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Perspectivas

Barreiro - A «Excepção e a Regra» com encenação de Rui QuintasSem dúvida imaginação, inteligência e arte viva!>

Uma peça onde, o teatro é arte plástica, onde um texto dos anos 30, é vivido numa “aventura” que espelha, afinal, uma qualquer “narrativa” sociológica dessas que vamos vivendo, todos os dias, neste século XXI.

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Barreiro - A «Excepção e a Regra» com encenação de Rui Quintas Sem dúvida imaginação, inteligência e arte viva!>

Por Jornal Rostos

Se pretendesse dizer em poucas palavras o que senti no final da peça «A Excepção e a Regra», levada a cena pelo Arte Viva, com encenação de Rui Quintas, escrevia apenas: Imaginação e Inteligência.
O espectáculo conduz o espectador , como que convidando-o a percorrer, como permanente observador as sucessivas situações, a viagem para Urga. Vivemos os dramas psicológicos, como quem sente que está lendo uma história, que nos é contada e vivida pelos actores.
Para além do circunstancialismo histórico, que Rui Quintas fez questão de recordar, uma peça escrita em 1931, dos valores em confronto na época, de classe contra classe, é interessante referenciar que a peça é transportada para os tempos de hoje, não pelo texto, mas pela criatividade da encenação – os personagens e os cenários são pessoas e realidade sentida na areia que dá uma dimensão simbólica ao espaço, ao mesmo tempo são caricaturas e ilustrações.
É que, de facto, ao vermos esta peça sentimos que a excepção e a regra, vai para além do conceito brechtiano classista, ela é uma realidade de todos os tempos, onde há sempre excepções, regras e excepções às regras. Um mundo de marionetes animados, por um puzzle de significantes e significados.

Uma peça, que, na realidade, vamos sentindo como uma montagem cinematográfica, uma sucessão de planos – um musical americano – que se constrói com a lúcida visão do encenador que humaniza as personagens com imaginação e inteligência, proporcionando momentos de uma intensidade plástica brilhantes, num jogo de luzes, musicalidade e movimento.
As interpretações enriquecem o texto, na sobriedade dramática vivida, no contexto situacional – quer nos momentos de violência, quer em contextos judicativos – todo o texto é sentido com a expressividade das situações e sem recurso a estereótipos agressivos. As personagens são as personagens que o espectador interioriza na sua plasticidade.
Vemos a peça como quem lê um livro de BD, vê um filme, motivando o público a ser um protagonista vivencial da situação dramática, com uma temporalidade e com um ritmo, sem dúvida, de arte viva!
Não vi na peça o desejo de impor uma leitura ideológica, um padrão de interpretação de conceitos.
Senti apenas, graças à encenação, que é colocado, a cada um, o desafio de pensar e sentir a condição humana, onde, ontem como hoje – na vida – há sempre a excepção e a regra.
Uma encenação muito bem realizada, muito bem desenhada, muito bem interpretada, muito bem iluminada, muito bem musicada.
Uma peça onde, o teatro é arte plástica, onde um texto dos anos 30, é vivido numa “aventura” que espelha, afinal, uma qualquer "narrativa" sociológica dessas que vamos vivendo, todos os dias, neste século XXI.

António Sousa Pereira

SINOPSE

Um comerciante rico, o seu guia e um carregador vão numa expedição de três dias até Urga, para que o comerciante consiga ser o primeiro a conseguir a concessão de um poço de petróleo. A viagem é longa e tortuosa. Terminando com o despedimento do guia e com a morte do carregador.
Na segunda parte da peça assistimos ao julgamento do comerciante e à interessante questão: Devemos seguir a regra ou a exceção? Imagine esta aventura como se as personagens tivessem acabado de sair de um livro de BD. Imagine esta aventura como se fosse um filme, mas em teatro. Estranho?!
Pedimos-vos no entanto:
Estranhem o que não for estranho!
Não aceitem o que for normal!

Rui Quintas

Ficha técnica
Autor- Bertolt Brecht
Encenação – Rui Quintas
Assistente Encenação – Carla Carreiro Mendes
Elenco – Alexandre Antunes, Catarina Santana, Henrique Gomes, João Parreira, João Silva, Manuel Alpalhão, Rui Félix, Rui Martins e Vítor Nuno
Cenografia – João Pimenta
Figurinos – Ana Pimpista
Design Gráfico – João Pimenta
Música – Gustavo Teixeira
Produção Executiva – Catarina Santana
Fotografia – Cláudio Ferreira.

Público-alvo M/6
Duração: 60 min. Ingresso: 5,00€. 3,00€ grupos com mais de 10 pessoas
Exibições: sextas e sábados
Informações e reservas: arteviva.geral@gmail.com 212 060 860 e/ou 910 093 886

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