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Perspectivas

Barreiro - Manuel Sobrinho Simões na Escola Alfredo da SilvaMaior parte das doenças não são por causas genéticas

. “Somos campeões da Europa em acidente vascular cerebral”

. «Apenas em 5% dos cancros conhecemos genes herdados causadores de cancro»

“Prevenção do cancro e das outras doenças: o comportamento é mais importante que a genética”, foi o tema da conversa do Patologista Manuel Sobrinho Simões, com os alunos de Ciências e Tecnologias, hoje à tarde, no Ginásio da Escola Alfredo da Silva.

Manuel Sobrinho Simões referiu que – “95% dos cancros são comportamentais”, são resultado do tabaco, da obesidade, do álcool, de hábitos alimentares, do ambiente.

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Barreiro - Manuel Sobrinho Simões na Escola Alfredo da Silva Maior parte das doenças não são por causas genéticas

Por Jornal Rostos

A convite dos professores de Biologia e Geologia, o patologista Professor Manuel Sobrinho Simões, marcou presença na Escola Básica e Secundária Alfredo da Silva, onde, no ginásio da escola, conversou com os alunos de Ciências e Tecnologias, sobre o tema “Prevenção do cancro e das outras doenças: o comportamento é mais importante que a genética”.
Recorde-se que Manuel Sobrinho Simões foi recentemente eleito como o patologista mais influente do mundo, pelos leitores especializados da revista The Pathologist.
Maior parte das doenças não são por causas genéticas
Um Ginásio repleto de alunos e professores assistiu com grande atenção à entusiástica palestra que decorreu de forma didáctica e divertida.
Manuel Sobrinho Simões começou por salientar que apenas 1% das doenças são devido a alterações genéticas, sublinhando que – “a maior parte das doenças não são por causas genéticas, devem-se aos comportamentos e ao ambiente”.
Referiu que no mundo “não estamos a observar um aumento das doenças genéticas”, mas as doenças “estão a aumentar devido ao ambiente e ao aumento de longevidade”.
Recordou que – em “5 % dos cancros os genes “causais” são herdados – genética hereditária -”, e que “10% dos cancros têm agregação familiar, mas não conhecemos os genes causais e por isso não lhes podemos chamar hereditários”.
“Se o avô ou o pai tiveram cancro da próstata o filho tem 80 vezes mais hipóteses de ter cancro da próstata do que os homens da mesma idade sem história familiar”, salientou.
Manuel Sobrinho Simões referiu que – “95% dos cancros são comportamentais”, são resultado do tabaco, da obesidade, do álcool, de hábitos alimentares, do ambiente.
Recordou que as possibilidades de cancro – “aumentam com a idade”, mas “o cancro das pessoas com muita idade não mata ninguém; às pessoas idosas que têm pequenos cancros devemos deixá-las sossegadas”.

Somos feitos de matéria, energia e informação

O patologista salientou que – “não há nada tão parecido connosco como os nossos cancros”, e é por essa razão que – “é difícil tratar um cancro, porque ele é igual a nós”.
“O cancro é um ser vivo multicelular”, referiu.
Sublinhou que todos nós – “somos feitos de matéria, energia e informação-adn”
“Que distingue um cancro meu de mim próprio?”, Interrogou.

O rato tem expressões parecidas com as nossas

Recordou que todos temos por aí uns 20 mil genes, que o arroz tem 50 mil genes, o macaco 20 mil genes e o rato na ordem dos 19.900 genes – “é quase igual a nós, a memória do rato é igual à nossa”.
“Sabem, o rato ri-se. O cérebro do rato, quando ri, ilumina-se nas mesmas áreas que o nosso quando nos rimos. O rato tem expressões parecidas com as nossas”, salientou. Quando se consegue aumentar a memória dos ratos eles entram em situações de stress e de dor crónica semelhantes às que ocorrem nos seres humanos. Referiu como as plantas sobrevivem perante situações de seca e de calor extremo – “desenvolvem mecanismos de sobrevivência”.
“No cancro encontram-se os mesmos mecanismos que são utilizadas na sobrevivência, porque o cancro é uma forma especial de ser vivo que ganha uma vantagem em relação a nós”, disse.
1/3 das mortes têm como causa o AVC
“Somos campeões da Europa em acidente vascular cerebral”, sublinhou Manuel Sobrinho Simões.
Recordou que somos 10 milhões de portugueses, que anualmente morrem cerca de 100 mil e, em tempos nasciam 100 mil por ano, agora nascem cerca de 90 mil.
Sublinhou que 1/3 das mortes têm como causa o AVC - acidente vascular cerebral e 1/4 são resultado de cancro.
Teceu um amplo esclarecimento sobre as tipologias das doenças – degenerativas e inflamatórias -. e focou as doenças civilizacionais – obesidade, diabetes, SIDA, Tuberculose, Depressão, entre outras.

Curam-se mais de 60% das pessoas com cancro

“O cancro é um clone dos nossos próprios tecidos, eficiente em termos de crescimento, capaz de invadir tecidos adjacentes”, salientou o patologista
Recordou que as células do cancro “invadem” e “não morrem” – “O cancro só morre quando nós morremos por causa dele, é a estupidez do cancro”.
“Se o cancro não morre ri-se de nós mas se provoca a nossa morte ele também morre (O cancro não é contagioso)”, comentou.
Sublinhou que – “curam-se mais de 60% das pessoas com cancro e morrem mais pessoas de AVC do que de cancro”.

Cancro começa sempre por uma célula

“O cancro não é um bicho, são as nossas células”, recordou, para referir as relações da doença com o ambiente e alimentação.
Recordou que existem “tumores benignos” que “não são invasores”, e “tumores malignos” , isto é “cancros” que são “invasores”.
“O cancro começa sempre por uma célula”, disse, devido a “alterações genéticas”, que, então, “ganha mais capacidade de crescer e sobreviver”.

Prevenir, prevenir, prevenir

O patologista, encerrou a sua brilhante «aula», marcada por um clima de grande comunicabilidade, alertando para a importância da “prevenção”, do “diagnóstico precoce”, do “rastreio”.
Recordou que é essencial “prevenir, prevenir, prevenir” ao nível da obesidade, da diabetes e de todas as outras “doenças civilizacionais”.

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