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Perspectivas

Onésimo Teotónio Almeida no Barreiro«Educação é a criação de carácter»

. A melhor maneira de pensar é escrever

Na «Tertúlia Augusto Cabrita» num debate com o tema - «A Educação nos EUA» - Onésimo Teotónio Almeida, sublinhou que - “há que criar um sistema de educação que permita cada um atingir aquilo que quer e pode”.

“As crianças têm capacidades diferentes, é um erro por todos na mesma tabela, obrigar todos a fazer a mesma coisa, isto é um erro”, salientou.

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Onésimo Teotónio Almeida no Barreiro «Educação é a criação de carácter»

Por Jornal Rostos

Na «Tertúlia Augusto Cabrita», na Escola Secundária Augusto Cabrita, no Barreiro, decorreu um animado debate sobre educação que contou com a presença Onésimo Teotónio Almeida, Doutor Honoris Causa pela Universidade de Aveiro.
O tema proposto para reflexão foi - «A Educação nos EUA».
Bartolomeu Dutra, que moderou o debate, sublinhou que o prelector convidado para além de ser um bom contador de histórias e ensaísta reconhecido internacionalmente é uma referência no estudo de Fernando Pessoa.

Estados Unidos são uma ideia da Europa

Onésimo Almeida, começou por referir que vive nos Estado Unidos há 45 anos e – “tudo o que se diz sobre o Estados Unidos ou é verdade ou vai ser”.
Referiu que – “os Estados Unidos são uma ideia da Europa”, uma ideia de “estado moderno” dos iluministas, “um estado civico e com uma Constituição”, construída “peça por peça”, “uma sociedade negociada”.
“A democracia é a pior ou melhor maneira de resolvermos a vida da selva, a melhor maneira possível de resolver as questões”, disse.
Recordou que a Constituição nos EUA são “uma Biblia”, e contribui para criar “uma estabilidade” apesar de ao longo do tempo ela “vai-se modificando”, já foram efectuadas 27 emendas.

Educação é a criação de carácter

Onésimo Almeida, sublinhou que – “Educação é a criação de carácter” e que “Ética são os hábitos”, o “bom ambiente” para aprender”.
Recordou que os “grandes valores da modernidade” têm por base a “crença que todos somos iguais”.
Na sua opinião esta é “um crença barbara”, porque “não somos iguais”, porque “a natureza não é igual”.
“Essa crença da revolução francesa não tem a ver com a realidade. Somos todos diferentes, temos talentos diferentes”, disse
Salientou que existe uma diferença entre sermos todos iguais e o direito à igualdade de “todos termos acesso ao que gostamos”.
“Todos somos iguais perante a Lei”, referiu.

Obrigar todos a fazer a mesma coisa é um erro

“As crianças têm capacidades diferentes, é um erro por todos na mesma tabela, obrigar todos a fazer a mesma coisa, isto é um erro”, salientou.
“Os seres humanos têm inteligências diferentes, como impor um modelo de pessoas, se todas as pessoas são diferentes. Os seres humanos são diferentes e querem coisas diferentes”, sublinhou.
“É preciso acabar com a bitola do igual para todos”, disse.

Educar é deixar crescer

“Educar é deixar crescer, permitir que as crianças sejam o que desejam ser. Há uma tendência nas escolas – o trauma da igualdade”, referiu.
Recordou que temos um sistema de ensino que “privilegia a memória”.
“Há que criar um sistema de educação que permita cada um atingir aquilo que quer e pode”, salientou.
Recordou que nos Estados Unidos – “os pais decidem os programas escolares com os professores, os curriculum escolares são decididos com os pais”.

A melhor maneira de pensar é escrever

Comentou que nos EUA aprender – “é ensinar a ler e aprender a escrever”.
“A melhor maneira de pensar é escrever, exige expressarmos e organização de ideias”. salientou.
Recordou que nos EUA “aprende-se a pensar desde criança”, falando nas aulas, falar, argumentar, escrever, pensando os assuntos – “antes da escrita é a leitura”.
“Escrever obriga a pensar-se”, disse.
Onésimo Almeida, afirmou que – “não criamos pessoas adultas se não lerem e escreverem”, de contrário “são tagarelas e repetem o que ouvem”.

Uma grande tradição de Universidades

Por outro lado, disse, que nos Estados Unidos – “há uma grande tradição de Universidades, existem 3500 universidades, há muita oferta”, enquanto em Portugal – “há muito igual”.
Depois, seguiu-se um animado debate e trocas de ideias.

Notas Biográficas

Onésimo Teotónio Almeida é açoreano, reside desde 1972 nos Estados Unidos tendo-se doutorado em Filosofia na Universidade de Brown e, aí, é catedrático no Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros, leccionando também Wayland Collegium for Liberal Learnig e no Renaissanse and Early Modern Studies Program da mesma universidade.
Nasceu nos Açores (S. Miguel) em 1946 e frequentou o Seminário de Angra e a Universidade Católica Portuguesa, tendo concluído nesta última o bacharelato em Teologia, é Doutor Honoris Causa pela Universidade de Aveiro.
Para além das obras em livro, tem centenas de escritos em revistas e livros colectivos.
Fundou e dirige a editora Gávea-Brown, dedicada à edição em inglês de obras de literatura e cultura portuguesas, que edita também a revista Gávea-Brown – a Bilingual Journal of Portuguese American Letters and Studies, que ele fundou e co-dirige.
É co-editor do e-Journal of Portuguese History e de Pessoa Plural, ambas revistas electrónicas editadas em cooperação internacional e publicadas na Brown University.
Escreve regularmente no Jornal de Letras.

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