Barreiro - Uma das espécies em extinção são os pescadoresDéfice na balança comercial do pescado na ordem de mil milhões de euros
. Importamos do pescado qualquer coisa como dois submarinos por ano
É possível a recuperação da indústria ostreicultura, quer devido à melhoria da qualidade da água no Tejo, que contribui para, hoje, termos condições para a produção de ostras e ameijoa.

Por Jornal Rostos
Ontem à tarde, no Clube Naval Barreirense, realizou-se um Colóquio tendo como tema - «O Barreiro e o potencial económico do estuário do Tejo».
Sérgio Silva, sublinhou na abertura que esta iniciativa se insere no âmbito do programa «Agenda 2025», que tem por finalidade “ajudar a elaborar o programa autárquico do Partido Socialista”.
Referiu, que a finalidade é “juntar a vontade de barreirenses e alargar a participação num projecto que sirva os barreirenses, com ou sem partido, estamos abertos a quem queira participar”.
Bruxelas não conhece a costa Portuguesa
Carlos Dias, biólogo, falou sobre pescas, recordou as características bio-fisicas do estuário do Tejo – “um dos principais estuários da europa”, com um sistema lagunar que favorece a reprodução de muitas espécies.
Divulgou um documento de 1147, a Carta da Tomada de Lisboa, com 900 anos, onde podia ler-se que o Tejo – “onde há abundância de peixe” e “é rico em marisco”.
Sublinhou que os “homens de Bruxelas”, “não percebem isto” das condições existentes na costa portuguesa.
Défice na balança comercial na ordem de mil milhões de euros
Na sua intervenção recordou que o pescado consumido em Portugal é “todo importado”, nomeadamente o bacalhau – o tamboril vem do Canadá, a pescada do Chile e África do Sul, sapateira, da Normandia.
“Nós importamos do pescado qualquer coisa como dois submarinos por ano e ninguém se preocupa com isso”, disse.
Portugal tem um défice na balança comercial na ordem de mil milhões de euros, no que diz respeito ao pescado.
Pescadores espécie em extinção
Recordou que em 1995 existiam em Portugal 11.745 pescadores e em 2011 eram 8.581.
“Uma das espécies em extinção são os pescadores”, sublinhou.
Salientou que temos cerca de 6% da frota pesqueira da União Europeia, mas apenas capturamos 4% da União Europeia.
Apostar na valorização do pescado de qualidade
Na sua intervenção referiu que somos grandes consumidores ao ponto de estudos internacionais nos classificarem de “antropófagos” no consumo de peixe, mas também como sendo um dos melhores países do mundo na preservação dos seus recursos marinhos.
Lamentou que a palavra “pesca” tenha sido banida do léxico da União Europeia, agora é “economia azul”, salientando que a Europa é uma sociedade construída a partir da pesca.
“Temos que apostar na valorização do pescado de qualidade”, disse.
Defendeu a necessidade de serem reduzidos os efeitos perversos da legislação e a importância de existir enquadramento legislativo ao nível Ibérico, assim como a revisão dos critérios de licenciamento da actividade piscatória.
União Europeia existe um lobbie contra aquacultura
Jaime Menezes, veterinário, sublinhou que ao nível da União Europeia existe um lobbie contra aquacultura.
Referiu que ao nível da aquacultura existem diferentes dimensões da monocultura a policultura, das produções intensivas ( produção de enguias em caixas com mais de mil onde quase nem se vê a água), às extensivas ( em condições hidro-climatéricas, adequadas às espécies) e artesanais.
Recordou que a policultura é praticada na europa desde o tempo dos romanos.
Salientou que a aquacultura pode ser um importante contributo para o repovoamento.
“A aquacultura tem impactos negativos no meio ambiente, mas podem ser mitigados”, disse.
Referiu a importância da aquacultura ao nível mundial, salientando que a Ásia contribui com 91% da produção ao nível mundial e a europa com cerca de 4%
Recordou que o consumo do pescado ao nível mundial aumentou devido à aquacultura.
Tejo é um mar de ostras
Francisco Ruano, veterinário, recordou que a produção de moluscos no Tejo remonta à idade do Ferro, passando pelos Romanos, porque o Tejo é “um mar de ostras”.
Referiu que no século XVI e XIX desenvolveu-se a industrialização da produção.
Recordou o contributo de Barbosa du Bocage, no desenvolvimento da indústria das ostras.
As verbas do Grémio permitiram a construção da depuração no Gaio Rosário.
Recordou que a partir da década de 70 registou-se um declínio, devido a diversas causas que afectaram o eco-sistema, para além a ausência de politicas estratégicas para preservação.
Recuperação da indústria ostreicultura
Na sua opinião é possível a recuperação da indústria ostreicultura, quer devido à melhoria da qualidade da água no Tejo, que contribui para, hoje, termos condições para a produção de ostras e ameijoa.
Recordou que, num projecto que desenvolveu, foram definidas três zonas de produção – Alcochete, Samouco e Gaio, na Moita.
Desenvolver o potencial do Barreiro
André Pinotes, líder concelhio do Partido Socialista, sublinhou que “navegar sem direcção, não tem vento que lhe sirva”, por essa razão, afirmou que o Partido Socialista – “não quer ficar pela espuma dos dias”.
Referiu que esta iniciativa se insere numa estratégia que visa desenvolver o potencial do Barreiro.
“Ter um projecto substantivo para que as pessoas saberem porque se mobilizam”, disse.
O objectivo não é estar a olhar por um retrovisor para o passado, mas, de “forma positiva”, contribuir para “um Barreiro melhor”, encontrando caminhos para afirmar – “o papel da autarquia na valorização do território”.













