Barreiro - Álvaro Beleza no Seminário da FRATER«Para mim o primeiro esquerdista foi Jesus Cristo»
. «Ser de esquerda é estar com os mais pobres»
“Não posso garantir que o Partido Socialista defende o Serviço Nacional de Saúde. Há no PS quem defenda o Serviço Nacional de Saúde, como eu, e há quem não defenda”, referiu.

Por Jornal Rostos
No decorrer do seminário Frater subordinado ao tema “Serviço Nacional de Saúde – Ontem, hoje. E amanhã?”, ontem à tarde, no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, Álvaro Beleza, Médico, Professor de Medicina Transfusional da Faculdade de Medicina - Hospital de Santa Maria, sublinhou que – “os impostos não são para engordar interesses privados”.
Lucro é contraditório com a prestação de melhor saúde
Recordou uma conversa que manteve com responsáveis do Grupo Mello, no local donde se avistava o Barreiro e no diálogo recordou que Alfredo da Silva criou indústrias, enquanto, agora o Grupo Mello aposta na saúde como área de negócio.
Sublinhou que Portugal precisa que os seus grupos económicos se dediquem à industrialização do país e não que se dediquem à área da saúde.
“Na saúde há contradição entre o lucro e o bem estar”, sublinhou Álvaro Beleza, acrescentando que – “o lucro é contraditório” com a prestação de “melhor saúde”.
Referiu que ver a saúde como área de negócio e de lucro – “agudizou-se com este último governo”.
Estamos a destruir o Serviço Nacional de Saúde
Álvaro Beleza referiu que em Portugal “pulverizamos” o sistema de saúde “com imensos subsistemas e interesses privados” situação que “mina” o Serviço Nacional de Saúde.
“Estamos a destruir o Serviço Nacional de Saúde”, disse.
“O Partido Socialista tem responsabilidade nisto quando esteve no governo”, sublinhou, referindo a acção do PS na criação de PPP’s e Hospitais empresa, na área da saúde – “abriu-se a caixa de pândora” com essas “experiências piloto”.
“Dentro do Serviço nacional de Saúde o país está pulverizado de vários subsistemas”, afirmou.
Reforço do Serviço Nacional de Saúde
“É preciso coragem de tomar uma decisão politica de reforço do Serviço Nacional de Saúde”, sublinhou e sobre a ADSE, sublinhou que – “não é sensato destruir o que está feito”.
Álvaro Beleza defendeu a necessidade de se “fortalecer o serviço público” caso contrário “pode-se acabar com o Serviço Nacional de Saúde”.
“Ser não houver travão a esta politica, acaba com em 20 ou 30 anos, com o Serviço Nacional de Saúde”, sublinhou.
Há no PS quem não defenda o SNS
“Não posso garantir que o Partido Socialista defende o Serviço Nacional de Saúde. Há no PS quem defenda o Serviço Nacional de Saúde, como eu, e há quem não defenda”, referiu Álvaro Beleza.
Divulgou que vai ser lançado um livro, no próximo Verão, cuja temática central será - “transformar o Serviço Nacional de Saúde numa verdadeira ADSE”.
Ser criada a figura de “Enfermeiro de Familia”
“As pessoas são tratadas como gado no Serviço Nacional de Saúde”, referiu Álvaro Beleza.
Defendeu a necessidade de ser criada a figura de “Enfermeiro de Familia”.
“Mais importante que cada português ter um Médico de Família, é ter o Enfermeiro de Familia”, referiu.
Sublinhou que o Serviço Público deve pagar de forma conveniente aos Médicos de Família – “não podemos deixar as pessoas à porta”.
“Dificilmente alguma vez serei Ministro da Saúde, se fosse seria assim, é isto que defendo”, sublinhou.
Na sua opinião é preciso que o Serviço Nacional de Saúde preste melhores serviços e deixar às pessoas a opção de escolha.
Há pessoas de partidos de esquerda que não são de esquerda
A propósito de esquerda e direta, Álvaro Beleza, salientou que “haverá sempre esquerda e direita”, acrescentando que – “há pessoas de partidos de esquerda que não são de esquerda”.
“Ser de esquerda é estar com os mais pobres. É defender quem está numa situação pior. Para mim o primeiro esquerdista foi Jesus Cristo, e outra figura que foi o Robin dos Bosques”, salientou.
Na sua opinião os partidos são – “mais agências de emprego” por essa razão, em Portugal, as coisas só vão mudar – “se mudarmos o sistema politico”, nomeadamente com “limites de mandatos”, a “criação de círculos uninominais” e “eleições primárias nos partidos”.
Álvaro Beleza defendeu que o IRS de todos os cidadãos fosse público, porque – “há muita fuga ao fisco em Portugal”.
Na sua opinião a recente polémica em torno do IRS vai contribuir para agravar a situação, parece que vivemos num clima de inquisição e pidesco - - “que não acabou 40 anos após o 25 de Abril”













