Doutorando em Neurobiologia Molecular Pedro Ferreira do BarreiroCérebro tem 85 mil milhões de neurónios

Por Jornal Rostos
O Rotary Clube do Barreiro promoveu, ontem à noite, um jantar- palestra tendo como convidado o doutorando em Neurobiologia Molecular Pedro Ferreira, que abordou o tema: «Dos neurónios ao Genoma».
Dia 23 de fevereiro a sua tese de doutoramento
O evento decorreu no Restaurante Leão de’Ouro, sendo uma iniciativa conjunta entre o Rotary Clube do Barreiro e o Rotary Clube de Almada.
Pedro Ferreira, doutorando em Neurobiologia Molecular na Fundação Champalimaud, é natural do Barreiro, vai apresentar no próximo dia 23 de fevereiro a sua tese de doutoramento, cuja temática central visa uma “leitura dos neurónios” e a sua “modelação pela aprendizagem”.
O seu estudo tem como objectivo conhecer o que acontece com o nosso cérebro quando interagimos com o mundo, e foi esta matéria que divulgou na sua palestra, ontem à noite, no Rotary Clube do Barreiro.
Cérebro tem 85 mil milhões de neurónios
Pedro Ferreira referiu que o nosso cérebro tem 85 mil milhões de neurónios, sublinhando que se optássemos por contar todos os nossos neurónios – “contando um neurónio por segundo” – demorávamos 2695 anos a efectuar essa contagem.
O neurobilogista salientou que só o cerebelo tem mais de metade dos nossos neurónios, e apresentou a diversidade do cérebro e a localização de diferentes funções «lobolares».
Uma pessoa que deixe de ter medo
Pedro Ferreira recordou alguns estudos de lesões no cérebro, nomeadamente o exemplo de Phineas Gage ( de perfuração no cérebro), que originou “mudanças de personalidade” e o caso «Paciente H.M.».
Referiu a importância do “hipocampo” e daa “amígdalas” e os seus efeitos na vida humana.
“Uma pessoa que deixe de ter medo”, é porque deixou de ter memória de curto prazo e de longo prazo, e deixar de ter medo é não ter noção de perigos.
Medir a actividade neuronal do cérebro
O neurobiologista sublinhou a importância da “pequenas caixinhas negras” que funcionam “somando” as ligações dos neurónios aos circuitos do cérebro.
“Que neurónios estão a fazer o quê? Que parte do cérebro faz o quê?” – são estas algumas interrogações que, sublinhou, tem sido matéria da sua investigação.
Recordou que numa primeira fase os estudos do cérebro centraram-se na avaliação de lesões, numa outra fase na farmacologia-neuroquimica e, o seu estudo actual, centra-se na «Optogenétca» - uma tecnologia que utiliza a luz para ligar e desligar os neurónios em tempo real, tendo por finalidade – ver, bloquear e modelar o funcionamento do cérebro.
Trata-se de alguma forma, disse, de -“medir a actividade neuronal do cérebro” a partir de estímulos que são “impulso eléctricos”.
Recordou que – “os neurónios comunicam por electricidade”.
A «optogenética» manipula a actividade do cérebro procurando estabelecer o “padrão regular norma das áreas do cérebro.
Neurónio motor da aprendizagem
O seu caso de estudo de doutoramento centra-se na avaliação do “neurónio motor” e “suporte de aprendizagem”, visando entender como vai “adaptar a aprendizagem” e quais são as “partes do cérebro”.
Ou seja, entender que genes são activados na formação da memória – Que neurónios? Que genes?
O poder do cérebro
Na sua intervenção referiu diversas experiências realizadas, com ratos e macacos, e, a mais curiosa foi a realizada com um macaco cujo objectivo conduz a que, através da acção do cérebro, seja possível provocar movimentos.
De certa forma, grosso modo, poderá dizer-se que é um estudo que visa analisar o “poder do cérebro” sobre os espaços envolventes, a partir de estímulos do neurónios.
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