Xavier Rodríguez-Martín, Presidente Executivo da DSTelecom no BarreiroNa Europa perdemos a batalha da internet
Xavier Rodríguez-Martín, sublinhou que estamos a viver “um tempo excepcional”que coloca desafios políticos, sociais e económicos.
Na sua opinião, estamos a viver a sexta “revolução tecnológica”, sendo esta a “primeira revolução que acontece num momento de globalização”.
Hoje, os jovens ficam felizes por ganharem 500 euro, porque depois, vivem uma “realidade emocional” no mundo digital que lhes “aumenta a superficialidade”.

Por Jornal Rostos
Xavier Rodríguez-Martín, Presidente Executivo da DSTelecom, ontem à tarde, participou na primeira conferência subordinada ao tema “Gerir as comunicações para melhor responder às pessoas, tendências e inovação” , aprimeira integrada no ciclo de conferências “ISoP – Inovar em Serviços Públicos”.
Tecnologia tem que se adaptar às pessoas
Xavier Rodríguez-Martín, começou por referir que “estamos a viver um tempo excepcional à volta das tecnologias”, colocando-se o desafio de sobre esta matéria – “construir-se uma arquitectura institucional” que possa dar respostas aos desafios que se colocam ao nível politico, social e económico.
Esta, disse, é “uma fase de progresso” que deve contribuir para “melhorar a vida das pessoas”.
Recordou que a condição humana, em cada tempo, vive a convicção que o seu tempo é um tempo excepcional.
Mas, acrescentou, este nosso tempo, é único, porque pela primeira vez se coloca em simultâneo – mudar a forma e mudar o sistema produtivo.
“Pela primeira vez na história a tecnologia tem que se adaptar às pessoas, em vez de as pessoas se adaptarem às tecnologias”, disse.
Estamos a viver a 6ª revolução tecnológica
O Presidente Executivo da DSTelecom, sublinhou que as novas tecnologias colocam o desafio de – “se conhecer o que está a acontecer, anteriormente ao que vai acontecer”.
Recordou que “vivemos focados no imediato” e por essa razão “custa-nos encontrar distância” e ter “perspectivas” que vão ao encontro deste tempo de revolução tecnológica.
Referiu que estamos a viver a 6ª revolução tecnológica, depois de outras que antecederam esta como das fábricas, dos caminhos de ferro ou do aço.
Esta é uma revolução com uma “nova matriz”, é uma revolução de tecnologia e de informação que “muda a sociedade”.
Revolução que acontece num momento de globalização
Recordou que em todas as revoluções anteriores começa pela afirmação do individual, com perda do peso do estado – “o estado não consegue acompanhar as turbulências”, depois numa segunda fase – “o estado ganha prestígio de novo”.
Sublinhou que todas as revoluções tecnológicas anteriores foram localizadas numa região do globo ou na Europa, ou nos Estados Unidos.
“Esta é a primeira revolução que acontece num momento de globalização”, disse.
Estamos no inicio da era digital
“A tecnologia vai ter um papel importante na modernização” e irá originar “comportamentos substancialmente diferentes” com uma acção relevante ao nível económico.
“Estamos no inicio da era digital. Estamos na puberdade digital”, disse.
Recordou que o sector das telecomunicações está a mudar, superando a crise económica e a crise do sector. Esta é uma fase “após as fases nacionais”.
“Hoje a estratégia são os dados”, sublinhou.
Em Portugal o sector das comunicações corresponde a 4% do PIB.
Referiu que a criação da banda larga deu origem a um aumento de 10% de riqueza no PIB – “a banda larga cria valor económico”.
Europa perdeu a batalha da internet
Xavier Rodríguez-Martín salientou o facto de a Europa, perante as politicas de austeridade, atrasou-se no investimento ao nível digital, enquanto os Estados Unidos “injectaram dinheiro” na indústria da internet.
Referiu que os Estados Unidos, com a crise, não teve problemas com a internet, as industrias tiveram acesso a meios financeiros.
“A Europa perdeu a batalha da internet”, porque andou a dar respostas à crise com as politicas de austeridade.
Sublinhou que a Europa tem agora a Agenda Digital, e neste cenário considerou que – “é preciso criar um terreno nivelado, para que as empresas concorram em igualdade”.
Defendeu a existência de politicas fiscais que contribuam para “captar inovação”.
Um encaixe de 8 vezes o PIB de Portugal
Xavier Rodríguez-Martín defende que a sociedade deve “ter retorno” dos investimentos em termos fiscais, mas, acrescentou se os níveis de investimento, na Europa, continuarem a ser os actuais na ordem dos 900 milhões – “ao ritmo actual” daqui a 30 anos é que a Europa recupera, ao nível digital. em relação aos Estados Unidos.
Recordou que as 50 maiores empresas americanas ao nível digital – “têm um encaixe de 8 vezes o PIB de Portugal”.
“Na Europa, vivemos num mundo rico em dinheiro e pobre em investimento”, disse.
O que cria valor é a inteligência
Xavier Rodríguez-Martín, salientou que hoje criamos valor e acesso aos mercados com a inteligência.
“O que cria valor é a inteligência”, afirmou.
Recordou que os tempos de hoje são marcados por economias de grandes cidades e de grandes empresas.
“Quando não se tem fibra óptica no interior de um país, estamos a criar info-excluídos”, disse.
Internet tem impacto no ambiente
Na sua intervenção, fez ainda uma abordagem da influência das novas tecnologias no ambiente, salientando que – “uma busca no google, consome a mesma energia que uma máquina de café”.
“A internet tem impacto no ambiente”, disse.
Realidade emocional do mundo digital
Referiu, igualmente, a “influência emocional” das redes sociais e do mundo digital
Hoje os jovens ficam felizes por ganharem 500 euro, porque depois, vivem uma “realidade emocional” no mundo digital que lhes “aumenta a superficialidade”.
“Esta é a alienação pós-moderna”, disse.
Papel activo das Câmaras
Xavier Rodríguez-Martín, referiu que as novas tecnologias da comunicação são uma oportunidade e um desafio, para – “criarmos uma sociedade melhor” em que “as decisões sejam tomadas pelas pessoas”.
Neste contexto, considerou positivo que – “ao nível local as Câmaras” tenham um papel activo e desenvolvam um processo de liderança nesta revolução tecnológica e saudou a Câmara Municipal do Barreiro por promover este ciclo de conferências.
Ciclo de Conferências
O Ciclo de Conferências mensais, vai decorrer nas primeiras quintas-feiras do mês, com o tema “ISoP – Inovar em Serviços Públicos”.
As próximas sessões, agendadas para dia 3 de março e dia 7 de abril, têm como título, respetivamente, “Gerir a relação com o munícipe: processos, procedimentos e sistemas de informação” e “Cidades inteligentes / smart cities - presente e futuro”.
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