Nuno Roque, presidente da Direcção do Núcleo de Árbitros do Barreiro«O nosso núcleo é o mais antigo do país, com personalidade jurídica»
“O Núcleo do Barreiro é aquele que mais árbitros tem formado a partir dos processos de captação". referiu Sousa Marques,Presidente da Associação de Futebol de Setúbal.

Por Jornal Rostos
Ontem à noite, no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, realizou-se a Sessão Evocativa do 50º aniversário da fundação do Núcleo de Confraternização dos Árbitros de Futebol do Barreiro.
Árbitros das origens do Núcleo eram ferroviários
Nuno Roque, presidente da Direcção, salientou a importância da criação do Núcleo há 50 anos, o qual deu um contributo na “organização e na formação dos árbitros”.
Recordou que a criação do Núcleo resultou das características próprias o Barreiro, com fortes vivências associativas.
Sublinhou que existiam muitos árbitros no Barreiro e na região, porque os ferroviários tinham facilidades de transporte e, era nesse meio, que eram recrutados ao longo do tempo os candidatos.
“Muitos dos árbitros das origens do Núcleo eram ferroviários”, disse.
Mais antigo do país, com personalidade juridica
O presidente da Direcção do Núcleo de Árbitros do Barreiro salientou – “o nosso núcleo é o mais antigo do país, com personalidade juridica”.
Recordou Mário Mendonça como o homem que deu a ideia de transformar as “reuniões avulsas” regulares que os árbitros faziam, ou em colectividades, ou em cafés, num núcleo estruturado.
Referiu o antigo Café Términus como o local de encontro mais regular e tendo sido aí que foram lançadas as bases de criação do Núcleo.
Salientou que a renda da primeira sede foi paga pelo árbitro Marques Pires.
“Se estamos hoje aqui deve-se ao trabalho de todos eles que foram os fundadores do Núcelo”, sublinhou.
Convidados para o centenário
“Esta data histórica merecia outro tipo de evento, mas todos nós trabalhamos e temos a arbitragem.
Prometo no centenário, se ainda cá estiver na presidência da Direcção, fazer um grande evento. E desde já estão todos convidados”, afirmou.
Uma nota que mereceu sorrisos e comentários diversos da plateia, num clima de boa disposição e amizade.
Tenho orgulho de ter sido árbitro
Alberto Helder, membro da Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Futebol e da Secretário da APAF, falou dos tempos de “romantismo” da arbitragem, comentou o papel do Núcleo de Árbitros do Barreiro, como exemplo para o país.
Recordou que na arbitragem – “hoje os interesses são outros”, muito diferentes daqueles tempos em – “se pagava do próprio bolso para ser árbitro”.
Referiu a sua actividade como formador de árbitros – “Sou um formador orgulhos dos árbitros que ajudei a formar. E tenho orgulho de ter sido árbitro”.
Lamentou que a arbitragem em Portugal – “continue a ser uma despesa e não ser considerada como um investimento”.
Aos jovens árbitros deixou um conselho – “Vejam muitos jogos ao vivo e se não puderam ao vivo vejam na televisão. Aprende-se vendo”.
Prémio MEL
Alberto Helder, edita um blogue dedicado à causa do futebol e da arbitragem.
Anualmente atribui três prémios MEL e três prémios FEL.
Este ano atribuiu um dos prémios - «Prémio MEL» - ao Núcleo de Confraternização de Árbitros de Futebol do Barreiro.
Não deixem cair os CAT ‘s
Rui Macau, do Conselho de Arbitragem de Setúbal, e ex- presidente do Núcleo do Barreiro, referiu que o trabalho realizado pelo Núcleo de Árbitros do Barreiro – “está à vista, é um núcleo dinâmico ”.
“Ao nível da formação o Núcleo tem feito um trabalho muito importante, com frutos visíveis ao nível regional e nacional. O Núcleo tem feito um importante trabalho de recrutamento, quer para os árbitros de futebol, quer do futsal ”, disse.
Referiu que apesar de hoje a formação dos árbitros passar pela Academia – “que é central na formação”, na sua opinião – “os núcleos não devem deixar cair a formação que é dada na base, não deixem cair os CAT ‘s – Centros de Apoio Técnico”.
Processo exigente de formação dos árbitros
Sousa Marques, presidente da Associação de Futebol de Setúbal, teceu elogios aos fundadores do núcleo, homens que tiveram, há 50 anos, uma visão de futuro.
Recordou que muitos ferroviários vieram para a arbitragem devido à facilidade de transportes.
Salientou que os tempos de hoje são diferentes e que – “a Academia à parte defeitos, tem virtudes”, porque, disse, “há um processo exigente de formação dos árbitros”.
Sublinhou que os Núcleos têm um papel importante na formação e captação – “têm um papel importante em todo o país, temos que agradecer a captação aos núcleos, que é feita porta a porta”.
“O Núcleo do Barreiro é aquele que mais árbitros tem formado a partir dos processos de captação. Fazem um importante trabalho de recrutamento”, disse.
Coragem de decidir e decidir com independência
Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, saudou todos aqueles que ao longo de 50 anos contribuíram para manter vivo o Núcleo de Árbitros do Barreiro.
“A vida é um conjunto de avanços e recuos, e todos temos que nos adaptar aos tempos e circunstancias”, disse.
Salientou a importância do trabalho de formação realizado pelo Núcleo – “formação de seres humanos homens e mulheres, que têm que ter capacidade de decidir, em situações de pressão psicológica e às vezes até fisica”.
Referiu que os árbitros devem ter – “coragem de decidir e decidir com independência, não escolher entre o preto e branco, mas saberem que entre o preto e branco, há diversas tonalidades“.
Não penso que o associativismo está em crise
O presidente da Câmara Municipal do Barrei, recordou o papel do movimento associativo no concelho do Barreiro, sublinhando que o Barreiro seria uma terra muito diferente se não contasse com a sua vida associativa
“Não penso que o associativismo está em crise. O associativismo vai-se transformando” disse.
Referiu que as associações devem “prestar serviços”, foi sempre isso que fizeram ao longo dos tempos – “nem que seja proporcionar um espaço aos associados jogar às cartas e falar mal do presidente da Câmara”.
Aprendi a ser homem na arbitragem
Inácio Almeida, Presidente da Mesa da Assembleia Geral encerrou os trabalhos, recordou diversas memórias da sua longa carreira e da história do núcleo, assim como de metodologias de formação.
“Os árbitros têm que saber falar em público”, sublinhou.
Por essa razão, referiu que se faziam acções direccionadas para o uso da palavra no decorrer da formação.
O Núcleo prestou uma homenagem aos árbitros fundadores, sendo entregue uma placa de agradecimento e reconhecimento.
Júlio Francisco, ex-ferroviário, um dos homenageados, recordou que entrou para arbitragem “por uma brincadeira” e “fiquei 15 anos”.
Comentou – “aprendi a ser homem na arbitragem, é bonito ser árbitro”.
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