Luta pela Liberdade «Património imaterial do Barreiro»devia ser reconhecido de «interesse municipal»
Alfredo Matos, hoje, no decorrer do almoço promovido pelas Juntas de Freguesia do concelho do Barreiro, para assinalar os 41 anos do 25 de Abril, recordou que no dia 3 de Maio de 1970 – há 45 anos – o Barreiro viveu um dia de repressão que ficou na memória de muitos barreirenses.
“As lutas continuadas da população do Barreiro ao longo da ditadura são património imaterial da nossa memória colectiva da qual o Barreiro se orgulha”, afirmou Alfredo Matos.

Por Jornal Rostos
Alfredo Matos, ex- vereador da Câmara Municipal do Barreiro, ex-preso politico no regime fascista, recordou no decorrer do almoço que, hoje mesmo, dia 3 de Maio, são assinalados 45 anos, de um dia de luta da população do Barreiro e Moita.
O regime tinha medo do Barreiro
Nesse dia, referiu, “alta madrugada a PIDE assaltou oito casas, em Setúbal, Barreiro, Moita e Alhos Vedros” e prendeu oito pessoas.
Nesse mesmo dia, a população saiu à rua em protesto, registando uma acção policial de grande repressão.
Salientou, o facto de no Largo da Santa, no Alto do Seixalinho – hoje Largo 3 de Maio – a GNR ter entrado com os cavalos por dentro do Café Pilar, atingindo especialmente mulheres e crianças.
Alfredo Matos, considerou que este dia foi – “o mais elevado patamar da luta aberta ao regime fascista”.
“O regime tinha medo do Barreiro”, sublinhou.
Barreiro tem uma história de resistência
Alfredo Matos, recordou que – “o Barreiro tem uma história de resistência”, e neste contexto evocou as greves de 1943, em torno das quais foi vivido “um, clima de terror” que deu origem que o Barreiro vivesse até ao 25 de Abril de 1974 – “ocupado militarmente”.
Referiu as lutas do MUD Juvenil em 1956, as eleições de Humberto Delgado, em 1958, as lutas no 1º de Maio de 1962, as reivindicações da Comissão Interna de Empresa – CUF, o ano de 1964.
Recordou o petardo que rebentou, quando da inauguração da Estátua de Alfredo da Silva, em 1964, distribuindo folehtos, enquanto passava o Presidente da República, Américo Tomás.
Dias de luta nas colectividades
Recordou os dias de luta nas colectividades, nomeadamente a Jornada de Canto Livre, no Luso Futebol Clube em 11 de Novembro de 1967, com a presença de Zeca Afonso.
“Uma multidão em coro a cantar os vampiros”, sublinhou.
Referiu as eleições de 1969, com a vitória da oposição, nas três freguesias do concelho do Barreiro – Lavradio, Palhais e Barreiro.
“A CDE obteve 62% dos votos, enquanto a ANP obteve 38%”, disse.
Recordou o dia 3 de Maio de 1970, em sequência das prisões de Staline, na Moita; Leonel Coelho, em Alhos Vedros e Alfredo Matos, no Barreiro
“Julgados em Tribunal Plenário foram absolvidos”, disse.
Património imaterial do Barreiro
“As lutas do Barreiro ao longo da ditadura são património da nossa memória colectiva da qual o Barreiro se orgulha”, sublinhou Alfredo Matos.
Defendeu que deviam ser “identificados os locais” que são símbolos de luta – “um legado civico”.
Sublinhou que este é “um património imaterial do Barreiro” que devia ser defendido e valorizado até do ponto de vista da “economia local”.
Alfredo Matos, defendeu que as “memórias da resistência” mereciam o reconhecimento de “interesse municipal”.
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