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Barreiro criou a primeira Comissão AdministrativaPopulações tomaram nas suas mãos o exercício da democracia

. Foi no dia 6 de Maio de 1974 que tomou posse a Comissão Administrativa

Ontem, no Espaço Memória, promoveram o lançamento do Caderno “O Poder Local Democrático Fruto de Abril – A Ação das Comissões Administrativas”.

Joaquim Matias, recordou as reuniões com Melo Antunes para “legitimar a Comissão Administrativa” e a tomada de posse da Comissão Administrativa, pelas 10 horas, do dia 6 de Maio de 1974, no Salão Nobre da Câmara Municipal do Barreiro.

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Barreiro criou a primeira Comissão Administrativa Populações tomaram nas suas mãos o exercício da democracia

Por Jornal Rostos

Inserida nas Comemorações do 42º Aniversário do 25 de Abril, a Revista Poder Local e a Câmara Municipal do Barreiro, ontem, no Espaço Memória, promoveram o lançamento do Caderno “O Poder Local Democrático Fruto de Abril – A Ação das Comissões Administrativas”.
A sessão começou com um momento musical proporcionado com a voz melódica de Valu, acompanhada por Fernando Matos e Alberto Cruz.

Dar respostas aos problemas das populações

Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, recordou que este ano são assinalados os 40 anos da aprovação da Constituição da República Portuguesa e no próximo dia 12 de Dezembro, será assinalado o 40º aniversário das 1ªs Eleições para o Poder Local.
O autarca salientou que no Barreiro foi criada, após o 25 de Abril, a primeira Comissão Administrativa no país.
Referiu que as Comissões Administrativas permitiram às populações – “tomarem nas suas mãos o exercício da democracia e dar respostas aos problemas das populações”.
O presidente da Câmara Municipal do Barreiro, salientou que a acção das Comissões Administrativas é – “um facto pouco reflectido na história do Poder Local”.
“Foi uma forma de organização das populações que marcaram tempos heroicos”, disse.

Homenagem aos que se empenharam numa acção histórica

Graça Gonçalves, da revista «Poder Local», sublinhou que a revista editada – “é uma homenagem aos que se empenharam numa acção histórica de institucionalização do Poder Local”, aqueles que – “tiveram a coragem de assumir as Comissões Administrativas”, vivendo “condições adversas”, e, por vezes, em certas situações, serem “alvo de ameaças e perseguições”.
“Este é um trabalho inspirador para as gerações que nasceram após a revolução”, disse.

Legitimação de muitas lutas populares contra o regime
Joaquim Matias, que integrou a Comissão Administrativa do Barreiro, recordou que há 42 anos as Câmaras foram abandonadas pelos presidentes e vereadores do regime deposto e as populações organizaram-se para dar inicio a “anos de transformação social”.
Sublinhou que existem “narrativas” que pretendem “reescrever a história”, mas de facto, o que aconteceu foi que as Comissões Administrativas concretizaram a – “legitimação de muitas lutas populares contra o regime”.
No Barreiro referiu as vitórias das forças da oposição em 1969 e as eleições de 1973.

Contribuir para melhorar a vida das populações

Joaquim Matias, recordou as reuniões com Melo Antunes para “legitimar a Comissão Administrativa” e a tomada de posse da Comissão Administrativa, pelas 10 horas, do dia 6 de Maio de 1974, no Salão Nobre da Câmara Municipal do Barreiro.
Referiu que, perante o Tenente Coronel Adriano Infante, em representação da Junta de Salvação Nacional, foram 19 cidadãos que tomaram posse na Comissão Administrativa. A presidência foi de Helder Fráguas.
Todos eles, salientou - “eram reconhecidos pela sua dedicação profissional, competências e vontade de contribuir para melhorar a vida das populações”.
Joaquim Matias, emocionado, sublinhou que entre os membros da Comissão Administrativa – “criou-se entre nós amizades, solidariedades e cumplicidades que ainda hoje perduram”.

É necessário divulgar a história desse tempo

Na evocação de memórias referiu as condições de vida existentes na então vila operária – lixo era recolhido em baldes e transportado para uma montureira em Coina; esgotos em alguns locais a céu aberto, a água só chegava a algumas casas, ruas que tivessem arruamentos e passeios era “um luxo”.
“Era uma tarefa exaltante”, referiu que tinha pela frente a Comissão Administrativa mudar as condições de vida.
“O Poder Local foi uma das mais importantes marcas do Portugal de Abril”, sublinhou.
Nas Comissões Administrativas “nesse tempo empolgante” está a sua “génese”.
“É necessário divulgar a história desse tempo”, porque, disse a finalizar – “valeu a pena!

Poder Local inspirado nas Comissões Administrativas

Jorge Cordeiro, Director da revista «Poder Local», sublinhou o contributo das Comissões Administrativa e sua influência na criação de leis e do modelo de Poder Local que está consagrado na Constituição da República Portuguesa.
Referiu a importância de ser avaliado com “justiça e rigor histórico” o trabalho realizado pelas Comissões Administrativas e a articulação que estabeleceram como o Movimento Popular.
Sublinhou que as Comissões Administrativas contribuíram para – “sanear das Câmaras os elementos do regime fascista”, para “vencer os atrasos” e foram um “factor de democratização”.
“O Poder Local que temos hoje é inspirado nas dinâmicas que se moldaram com as Comissões Administrativas – a colegialidade, a participação, a pluralidade”, disse.

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