Moita - Participaram 136 obras no concurso de Poesia Joaquim Pessoa«Manter viva uma cultura que resista à ofensiva da ignorância»

Por Jornal Rostos
No Fórum Cultural José Manuel Figueiredo, na Baixa da Banheira, foi entregue o Prémio de Poesia Joaquim Pessoa, conquistado por José Pedro Alves Moreira, autor da obra vencedora do concurso de 2016, com o título “A Memória e a Matéria”.
Batalha de ideias é uma batalha permanente
Rui Garcia, presidente da Câmara Municipal da Moita, salientou que a criação de um prémio de poesia de dimensão nacional, tem por objectivo criar espaço de promoção da criatividade, num tempo em que a «expressividade» é caracterizada por link no facebook – “ e a criatividade não é isso”.
O autarca salientou que – “a batalha de ideias é uma batalha permanente”, na qual “há um lado que ganha quanto menos ideias circularem”.
A autarquia ao criar o prémio de poesia - “quer estar do lado dos que defendem que é preciso muitas ideias”, sublinhou Rui Garcia.
Um privilégio usar o nome de Joaquim Pessoa
O presidente da Câmara Municipal da Moita, referiu – “todos os poetas são importante”, mas, “Joaquim Pessoa é nosso conterrâneo, tem o nosso lado afectivo é da nossa terra”.
“Para além disso é um poeta de futuro”, salientou.
“É um privilégio usar o nome de Joaquim Pessoa para este prémio de poesia”, salientou o edil.
Uma cultura que resiste à ofensiva da ignorância
Rui Garcia, referiu que a Câmara Municipal da Moita com a criação deste prémio de poesia – “cumpre o papel do Poder Local”, numa área onde o Poder Central está ausente.
“O Poder Local é o mais permanente e eficiente agente da cultura no país”, referiu
“O Poder Local mantém viva uma cultura que resiste à ofensiva da ignorância”, acrescentou Rui Garcia.
Joaquim Pessoa é o maior poeta vivo
Teresa Adão, da editora Edições Esgotadas, expressou a sua satisfação pela adesão que se registou no envio de trabalhos para participar no Prémio – “excedeu as expectactivas”.
Referiu o carinho como a Câmara Municipal da Moita recebeu a criação do Prémio.
Recordou que Joaquim Pessoa – “é o maior poeta vivo” sendo importante prestar esta homenagem – “a alguém que está no meio de nós”.
Participaram 136 obras no concurso
Anabela Rita, presidente do júri, referiu que participaram 136 obras no concurso, oriundas de diversos pontos de Portugal, do Brasil e de diversos pontos da europa.
Sobre a obra vencedora “A Memória e a Matéria” salientou que é “uma reflexão sobre a escrita”, “sobre o ciclo de vida individual” sobre a “inscrição no mundo e na vida”.
Quanto a obra premiada com uma Menção Honrosa - “Gramática do Assombro” de Nuno Garcia Lopes, sublinhou o seu sentido hermenêutico e de escrita reflexiva – “um olhar sobre aquilo que nos rodeia”.
Nuno Garcia Lopes considerou que o seu prémio – “tem o seu valor” – ao ver a edição do livro.
Obter uma opinião externa sobre a obra
O Prémio de Poesia Joaquim Pessoa 2016, José Pedro Alves Moreira, autor da obra vencedora “A Memória e a Matéria”, recordou que somos um país de poetas mas nas livrarias a poesia está remetida para um canto e pouco são os poetas divulgados.
Salientou que concorreu com o objectivo de procurar saber se os seus poemas tinham algum valor literário – “obter uma opinião externa sobre a obra”.
Recordou que a sua obra tem duas partes, aquela que faz a abordagem da memória – “ que faz parte de cada um de nós e que nos torna únicos”.
Por outro lado – “a matéria que nos torna comuns no universo”.
O prémio não acrescenta nada à obra
Joaquim Pessoa, expressou o seu orgulho por ter o seu nome associado a este prémio de poesia – “o prémio não acrescenta nada à obra, o livro está lá independentemente do prémio”.
Sublinhou que leu o livro e considerou que o júri fez um bom trabalho – “o resultado final é muito bom”.
Referiu o facto de esta primeira edição contribuir para divulgar um novo autor.
Chama-se a isto inveja
Na sua intervenção o poeta percorreu as suas memórias, sublinhou que o mundo literário – “é um mundo lindo”, mas “outras vezes é terrível”.
Recordou que quando venceu o prémio da Associação Portuguesa de Escritores – “um prémio importante, todos os jornais deram noticia”, incluindo, disse o Correio da Manhã.
“O JL – Jornal de Letras não deu nem uma linha. Chama-se a isto inveja”, sublinhou.
Salientou que ao longo da sua carreira – “a minha poesia veio para a rua”. tendo sido a canção – “uma forma rápida de chegar às pessoas”.
“O poeta é um ser humano tal e qual como os outros, que vive momentos de euforia e momentos de derrotas”, disse.
Joaquim Pessoa lançou o repto de cada um dar um contributo, mesmo que pequeno, para transformar o mundo – “se cada um de nós transformar o mundo para melhor isso já é um bocado”.
Sobre o Prémio Joaquim Pessoa
Recorde-se que o valor do prémio a atribuir ao vencedor foi de 5 000 euros, da responsabilidade da Câmara da Moita, cabendo à Editora Edições Esgotadas a publicação da obra.
O Prémio de Poesia Joaquim Pessoa, criado pela Câmara Municipal da Moita e pela Editora Edições Esgotadas, no âmbito das comemorações dos 40 anos de atividade literária do poeta, destina-se a galardoar, bienalmente, uma obra de poesia escrita em língua portuguesa, indo ao encontro de um dos grandes objetivos do Município da Moita: oferecer cada vez mais estímulos de produção, criação e difusão cultural, nomeadamente, a criação literária. Assim, numa parceria com a Editora Edições Esgotadas, a Câmara da Moita procurou estabelecer sinergias que facilitem e garantam a sua concretização, a fim de promover a acessibilidade à edição, por parte dos autores.













