«Concerto para Sanca João» de Carlos Alberto Correia escritor do BarreiroEm Lisboa foi o lançamento em Lisboa inscreve-se como memória no futuro
Ontem, em Lisboa, na Taberna de Coimbra, Carlos Alberto Correia, fechou o ciclo de apresentações públicas do seu romance «Concerto para Sanca João».
“Começo a dedicar-me a outros projectos de trabalho, assim terminam as acções de divulgação”, sublinhou Carlos Alberto Correia.

Por Jornal Rostos
Na sessão de apresentação, ontem na Tabena de Coimbra, Carlos Alberto Correia, recordou que, assim como foi em Lisboa que, há cerca de um ano foi efectuado o lançamento do seu romance, também, em Lisboa, quis encerrar este ciclo, após a realização de seis sessões de apresentação.
No entanto, deixou o convite para que, no próximo dia 24 de Junho, na Baixa da Banheira, onde, com o seu amigo Raul Zagalo, vão promover uma sessão conjunta de apresentação dos livros “Transfer para Brasov”, de Raul Zagalo, um dos participantes do assalto ao Quartel de Beja ocorrido a 1 de janeiro de 1962, onde foi ferido e aprisionado pelas forças fascistas e também do seu romance «Concerto para Sanca João».
Carlos Alberto Correia, recordou que no seu romance são evocadas as memórias de Coimbra sitiada no ano de 1969, daí a razão da escolha deste espaço – Taberna de Coimbra – para falar destes tempos e escutar pela noite dentro os Fados de Coimbra.
O escritor recordou a importância de ter escrito este romance, que nasceu de vivências reais, onde os personagens são ficcionados e se misturam com a vida real.
“O único personagem que existiu foi Sanca João”, sublinhou. Sanca João o guerrilheiro do PAIGC que foi torturado pelos militares portugueses e morreu afirmando – “matas o meu corpo, mas não matas a ideia da minha cabeça”.
Um romance marcado por uma escrita profundamente emocional, a história e estórias de uma guerra colonial e de um país desde os anos 60 até aos dias do PREC.
Carlos Alerto Correia, recordou que este era um projecto que sonhou quando regressou da Guerra Colonial, que não nasceu mais cedo por falta de tempo e disponibilidade – “mas tinha esta tarefa para executar”. Está executada e divulgada em seis sessões de apresentação.
Ana Garrido expressou a felicidade de ter ajudado a “parir” este “filho” de Carlos Alberto Correia.
Recordou que o escritor nasceu em Évora, em 29 de Setembro de 1944, conta 71 anos, vive no Barreiro. Foi militar na Guiné, durante a Guerra Colonial, trabalhou em Publicidade e Recursos Humanos e é licenciado em Antropologia Cultural.
Ana Garrido, referiu que a obra é composta pelo Prólogo, depois conta com 19 capítulos - «Convergência» - onde existe a ligação com o regime de antes de 25 de Abril - e 12 capítulos de «Divergência» - onde se regista a separação do regime - e fecha com o Epílogo.
Salientou que em cada capítulo a abrir há um tema musical da época – dos bailes e convívios até às músicas da resistência.
Uma obra onde, disse, se cruza o indivíduo e o social
No decorrer da apresentação forma lidas páginas da obra para contextualizar. Após a apresentação, os presentes – alguns alunos da UTIB – participaram e conviveram num jantar abrilhantados com fados de Coimbra.
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