«Momentos» de poesia recordam que no BarreiroSomos solidários e convivemos para além daquilo que cada um pensa
“É uma obra onde está expressa a tendência social – guerra e paz. A consciência social ecoa na poesia”, disse.

Por Jornal Rostos
No auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, no dia 16 de abril, realizou-se a apresentação do livro de poesia “Momentos”, de Emanuel Gois.
Foi uma tarde marcada por ‘momentos’ vivos de palavras fortes e de emoções à flor da pele.
Eu moral e o eu social
A obra foi apresentada por Maria Emília Pacheco que salientou – “sempre conheci o Emanuel a sentir a poesia”.
Na sua intervenção fez primeiro referência ao livro «Algures no tempo», a primeira obra editada por Emanuel Góis.
“Em ‘Algures no tempo’ existe um conflito entre o eu e o seu duplo – o eu moral e o eu social”, sublinhou Maria Emilia Pacheco.
“È a visãoi de um passado lírico que a memória teima em revisitar”, referiu.
Afirmou que esta obra de Emanuel Gois – “há uma ligação da poesia à pintura” e que “o estilo de está comprometido com o mundo dos factos”.
“É uma poesia criadora de mensagens e de emoções”, referiu.
Sobre o livro «Momentos» Maria Emilia Pacheco, perspectivou que “a memória e a saudade” são as linhas de força da sua poesia.
“É uma obra onde está expressa a tendência social – guerra e paz. A consciência social ecoa na poesia”, disse.
Há uma musicalidade acentuada
Salientou que é uma obra onde “percebe-se a influência de António Aleixo” onde “há uma musicalidade acentuada”.
Salientou que nesta obra Emanuel Góis “convive com os seus próprios sentimentos” e “parte ao encontro com o outro”.
Memória nas ruas da cidade
A sessão foi marcada por momentos de grande ternura e emoção, ao escutar-se Rui Felix a declamar poemas de Emanuel Gois – “adensa-se a memória nas ruas da cidade”.
Ou, de forma inesperada Francisco Naia cantar – “o que foi ocasional na vida do poeta”.
Um pouco do que eu penso que é o Barreiro
Emanuel Góis, expressou a sua alegria de o lançamento de um novo livro, mais uma vez contribuir para “uma reunião de amigos”.
Agradeceu a presença de Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro e Carlos Moreira, presidente da União de Freguesias do Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena.
Referiu o significado de no Barreiro “sermos solidários” e “amigos” e “convivemos uns com os outros” para além daquilo que cada um pensa.
Referiu que nos seus poemas procurou exprimir as suas vivências no Barreiro – “reúne um pouco do que eu penso que é o Barreiro”.
Emanuel Góis divulgou que em breve irá editar um livro de contos e um romance.
Sinopse:
Depois da publicação de “Algures no tempo”, volta o autor a trazer a lume novo livro, desta vez com o título “Momentos”.
Na obra “Momentos” há uma musicalidade mais acentuada e uma ironia latente, denotando um amadurecimento mais consciente, na relação com a palavra e no desenvolvimento dos temas, como acontece nos poemas “Pego no Carro”, em “Se o Mar Quisesse”, “Sopra a Brisa” e “No estender”.
O sentimento de desilusão sobre um tempo de juventude perdida perpassa no poema “Ontem” e no poema “Ouvi Dizer”.
Emanuel Góis convive com os seus próprios sentimentos, parte de si, do seu mundo, daquele com que se identifica, da união de todos os seus “eu”, e parte à procura do encontro com o outro, que o lê, em conformidade com o pendor para o subjectivismo. Sendo certo que os temas amorosos aparecem transversalmente a todo o livro, o tema principal que percorre a sua obra é a própria pessoa do autor.
É de si, da sua realidade, que fala o autor.
Da leitura dos poemas que o integram, estamos em crer que o leitor poderá identificar alguns deles com diversos temas e acontecimentos sociais, nos quais o autor lhes empresta o cunho próprio da sua sensibilidade poética.
O autor
Emanuel Gois é natural do Barreiro, licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa. Foi jornalista durante doze anos, colaborando com os jornais «Record», e os extintos Diário Popular e Século, para além de colaborações na imprensa regional Gazeta da Sertã e Jornal do Barreiro.
Foi dirigente associativo e co-fundador da Associação Cívica do Barreiro e Persona - Associação de Apoio a Doentes Mentais Crónicos.
Exerceu o cargo de vereador da Câmara Municipal do Barreiro entre 1997-2001.













