçalves
Rodrigo /Enfermeiro – Ricardo Gião
Mizé – Svetlana Manta
Gerente/ Telo – Carlos Alberto Correia
Almirante /Sub Chefe – Valter Soeiro

Esta nova produção do Teatro Projéctor, vai estar em cena na SIRB «Os Penicheiros», hoje, dia 28 de Março e nos próximos dias 11 e 17 de Abril, todos os espectáculos estão agendados para as 21h30.

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