Rui Garcia, presidente da Câmara Municipal da MoitaAbstenção é preocupante manifestação do afastamento do exercício da cidadania
“Vivemos num concelho e numa região marcados pela devastação causada pelo desemprego e pelo empobrecimento que a quase todos atingiu, resultante da diminuição de salários e pensões, do corte de prestações sociais, do aumento de impostos”, referiu Rui Garcia, presidente da Câmara Municipal da Moita, esta manhã, no decorrer da Cerimónia Pública de Atribuição de Medalhas Municipais, que marcou o Dia do Municipio.

Por Jornal Rostos
O Dia do Município, Feriado Municipal da Moita, assinalou-se, hoje, dia 15 de setembro, a data escolhida para distinguir, anualmente, personalidades, empresas, movimento associativo ou outras entidades que, pelos mais variados motivos, contribuíram para a elevação do nome do Município da Moita.
A Cerimónia Pública de Atribuição de Medalhas Municipais decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho.
Medalhas não resultam de ganhar alguma competição
Na intervenção de abertura, Rui Garcia, Presidente da Câmara Municipal da Moita, salientou que – as medalhas não resultam de ganhar alguma competição ou chegar primeiro a algum lugar. De facto, para receber uma destas medalhas é preciso algo muito mais importante e difícil do que isso: é preciso ter feito algo de relevante em prol da nossa comunidade.
De maneiras diferentes, em áreas diversas, em contextos que variam, o que une os homenageados de hoje e todos os anteriores é o de terem deixado uma marca sentida e reconhecida no nosso Concelho. Esta homenagem que a Câmara Municipal promove é afinal a consequência de um sentimento consolidado nos meios em que os homenageados intervêm, seja ao nível local ou no âmbito da sua atividade, de que o que fazem é importante e destaca-se pelo impacto positivo que tem na vida da comunidade.”
Os homenageados
O autarcas sublinhou que eram homenageadas duas associações, o Clube de Futebol “Os Barulhentos” e o Clube Recreativo do Penteado.
Por outro lado referiu que “o tecido económico é tão importante como qualquer outro elemento da sociedade” sendo neste âmbito homenageado o Café Fragata um referência do “carácter identitário para a comunidade”.
Rui Garcia salientou, também a homenagem Carlos Picado que “leva 50 anos de Bombeiro Voluntário. Por isso devemos-lhe um agradecimento”.
Elevados níveis de abstenção
O presidente da Câmara Municipal da Moita, referiu que sendo “o Dia do Município é marcado pelas homenagens”, este momento é também “a oportunidade de dedicar alguma atenção à atualidade social e política, até tendo em atenção que daqui a pouco mais de duas semanas os portugueses são chamados a eleger os seus 230 representantes na Assembleia da República, que serão a base do novo governo”.
“A proximidade do acto eleitoral levanta primeiro que tudo a questão da participação dos eleitores. Os elevados níveis de abstenção que se têm verificado, e que se teme voltem a repetir-se, são uma das mais preocupantes manifestações do afastamento de muitos portugueses do exercício efetivo da cidadania.”, salientou Rui Garcia.
Muitos podem afastar-se da política, mas a política não se afasta deles.
“A questão é que muitos podem afastar-se da política, mas a política não se afasta deles. Política significa, para muita gente, na melhor das hipóteses apenas a produção legislativa, as opções de governação, as escolhas eleitorais, a atividade partidária e, para muitos outros, o que é mais grave, um mundo povoado de gente desonesta, corrupta ou no mínimo incompetente, como a comunicação social dominante não deixa de mostrar, antes, durante ou depois das telenovelas, embora, verdade seja dita, demasiados exemplos nas mais altas esferas se encarreguem de o ilustrar”, afirmou.
Na política não são todos iguais
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“O que pode passar despercebido é que é também a política que determina a legislação laboral que nos rege e as condições salariais, os impostos que se pagam, os serviços de saúde a que temos acesso e o sistema de ensino que os nossos filhos frequentam, as reformas que vamos, ou não, ter, e mais um imenso etecetera que abrange todas as esferas da nossa vida. É na esfera política que se estabelecem as regras que condicionam o nosso viver em sociedade, por isso, não participar, não querer saber, abster-se, não é, na minha opinião, outra coisa senão uma fuga à necessidade de fazer opções, é deixar que sejam outros a tomar as decisões que a cada um dizem respeito e que têm inevitáveis consequências na vida de todos. E não, na política não são todos iguais. Só são todos iguais aqueles que forem deixados de rédea solta em consequência do alheamento crescente do povo”, disse Rui Garcia.
Uma opção consciente em defesa daquilo que cada um deseja
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“Por isso, em pleno período eleitoral, não posso deixar de apelar ao voto de todos, porque a opinião de cada um, expressa nesse simples papelinho, é necessária e insubstituível.
E que o voto resulte de uma opção consciente em defesa daquilo que cada um deseja para si, para a sua família, para a sua comunidade. Por isso, é importante que este período seja aproveitado para refletir um pouco. Tomo a liberdade de sugerir algumas hipóteses de reflexão”, acrescentou o presidente da Câmara Municipal da Moita.
Opções eleitorais que defendam e reforcem o Poder Local Democrático,
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“Como autarca, devo referir em primeiro a importância do Poder Local. Nos quarenta anos do nosso regime democrático, as autarquias desempenharam um papel único na melhoria da qualidade de vida da população e são hoje responsáveis por alguns dos mais importantes serviços públicos. Importa pois refletir sobre o caminho de empobrecimento e asfixia da capacidade das autarquias, que tem sido seguido, e ter opções eleitorais que defendam e reforcem o Poder Local Democrático”, afirmou.
Um ato em defesa do Serviço Público
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“Também as funções sociais do Estado e os serviços públicos que lhe dão corpo têm sofrido um processo de degradação acentuada, bem evidente na situação da Saúde, da Educação e da Justiça. Então, o voto pode e deve ser também um ato em defesa do Serviço Público e de um Estado que garanta as funções sociais que a Constituição lhe atribui”, disse.
No ato de votar podem e devem estar presentes a revolta
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“Vivemos num concelho e numa região marcados pela devastação causada pelo desemprego e pelo empobrecimento que a quase todos atingiu, resultante da diminuição de salários e pensões, do corte de prestações sociais, do aumento de impostos”, referiu Rui Garcia.
“No ato de votar podem e devem estar presentes a revolta, a indignação, a vontade de mudança, que muitos carregarão. Para esses, aliás para todos, a aspiração à felicidade, a ambição de um País governado para o seu povo e não a oligarquia, podem e devem ser o facto determinante para uma escolha, liberta de medos, de fatalismos e de falsas inevitabilidades”, acrescentou.
Um País melhor estão ao alcance da nossa vontade
“O progresso do nosso País conquistado com o 25 de Abril, as conquistas alcançadas pelo Poder Local Democrático, bem como o exemplo daqueles que hoje homenageamos, levam a que, quer enquanto cidadão, quer como Presidente de uma autarquia, acredite e guie a minha atuação na convicção de que um Concelho e um País melhor estão ao alcance da nossa vontade e do nosso esforço”, afirmou a finalizar o presidente da Câmara Municipal da Moita.













