Barreiro - Colóquio dos Jovens Filósofos«Sente-se o pensamento filosófico presente e muito forte»

Por Jornal Rostos
O Grupo de Filosofia da Escola Secundária de Casquilhos promoveu na Escola Superior de Tecnologia do Barreiro, o 9º Colóquio dos Jovens Filósofos.
Esta iniciativa é uma referência cultural e pedagógica no concelho do Barreiro, na região e com projecção em diversas escolas no país.
Pensam. Equacionam. Têm atitude critica
Luis Manuel Bernardo, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, recordou a importância desta iniciativa, a qual conta com a colaboração do Núcleo de estagiários de Filosofia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas.
Luis Manuel Bernardo, manifestou o seu agrado pela forma como os alunos expõem as suas ideias, a “capacidade de argumentação” e a “preciosidade deste jovens pela formam com lidam com os textos”.
“Sente-se o pensamento filosófico presente e muito forte”, sublinhou.
“Trabalho em Filosofia há 30 anos e sinto-me confortável a ouvir estes jovens. Pensam. Equacionam. Têm atitude critica”, afirmou.
Referiu a importância de “uma sociedade ter pensamento próprio” e, considerou que esse sentimento foi afirmado no decorrer do Colóquio.
Aniquilar as relações sociais incomodou-me
Matilde Silva, da Escola Secundária de Faro, abriu a sessão da tarde, com uma apresentação do texto de Fernando Pessoa – O Banqueiro Anarquista.
Recordou que ser anarquista é estar contra qualquer instituição e afirmar a Liberdade.
Quanto ao ser Banqueiro, este, disse, representa a mais poderosa instituição controlada pelo dinheiro.
Como pode ser anarquista e ser Banqueiro? – interrogou.
Refere que a angústia de ser pobre levou o banqueiro a assumir uma posição social,
Referiu que o ser anarquista é próprio da natureza do homem, mas a tirania que nasce no ambiente humano, perverte as qualidades naturais do homem.
Por essa razão o banqueiro-anarquista opta por “libertar-se a si mesmo” ao “tornar-se banqueiro” e “ter dinheiro”.
“Este é um livro irónico” – comentou.
Salienta que Fernando Pessoa, através desta obra “questiona as ideologias”, o “individualismo” procurando desmontar as “ficções sociais”.
“Aniquilar as relações sociais incomodou-me”, sublinha Matilde Silva.
Recordou a importância da solidariedade nas relações humanas – “o ser humano comete actos de solidariedade e de egoísmo”.
“Liberdade o que é?” – interrogou.
“Depende da prioridade de cada um, depende da sociedade em que vivemos”, disse.
“A Liberdade não é fácil”, sublinhou, acrescentando que – “não devemos almejar por ter uma sociedade perfeita”
“Nós somos oprimidos pela Lei”, disse.
“Não é uma politica que nos leva à Liberdade, porque uma politica não satisfaz todas as necessidades”, disse.
“Este é um livro para ler, porque nos faz pensar. É um conto de raciocínio”, sublinhou.
Há uma consciência escatológica, a ideia de um fim
Frederico Oliveira, da Escola Secundária de Casquilhos, falou sobre a obra de George Steiner – A ideia de Europa.
Uma obra que salientou parte de cinco axiomas para definir Europa: o café, Atenas e Jerusalém; a paisagem, as ruas e as pessoas.
O Café – o local de encontro de poetas e escritores, de artistas e intelectuais.
Atenas e Jerusalém – a cultura do cristianismo e do judaísmo.
A Paisagem – um espaço onde todos os países estão ligados entre si.
As ruas – que são nomeadas com nomes de pessoas e são memória de passado, enquanto, nos Estados unidos são numeradas ou referências a paisagens.
“Há uma consciência escatológica, a ideia de um fim”, sublinhou.
Recordou que na obra é referenciado Max Weber – estabelecendo a ponte entre religião e ciência e Edmund Husserl, que cruza filosofa e civilização.
Frederico Oliveira. referiu que na obra os “problemas da europas” são salientados a partir da “disseminação de linguagens, o esquecimento das línguas e as lutas pelas suas línguas.
Recorda a presença do Cristianismo e do antissemitismo.
Ficções sociais não são naturais
Marina Verissimo, da Escola Secundária de Casquilhos, também comentou o texto de Fernando Pessoa – O Banqueiro Anarquista.
Recordou que foi uma obra escrita no ano de 1922, por – “um homem lúcido”.
“Ser ou não ser anarquista?” – interrogou, esclarecendo que – “o anarquista torna-se banqueiro para ser mais rico e ser o mais livre”.
Referiu que o anarquista – “é um ser inquieto que procura uma sociedade mais igualitária”, pensa “a esperança em nós e nos outros, com responsabilidade e a “realização da liberdade plena”.
Salientou que as “ficções sociais não são naturais. O dinheiro é uma ficção social”.
Recordou que o “ser natural” é “naturalmente bom ou mau”, acrescentando que através da liberdade – “o outro tem os mesmos direitos”.
Tese da morte da filosofia está descontextualizada
Ricardo Sousa, da Escola Secundária de Casquilhos, comentou a obra de Daniel Innerarity – A Sociedade Invisível.
Começou por salientar que esta obra é uma proposta de reflexão sobre a sociedade – “compreender a sociedade” partindo de duas ideias-força: “a preponderância da filosofia” e a “morte da filosofia”, numa análise sobre a filosofia no século XXI.
Sobre a preponderância da filosofia recordou que – “ o mundo como o conhecemos é demasiado polemizado” que nos coloca perante “um precipício”.
Referiu a importância do “acesso à filosofia” e o sentido de “problematizar”.
Sublinhou que há aqueles que desconhecem e “não sabem o que é a filosofia”.
“A filosofia tem um papel preponderante na nossa condição humana”, disse.
Comentou o facto de vivermos num “mundo padronizado” que – “retira-nos a nossa capacidade de ser”.
No que se refere à “morte da filosofia”, recordou que – “existem questões que não podem ser solucionadas ou respondidas pela ciência”
“A filosofia faz com que existam alicerces na ciência”, sublinhou.
“A tese da morte da filosofia está descontextualizada da realidade”, afirmou.
Recordou que – “as respostas são antecedidas de perguntas”.
“A Filosofia é a mãe da ciência”, acrescentou.
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