Barreiro - «Caminhos de Cidadania» de Rosário VazTestemunho de uma «cidadania de inclusão»
Fernanda Afonso, autora do prefácio da obra, sublinhou que o livro de Rosário Vaz é – “a cartografia da viagem mais significativa”, “o contributo de uma vida”.

Por Jornal Rostos
O auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro estava repletos, desde familiares, a antigos alunos, colegas de profissão, amigos de um percurso de vida, que, neste dia prestaram um testemunho de amizade e partilharam a apresentação do livro “Caminhos de Cidadania”.
Uma estética confessional de cariz político-social
Fernanda Afonso, autora do prefácio da obra, sublinhou que a obra de Rosário Vaz traduz – “o alcance do seu percurso académico, cívico e politico”.
“Conheço muito a sua seriedade e gosto pelo combate, seriedade de intervenção politica e cívica que abraçou”, referiu.
Salientou – “recebi o livro com entusiasmo e perplexidade”, uma obra que disse reflecte – “uma estética confessional de cariz político-social” que conta a vida de Rosário Vaz – “contada pela própria”.
Uma obra que referiu é uma “autobiografia”, onde fala da sua infância, dos afectos familiares”, da sua decisão inabalável de prosseguir os estudos, o seu percurso de professora, o seu exercício da cidadania, com “relações de fraternidade”.
O contributo de uma vida
Referiu que Rosário Vaz – “acreditou sempre que é possível fazer coisas e modificar a realidade”, por essa razão “abraçou causas cívicas, culturais e politicas” vivendo “uma cidadania de inclusão”.
Sublinhou a sua intervenção na “recuperação do Barreiro Velho”, o seu desejo de lutar por – “ uma cidade com mais vida, mais cor, mais apelativa”.
Recordou que um dia Rosário Vaz apresentou na Assembleia de Freguesia, onde estava eleita como autarca do Bloco de Esquerda, uma proposta de “recuperação do Barreiro Velho” que não foi aceite.
Fernanda Afonso, sublinhou que a obra de Rosário Vaz é – “a cartografia da viagem mais significativa”, “o contributo de uma vida”.
Tornar público que foi pertença minha
Rosário Vaz, expressou-se “desconcertada” e
de “voz embargada”, agradecendo o apoio da editora que aposta na divulgação de novos autores, as palavras de minha amiga Fernanda Afonso e a Carlos Nunes, autor da capa da sua obra.
Referiu o seu atrevimento de “tornar público que foi pertença minha”.
Recordou os tempos vividos na Escola de Casquilhos, na Escola Alfredo da Silva – onde viveu os dias do 25 de Abril.
Sublinhou amizades que marcaram a sua vida no Barreiro – Fráguas, Carmo, Balseiro, Mariana e Manuela Fonseca que – “me receberam em suas casa como pessoa de família”.
Um testemunho de afectos e ternura
“O livro foi um desafio para mim própria”, salientou.
Recordou que após a sua aposentação no ano 2002, procurou adaptar-se – “a uma liberdade que me caiu na mão”.
“O que farei com o meu tempo?”, interrogou-se.
O livro nasce nessa pesquisa pelos dias, de arrumação de documentos, de recordações de sua intervenção cívica e escritos públicos na imprensa local, no Jornal do Barreiro, na Voz do Barreiro e no jornal «Rostos».
Sublinhou que “fihos não tive, mas várias vezes fui mãe, árvores plantei muitas e o livro partilhei”.
A sessão foi marcada por um momento de grande emoção – “o beijo dos sobrinhos”, muito aplaudido pelos presentes, num testemunho de afectos e ternura.
A encerrar viveu-se um momento musical .
S.P.
Sinopse:
"Do Alentejo, onde sempre volto e voltarei, para renovar as minhas raízes, cheguei ao Barreiro, hoje minha terra de adopção.
No Barreiro fiz um percurso, desenhei uma linha de vida, empenhei-me pessoal e profissionalmente.
Pelo meio fica toda uma vida muito cheia de coisas eventualmente menos boas mas, certamente, em muito maior número, os momentos que não quero esquecer.
É interessante verificar como, quase sem me dar conta, fui arrumando interiormente a caixa das recordações!
Caminhos de Cidadania é isso mesmo, o testemunho das minhas deambulações por trilhos que fui percorrendo com gosto e dedicação.
….a produção deste pequeno livro tem para mim um significado muito especial: a construção de um discreto olhar, procurando cruzar emoções, sentimentos e conflitos. "
Biografia:
Maria do Rosário Guerreiro Vaz nasceu no Alentejo, Vila Nova de Milfontes, em 1945.
Frequentou o Curso do Magistério Primário, na Escola do Magistério Primário de Lisboa, de 1962 a 1964 e, durante nove anos, lecionou neste nível de ensino.
Licenciou-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, em 1977, e deu aulas no Ensino Secundário durante doze anos, nas Escolas Secundária Alfredo da Silva e Secundária dos Casquilhos.
Exerceu funções docentes, durante dezassete anos, na Escola Superior de Educação de Setúbal onde prestou Provas Públicas para Professora Adjunta, na área científica de Literatura Portuguesa/Didática da Literatura.
Co-autora de obras de âmbito científico-pedagógico, tais como, entre outras, o “Programa de Didática do Português”, editado pela Universidade Aberta e “Módulos Interdisciplinares para o 4º Ano do Ensino Básico – O Lugar e as Viagens”, editado pela ESE de Santarém.
Foi Coordenadora do Projeto “APRI, um Projeto Organizador de Dinâmicas Locais”, nos concelhos de Alcochete, Barreiro, Moita e Montijo.
Tem apresentado comunicações a nível nacional e internacional na área da Língua Portuguesa, da Literatura Infanto-Juvenil e da Literatura Portuguesa.
É professora aposentada desde o ano de 2002
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