Moita - «Olha aquela sou eu!»A indústria têxtil em Alhos Vedros versus «a luta das mulheres pela sua emancipação»
Vítor Mendes, historiador, recordou que o livro editado – “é a história contada pelas trabalhadoras”, são – “as operárias protagonistas da história”.

Por Jornal Rostos
Na antiga Fábrica Guston, em Alhos Vedros, a Câmara Municipal da Moita, prestou uma homenagem à indústria do Vestuário no Concelho, uma realidade que marcou a vida da região durante décadas.
“A Mulheres e o Trabalho: A Indústria do Vestuário no Concelho da Moita” é o tema do livro que resultou da investigação da história local, realizado por Vítor Mendes, historiador e técnico da Câmara Municipal da Moita.
No Moinho de Maré de Alhos Vedros foi inaugurada uma exposição que vai estar permanente naquele espaço onde podem ser apreciados artefactos, equipamentos e fotografias que dão uma visão da importância e dimensão da indústria de vestuário no concelho da Moita.
Não deixar que a memória se perca
Rui Garcia, presidente da Câmara Municipal da Moita, recordou «os ruídos das fábricas de Alhos Vedros» a vida que enchia as ruas da vila – “o mar de gente que enchia as ruas de Alhos Vedros, a vida da vila girava em torno das fábricas”.
Sublinhou a importância de se “fixar a história” e “não deixar que a memória se perca”.
“É preciso trazer aos dias de hoje a realidade que está muito presente na memória”, disse.
Uma homenagem aos que lutaram
“As fabricas fecharam porque tinham que fechar, porque havia mão de obra mais barata noutros locais e por isso foram-se embora”, salientou Rui Garcia.
O autarca referiu que para alguns – “o destino de Portugal não é produzir”, para eles o nosso país – “é só boa praia”.
O edil salientou que – “alguns lutaram porque precisavam da fábrica para viver, lutaram no fascismo e após o 25 de Abril”.
“Esta é uma homenagem da Câmara Municipal da Moita àqueles que na fábrica lutaram pelos seus direitos”, salientou.
Alhos Vedros era lindo na hora do almoço
Manuel Graúdo, presidente da Junta de Freguesia de Alhos Vedros, referiu a importância da fábrica na caracterização da “identidade” de Alhos Vedros e as relações da fábrica com o Movimento Associativo.
“Alhos Vedros era lindo na hora do almoço”, disse.
Referiu que hoje as fábricas são “locais abandonados e devolutos”, acrescentando que – “Alhos Vedros está mais pobre em pessoas e actividade económica”.
«Olha aquela sou eu!»
Vítor Mendes, historiador, apresentou o projeto “Imagens da Memória”, um espaço na Internet para partilha de memórias comuns na rede social facebook, que é também um ponto de encontro para todas as operárias fabris.
Referiu a importância da recolha de memórias e preservação das memórias.
Quando da apresentação foram projectadas algumas fotografias que integram o espólio do projecto.
A emoção varreu a sala, repleta de muitas operárias. Escutavam-se risos, Comentários.
«Olha aquela sou eu!», escutou-se.
Preservar a história da indústria têxtil
Luis Leitão, autor do prefácio do livro, recordou que, se existe um Dia Internacional da Mulher – “muito se deve às trabalhadoras da indústria têxtil».
Salientou que a obra contribui para preservar a história da indústria têxtil no distrito de Setúbal.
Recordou que se existem, hoje, 40 horas de trabalho semanais – “deve-se às lutas das trabalhadoras da indústria têxtil”.
Mulheres vitimas de discriminação
Manuela Prates, dirigente sindical, salientou que é – “através da luta que os trabalhadores conseguem mudar a sociedade” e para tal é essencial – “a organização de classe”.
Referiu que – “as mulheres continuam a ser vitimas de uma discriminação imensa”.
Recordou que, no passado, quando as mulheres da indústria têxtil – “saíam à rua faziam estremecer as pedras da calçada, as vossas exigências melhoraram as condições de vida”.
A luta das mulheres pela sua emancipação
Vítor Mendes, historiador, recordou que o livro editado – “é a história contada pelas trabalhadoras”, são – “as operárias protagonistas da história”.
Salientou que na produção desta obra existiu a intencionalidade de – “olhar o processo histórico pela perspectiva da luta de classes”, e “a luta das mulheres pela sua emancipação”.
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