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Perspectivas

«As Pedras e as Palavras» de Galopim de Carvalho apresentado no Barreiro«Em Portugal não temos sabido valorizar a importância do nosso solo»

Hoje à tarde, na Escola Álvaro Velho, no Lavradio, concelho do Barreiro o Professor Doutor António Galopim de Carvalho, no decorrer da apresentação do seu último livro «As Pedras e as Palavras», afirmou que – “em Portugal não temos sabido valorizar a importância do solo”.

“Constroem-se fábricas em solos orgânicos”, salientou.

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«As Pedras e as Palavras» de Galopim de Carvalho apresentado no Barreiro «Em Portugal não temos sabido valorizar a importância do nosso solo»

Por Jornal Rostos

O prestigiado geólogo, este hoje à tarde, na Escola Álvaro Velho, no Lavradio, Barreiro, no âmbito de uma acção promovida pelo Grupo da Disciplina Ciências Naturais 88º ano) e do projecto «Ciência na Escola», financiado pela Fundação Ilidio Pinto em articulação com a Biblioteca Escolar e o Clube Ecoamigos da Natureza.

Planos Directores Municipais não se dá a devida atenção à importância dos solo

Galopim de Carvallho referiu que na elaboração dos Planos Directores Municipais não se dá a devida atenção à importância dos solos.
Na sua opinião as matérias de ordem financeira, no mundo de hoje, sobrepõem-se aos interesses de preservação dos solos como riqueza da humanidade.
Referiu que “os países pobres em vez de criarem riqueza, criam ricos”.
“Está-se, actualmente, a investir na plantação de cereais para depois os transformar em combustível”, sublinhou.

As pedras foram o meu mundo

Galopim de Carvalho sublinhou que o seu livro - «As Pedras e as Palavras» é o fruto de alguns anos de artigos e crónicas que espelham – “são 50 anos de actividade docente nos quais” e “as palavras a forma de as especificar”.
Referiu que as «pedras» são centrais na história do homem - «Pedro vem de Pedra. Pedro serás o suporte do mundo”.
Na sua obra recorda pessoas que marcaram a sua vida – Orlando Ribeiro ou Carlos Pinto Coelho.

Apanhei azeitonas

Numa conversa informal, aberta, como quem conta um conto, Galopim de Carvalho falou de seu percurso de vida, partilhou memórias.
“Sei fazer queijo, sei por meias solas nos sapatos. A minha primeira profissão foi carpinteiro. Fiz de tudo em criança. Apanhei azeitona. Fui acumulando experiências no meu alentejo”, afirmou.
Recordou que o seu primeiro livro – “O cheiro da madeira” – tem esse título por recordar o seu tempo de “aprendiz de carpinteiro – “ainda hoje sinto o cheiro da resina”.

Fui mau aluno na escola

“Fui mau aluno na escola. Levei reguadas por dar erros. Odiei o meu professor. Nunca mais lhe falei. Fiquei muito magoado”, Galopim de Carvalho, recordava, como quem conversa com um grupo de amigos, a sua história de vida.
“Detestei sempre a escola. Tive sempre uma relação sempre difícil com a escola”, sublinha.

Foi assim que ganhei o bichinho pela Geologia

Refere quando frequentava o Liceu, em Évora, o professor Cassiano Viana, que o motivou à descoberta das pedras.
“Existiam caixotes cheios de pedras, que eram oferecidas pelas Minas ao Liceu. Começámos a limpá-las e classifica-las. Foi assim que ganhei o bichinho pela Geologia”, salientou.

Estive lá 40 anos

Veio para Lisboa estudar, não para Geologia, mas para «Ciências Biológicas».
“Era adolescente, vindo da província, deslumbrei-me com a cidade e estampei-me. Chumbei”, recorda.
Seguiu-se a vida militar. Correu o risco de conhecer a prisão de Penamacor para onde iam presos militares que expressavam oposição ao regime.
Casou, com uma professora primária – “a família em Évora não tinha gostado muito do casamento. Eu era o marido da professora”.
No ano de 1961 conclui a sua Licenciatura em Ciências Geológicas. Apresenta teses de doutorado na Sorbonne, em Paris e conclui o doutoramento em Geologia na Universidade de Lisboa em 1968.
Dedica-se à investigação. Lecciona na Universidade de Lisboa – “estive lá 40 anos”.

Todas as manhãs escrevo

Hoje, com 84 anos, dedica-se à escrita, refere que foi inspirado por Zélia Gatai, mulher de Jorge Amado.
“Todas as manhãs escrevo. À noite durmo frente à televisão”, diz com um sorriso.
“As pedras e as palavras, são a súmula do que fui escrevendo”, refere.
Sublinha o facto de o seu raciocínio ser mais rápido que a capacidade de o expressar nas teclas do computador.

Projectos de novos livros

Bem disposto, Fala da vida e dos seus projectos futuros.
“Estou a escrever dois livros. Um sobre a geotoponímia. Uma pesquisa sobre a origem geológica dos nomes das nossas terras”, diz.
“O outro é um livro, com uma conversa de «Avô e Netos» sobra as ciências. Dá-me prazer imenso conversar as crianças. Converso com os meus netos sobre as ciências, partindo dos programas escolares”, sublinha.

Não sei a idade que tenho

“Não sei que idade tenho. Mas, quando entro no carro, sim, aí, eu sei”, salienta, num final de conversa, onde se cruzou a vida, o homem e a ciência.
Galopim de Carvalho, nasceu em Évora, no ano de 1931, desenvolveu uma intensa actividade pedagógica ao nível universitário formando várias gerações. Desenvolveu importantes estudos e trabalhos científicos, assim como séries de divulgação cientifica nas televisões nacionais. É um afigura de referência nacional ao nível da Geologia.

As Palavras e as Pedras

As palavras e as pedras foram fundamentais pela minha passagem por este mundo, refere no seu livro.
Recorda que as pedras “permitem contar a história da vida”, das cavernas – onde eram a mais importante matéria prima, até ao erguer Palácios dos Romanos ao Renascimento, até às calçadas das ruas que hoje pisamos.
As pedras estão na cal das casas do Alentejo ou do Algarve até aos vitrais de urânio.
Quanto às palavras sublinha – “usei-as falando e escrevendo” na Universidade e na divulgação cientifica./>
“As palavras divulgam o pensamento que fica para além do seu tempo”, afirma.

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