Transportes Colectivos no Barreiro vencem transporte individual«Somos a cidade com mais mobilidade colectiva no país»
. TCB’s - comemoraram 59 anos
O escritor afirmou que o objectivo é escrever – “um retrato mais vivo da realidade” - uma história dos Transportes Colectivos do Barreiro, que seja – “um livro cronológico que permita perceber a evolução da cidade e do país”.
Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro recordou que o concelho nos últimos 30 anos perdeu mais de 20 mil habitantes.
“Se não tivéssemos os Transportes Colectivos do Barreiro teríamos perdido significativamente mais população", salientou.

Por Jornal Rostos
Ontem, dia 24 de fevereiro, os Transportes Colectivos do Barreiro – TCB’s - comemoraram os seus 59 anos, numa iniciativa que decorreu no espaço de «A Portuguesa».
O evento serviu para apresentar os projectos que, em 2017, vão assinalar os 60 anos do arranque do serviço de transportes municipais no concelho do Barreiro.
Este projecto vai contar com a participação de Bruno Vieira Amaral (Escritor - Prémio Saramago), José Mendes (Designer Gráfico) e Pedro Brito (Ilustrador).
Importância de passar para memória escrita
Rui Lopo, sublinhou a importância de se assinalar a efeméride, com “uma visão de futuro”.
O autarca referiu a importância de passar para “memória escrita” a história dos Transportes Colectivos do Barreiro, por essa razão foi lançado o desafio a Bruno de Amaral – escritor, a Pedro Brito - ilustrador, e José Mendes – designer, para que – “olhem para esta história”.
Rui Lopo referiu que não existe a história dos TCB«s em “peça bibliográfica”.
Uma história feita com as pessoas
Bruno Amaral, recordou durante décadas foi um utilizador dos Transportes Colectivos do Barreiro – “nasci no Barreiro, embora tenha vivido no Vale da Amoreira”.
Referiu que no seu romance «Primeiras Coisas» estão referenciados os Transportes Colectivos do Barreiro, evocando o tempo em que ia do Vale da Amoreira para na Vila Chã, entrar nos TCB’s.
“Esta é uma realidade que não é nada estranha para mim”, referiu.
Não quero fazer ficção
O escritor sublinhou que na história dos Transportes Colectivos do Barreiro – “não quero fazer ficção”.
Perspectivou que o seu objectivo não é produzir “um objecto documental” onde seja “plasmada a história da empresa.
“Quero que seja uma história da empresa construída pelos trabalhadores e trabalhadoras. Uma história feita com as pessoas que trabalharam na empresa”, referiu.
Perceber a evolução da cidade e do país
Bruno Amaral salientou que gosta de falar com as pessoas e de entrevistar pessoas é esse prazer que quer sentir – “escrever uma história com as pessoas é mais interessante”, porque, acrescentou – “há ângulos de avaliação que surgem nas conversas com as pessoas”.
“Nos documentos há factos, falando com as pessoas há a visão humana”, salientou.
O escritor afirmou que o objectivo é escrever – “um retrato mais vivo da realidade” - uma história dos Transportes Colectivos do Barreiro, que seja – “um livro cronológico que permita perceber a evolução da cidade e do país”.
Uma história mais ficcionada
Pedro Brito, referiu que na produção do seu trabalho – “tenho mais liberdade” – pois será produzir uma banda desenhada, que permita criar – “uma história mais ficcionada” que será centrada nas “vivências das pessoas que usam os Transportes Colectivos do Barreiro”.
Referiu que a “cidade será uma personagem”, porque os TCB’s – “fazem parte da sua vida do dia-a-dia”.
Recordou que viveu no Alto do Seixalinho e que os autocarros do município faziam parte das suas vivências quotidianas.
Lado humano deste projecto
José Mendes recordou que cresceu com os autocarros do Barreiro, nas suas idas para Lisboa, para ir beber um copo, estar com os amigos ou namorar.
Neste contexto, a historia dos TCB’s também fazem parte da sua própria vida, pelo que sente curiosidade em viver – “o lado humano deste projecto”.
Poucas cidades têm uma rede de transportes como nós
Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, recordou que “os autocarros da Câmara” são uma presença marcante na história do Barreiro, desde os anos 60 – “marcam o concelho e são dos elementos mais marcantes da sua realidade”.
“Poucas cidades têm uma rede de transportes como nós”, disse o edil, acrescentando que – “muitas vezes não valorizamos este aspecto”.
Recordou que os transportes colectivos no Barreiro vencem o transporte individual, por essa razão – “somos a cidade com mais mobilidade colectiva no país”.
Se não tivéssemos os Transportes Colectivos do Barreiro teríamos perdido significativamente mais população.
O autarca recordou que o concelho do Barreiro nos últimos 30 anos perdeu mais de 20 mil habitantes, quer devido ao encerramento de fábricas, quer pela construção de duas pontes no Tejo.
“Se não tivéssemos os Transportes Colectivos do Barreiro teríamos perdido significativamente mais população. Temos que ter noção e avaliar esta realidade. Nós estamos conscientes daquilo que esta realidade significou para a vida da cidade ”, salientou.
No final houve tempo para cantar os parabéns aos TCB´s e convívio com a presença de antigos trabalhadores dos TCB´s e autarcas, nomeadamente Helder Madeira, ex- presidente da Câmara Municipal do Barreiro e Joaquim Matias, que em diversos mandatos foi vereador e responsável pelos Serviços Municipalizados e dos TCB´s.
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