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Perspectivas

Jorge Cardoso, fundador da Arte Viva - Companhia de Teatro do Barreiro«O homem morre quando deixa de fazer perguntas»

Jorge Cardoso, fundador e encenador da Arte Viva - Companhia de Teatro do Barreiro, ontem durante o «Tributo» que lhe foi prestado pelo Grupo Projector, recordou que – “o teatro não muda o mundo” e que “não tem fim a luta dos artistas contra os poderes” .
Referiu as perseguições ao teatro e artistas ao longo da história – pela Igreja Católica, pelos Nazis e pelo regime que caiu em Portugal, no dia 25 de Abril.

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Jorge Cardoso, fundador da Arte Viva - Companhia de Teatro do Barreiro «O homem morre quando deixa de fazer perguntas»

Por Jornal Rostos

Ontem à noite, no Auditório da Verderena, realizou-se a sessão evocativa do 20º aniversário da Associação Projéctor - Companhia de Teatro do Barreiro.
Nesta sessão, como é habitual, foi prestado o tributo a uma figura da cultura barreirense. Este foi homenageado Jorge Cardoso, fundador e encenador da Arte Viva - Companhia de Teatro do Barreiro.

Fundador da Arte Viva

Maria João Quaresma, apresentou o homenageado, divulgando diversos aspectos da sua biografia profissional e no mundo teatral.
Referiu que nasceu em 1960. Vive no Barreiro desde os 2 anos. Casado. Dois filhos. É advogado desde 1985.

Em 1980, então estudante, fundou o Arte Viva a companhia residente no Teatro Municipal do Barreiro, que conta com 70 produções e uma Escola de Teatro.

Não querendo destoar na solenidade

Jorge Cardoso, agradeceu ao Projéctor, o Tributo, com uma intervenção que, sem dúvida, vai ficar na memória de todos os que viveram aquele momento, inscrevendo-se como “uma peça” – original, inédita, hilariante, dramática – nas estórias do teatro do concelho do Barreiro.
“Excelências. Não querendo destoar na solenidade” – começou por reconhecer a “sabedoria e erudição” que marcava aquele momento, não deixou de registar “cuidado e prudência” ao receber o tributo.
Sublinhou, se lhe prestavam a ele este tributo, então, que homenagem iriam prestar a João Henrique Oliveira, que é um incansável, desde sempre, na actividade da Arte Viva – “vão erguer-lhe uma estátua”, e, também, que vão dedicar a Carina, que é responsável pela Escola de Teatro da Arte Viva – “uma escola a sério”.

Percebo que se morre quando se está vivo

Neste contexto, expressou – “a profunda indignação por esta iniciativa”, apesar de considerar ser “um gesto bonito”.
“Excelências”, disse de novo, expressando as suas “dúvidas” e “desconforto”, interrogando-se se existiriam fins “insondáveis”, com esta homenagem.
“Estarei velho?” – interrogou. Acrescentando que o estar velho significa estar “mais experiente”.
Recordou que “estar velho” não significa “estar morto”.
“Percebo que se morre quando se está vivo”, disse, acrescentando – “percebo que as ideias morrem” quando morre a “imaginação”, quando “é sempre mais do mesmo”.
“A morte é o descuido do artista”, sublinhou.

Tentativa de assassinato cultural

“Isto não é um Tributo. Muito menos uma homenagem. Isto é uma tentativa de assassinato cultural”, afirmou, acrescentando – “Excelências – pensam que o homem está morto”.
Os risos. As gargalhadas enchiam aquele espaço do Auditório da Verderena, ligando o teatro à vida.
“Trata-se de uma tentativa velada de liquidar a concorrência”, sublinhou.

O teatro é fazer perguntas

Dando continuidade à sua intervenção, Jorge Cardoso, agradeceu o tributo que partilhou com a sua equipa da Arte Viva.
Depois, prosseguindo, disse – “agora a sério”.
Recordou que – “o teatro é um jogo que serve para fazer perguntas. O teatro é fazer perguntas”.
Uma arte marcada por “saber”, “experiência “ e “talento”.
“A Arte Viva é uma casa de teatro” , disse.

A mim o teatro mudou-me

Jorge Cardoso, recordou que – “o teatro não muda o mundo” e que “não tem fim a luta dos artistas contra os poderes”.
Salientou as perseguições ao teatro e artistas ao longo da história – pela Igreja Católica, pelos Nazis e pelo regime que caiu em Portugal, no dia 25 de Abril.
Sublinhou que – “o teatro reflecte a sociedade”.
“A mim o teatro mudou-me”, acrescentou.

Teatro é uma luta contra a morte

O fundador da Arte Viva, sublinhou que "se deve brincar com coisas sérias”, e defendeu a importância da comédia como meio de interpretar e fazer sentir os tempos que se vivem – “rir e sentir com clareza”.
“O que sobe ao monte mais alto ri-se de tudo”, salientou.
Neste contexto, recordou que o “teatro é uma luta contra a morte”, porque a “morte é o mistério da vida” que “não é só a morte”.
“O homem morre quando deixa de fazer perguntas”, sublinhou.
“O teatro é dos mais antigos jogos que os homens inventaram”, recordou.
Encerrou a sua intervenção, dirigindo-se a Luciano Barata – “não tens que chorar por aquilo a que tens direito”.

Um dia para recordar

No final, foi entregue a Jorge Cardoso, o diploma para recordar este dia e este tributo.
E, Jorge Cardoso, legou, aos que tiveram a alegria e o prazer de o acompanhar neste dia, uma verdadeira lição de vida e de amor ao teatro, quer ficará na memória e sobre a qual ficam em aberto muitas perguntas, citando Porfirio Lopes, sobre – “o texto, o subtexto e a …nuvem cósmica”.

S.P.

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