Barreiro - Aquisição de 60 viaturas a gás natural comprimidoAprovado por unanimidade o maior empréstimo da história do município do Barreiro

Por Jornal Rostos
A Reunião Extraordinária da Assembleia Municipal do Barreiro realizou-se ontem à noite, registando-se, entre o público, a presença de mais de uma dezena de trabalhadores dos Transportes Colectivos do Barreiro.
Na reunião o único ponto da ordem de trabalhos era a – “apreciação e autorização na consulta ao financiamento bancário para aquisição de até 60 viaturas a gás natural comprimido (GNC) e para a aquisição de 1 posto de abastecimento a gás natural liquefeito (GNL).”.
No período de intervenção do público não se registou qualquer intervenção.
No início dos trabalhos foram aprovadas as actas de duas reuniões, ambas com uma abstenção, tendo sido retiradas de votação outras duas, em sequência de protesto do deputado Hugo Cruz, PSD, sobre o atraso de entrega das mesmas para apreciação.
Sustentabilidade económica e financeira
No ponto da ordem de trabalhos,Rui Lopo, vereador da Câmara Municipal do Barreiro que integra o Conselho de Administração dos Serviços Municipalizados dos Transportes Colectivos do Barreiro, apresentou a proposta, sublinhando que esta matéria começou a ser apreciada na medida em que começou a ser gerada a “sustentabilidade económica e financeira dos Transportes Colectivos do Barreiro”.
Referiu que os TCB’s “não são um problema para o Barreiro”, pelo contrário “são essenciais a um modelo de desenvolvimento de cidade” à “consolidação do Barreiro” e “promoção da mobilidade”.
Criar um serviço público de referência
“Esta opção começou a fazer-se no final de 2015”, disse Rui Lopo, tendo ganho forma em 2016, quando começou a surgir a oportunidade de fundos comunitários, pensou-se – “numa candidatura para a renovação de todas a frota dos TCB’s”.
O autarca salientou que este é um grande investimento com um cenário de liquidação a 14 anos, que irá contribuir para “criar um serviço público de referência” ao nível do patamar ambiental.
Salientou que esta é uma operação racional ao nível económico que permitirá a recuperação do investimento no tempo operacional das viaturas.
“O Barreiro só tem a ganhar com esta operação”, disse.
Existir complementaridade com a energia eléctrica
Zélia Silva, PS, saudou a presença dos trabalhadores dos TCB’ e prestou um “agradecimento público” pelo serviço que diariamente prestam ao concelho, mesmo com os problemas que se colocam devido à antiguidade das viaturas.
Salientou que a proposta em discussão é – “o maior empréstimo que alguma vez o município teve em apreciação”.
Recordou que este é um empréstimo a 20 anos que ronda os 18 milhões de euros, que implica a substituição integral das viaturas e do seu combustível, passando do gasóleo para o gás natural.
A deputado socialista referiu que na opinião do Partido Socialista deviam existir estudos comparativos sobre a possibilidade de utilização de energia eléctrica.
Colocou o cenário de a mudança ao nível de combustível não ser na totalidade a gás, apontando a possibilidade de existir complementaridade com a energia eléctrica.
Frota da Câmara Municipal seja adaptada
Hugo Cruz, PSD, alertou para que se confirme se está garantido ao nível jurídico se a proposta está de acordo com o Orçamento de Estado.
Recordou que a Câmara Municipal do Barreiro “fez um esforço” de “contenção de custos” e de “austeridade local”, tarefa que foi concretizada pelo então vereador Carlos Moreira – “o Vítor Gaspar local”.
Salientou que os empréstimos e as dividas “são para gerir” mas também “são para pagar”, acrescentando que o total de empréstimo da Câmara Municipal do Barreiro, com este, ronda os 28 milhões de euros – “embora este não conte para o esgotamento da capacidade de endividamento”.
