Romance «Concerto para Sanca João» de Carlos Alberto Correia escritor do Barreiro«Um livro que diz respeito a todos nós»
Ontem à tarde, na Livraria Desassossego, em Lisboa, realizou-se o lançamento do romance «Concerto para Sanca João», de Carlos Alberto Correia.
“Escreve o romance para explicar como uma geração foi levada à guerra e depois voltou as armas contra o regime e na defesa de outros valores” , sublinhou Ana Garrido, na apresentação da obra.

Por Jornal Rostos
Foram muitos os amigos que marcaram presença no lançamento do primeiro romance de Carlos Alberto Correia.
Ana Garrido, que apresentou o romance «Concerto para Sanca João», sublinhou que este – “é um livro que diz respeito a todos nós”, uma obra que “fala da realidade” que pessoas com 60 e 70 anos conhecem “porque viveram e compreendem”,
Recordou que no livro vive-se o sentimento do tempo em que “as pessoas reúnem-se em cafés”, Um tempo em que “a telefonia é importante”, um tempo que “há censura, há Pide e há guerra colonial”.
“São muitas coisas que estão neste romance”, sublinhou.
O livro é excelente. É um livro que comove
Ana Garrido expressou a sua felicidade de partilhar este dia com Carlos Alberto Correia – “um dia marcante na sua vida” que, “é também um dia grande para mim”.
“Sinto-me bem, aqui com imensos amigos. Fui acompanhando o evoluir do livro. Meti a colher. Esta vírgula não” , referiu, partilhando a cumplicidade com o autor.
“O livro é excelente. É um livro que comove”, afirmou.
Explicar como uma geração foi levada à guerra
Ana Garrido, recordou que Carlos Alberto Correia, nasceu em Évora e que “viveu sempre em Portugal”, foi militar na Guiné, durante a Guerra Colonial, trabalhou em Publicidade e Recursos Humanos e é licenciado em Antropologia Cultural.
“Escreve o romance para explicar como uma geração foi levada à guerra e depois voltou as armas contra o regime e na defesa de outros valores. Transforma oficiais do exército português em revolucionários que conduziram ao 25 de Abril”, sublinhou.
A obra está trespassada por música
Ana Garrido, referiu que o prólogo da obra “é um conto” que introduz no contexto do romance.
O livro tem no título “concerto”, salientou – “porque a obra está trespassada por música”.
“No inicio de cada capítulo há a inclusão de um trecho musical, que surge como tema do capítulo”, disse.
E recordou a canção «Quando Calienta el sol», de Betty Berckley, de 1967.
A obra é composta pelo Prólogo, depois conta com 19 capítulos que Ana Garrido define de «convergência» e 19 capítulos de «divergência» e fecha com o Epílogo.
O espaço temporal da obra estende-se dos anos 60 nas vivências da Guerra Colonial até ao 25 de Novembro de 1975.
“É um livro que fala da vida e fala do sistema politico”, disse.
Cumpre-se hoje um desejo com muitos anos
Carlos Alberto Correia, agradeceu a Ana Garrido e Fernanda R. Afonso, que acompanharam a evolução do romance e deram sugestões.
Também a Mariana Ambrósio, a José Paula Santos e ao pintor Kira – a Comissão Permanente de Leitura – que lhe deram ânimo.
Sublinhou a excelente capa de Pedro Correia que – “reflecte nela a essência da narrativa”.
“Cumpre-se hoje um desejo com muitos anos de espera”, sublinhou.
Recordou que este era um projecto que sonhou quando regressou da Guerra Colonial, que não nasceu mais cedo por falta de tempo e disponibilidade – “mas tinha esta tarefa para executar”.
O homem na história e a história no homem
Carlos Alberto Correia salientou que o seu romance foi escrito com uma “densidade emocional”, construindo personagens com “pessoas particulares”, mas personagem de “corpo inteiro só há um Sanca João”.
Recordou que a música que abre cada capítulo – “remete para imensos afectos”.
Este é um livro, disse, no qual está – “o homem na história e a história no homem”.
A encerrar foram lidos extractos do livro pelo Apolinarte Associação Teatral – Abilio Apolinário, Mário Durval, Elsa Barata.
Recorde-se que no dia 3 de Julho, pelas 18 horas, será também efectuada a apresentação do romance «Concerto para Sanca João», na Biblioteca Municipal do Barreiro.