O deputado social democrata solicitou esclarecimentos sobre as opções pela vertente do gás natural e interrogou se está previsto que a frota da Câmara Municipal seja adaptada a esta realidade.
Um serviço público de qualidade
Paulo Deus, PCP, referiu que os Transportes Colectivos do Barreiro são uma das áreas onde a autarquia pode prestar “um serviço público de qualidade”.
“Mais que valorizar a gestão é de recordar o papel dos trabalhadores”, disse.
Na sua opinião esta candidatura vai permitir um salto na prestação de um serviço de qualidade.
Recordou que o Barreiro é o único concelho do país onde mais de 50% da população circula em transportes públicos.
“Esta é uma boa prenda no ano que os Transportes Colectivos do Barreiro comemoram os seus 60 anos”, disse.
O maior investimento que alguma vez foi feito
André Antunes, BE, referiu que todos concordamos com a excelência dos Transportes Colectivos do Barreiro.
Sublinhou que este é “o maior investimento que alguma vez foi feito”.
Na sua opinião esta matéria merece alguma reflexão, nomeadamente sobre a opção tomada e considerou a necessidade da existência de um estudo ao nível da parte eléctrica.
Uma janela de oportunidade
Isidro Heitor, PS, recordou que em análise está a proposta de autorização de consulta de um empréstimo de 15 milhões para aquisição de autocarros e cerca de 330 mil euros para o posto de abastecimento de gás natural.
Referiu a importância do investimento perante a situação da frota dos TCB’s, com uma idade média elevada, referiu que a aquisição de novos autocarros vai melhorar o ambiente urbano, com a mudança do paradigma energético e que a mesma é aproveitar – “uma janela de oportunidade”.
Recordou que a frota actual tem uma idade média de 19 anos e conta com uma heterogeneidade de marcas, com consumo de gasóleo.
O deputado socialista salientou que o renovar a frota “tem sido falado há uns anos”, por essa razão interrogou se já existiam estudos sobre este cenário de renovação.
Referiu que os encargos financeiros da proposta vão rondar os 2 milhões de euros por ano e interrogou sobre estudos comparativos numa “perspectiva de maturação” da frota.
Interrogou sobre as opções que serão tomadas sobre a actual frota, se é para vender que receitas são previsíveis.
Até aqui não teria sido possível
Rui Lopo, do Conselho de Administração dos TCB’s, recordou que esta matéria foi amplamente discutida com todos, mesmo antes de ir a reunião de Câmara, salientou que este tinha que ser um documento discutido e reflectido antes de se colocar à votação.
Recordou que é “o maior empréstimo da autarquia” e “o maior objecto de compra num mandato”, por outro lado, sublinhou que no legado da autarquia – “não era possível no passado”, avançar com uma proposta desta natureza.
“Esta é uma oportunidade” disse, porque é possível avançar para lá dos “limites de endividamento”.
“Até aqui não teria sido possível”, sublinhou.
O autarca salientou que num melhor cenário este investimento pode ser amortizado a 7 anos, mas no máximo a 14 anos – “devemos zero”.
Referiu que só ao nível de poupança de combustível o estudo prevê uma poupança de 850 mil euros por ano.
Autocarro eléctrico custa meio milhão de euro
A propósito das questões colocadas sobre a opção por veículos eléctricos Rui Lopo, referiu que o custo de uma autocarro a gás é na ordem dos 230 mil euros + iva, enquanto o autocarro eléctrico custa meio milhão de euros – “é mais 200 mil euros, por autocarro”.
Por outro lado sublinhou diversos aspectos operacionais, de tempos de carga de baterias, assim como as despesas ao nível da manutenção dos veículos, o que podia obrigar a um maior número de veículos.
Sobre a venda da frota actual dos TCB’s sublinhou que existe uma estimativa entre 800 mil e 1 milhão de euros.
“Este é um investimento estruturante para a nossa realidade”, disse Rui Lopo.
A proposta foi aprovada por unanimidade.













