Saltar para o conteúdo
Perspectivas

‘Evocação da Guerra Civil de Espanha’ no Espaço Memória – Barreiro«Guernica é um símbolo da barbárie»

. A Espanha era a frente da Liberdade da Europa

“Guernica representa a adopção de uma táctica militar mortífera para as populações”, salientou Domingos Abrantes, hoje à tarde, no Espaço Memória, no decorrer de uma conferência com o tema ‘Evocação da Guerra Civil de Espanha’.

“As populações como principal arma da guerra é um problema dos dias de hoje”, salientou.

5 min de leitura
‘Evocação da Guerra Civil de Espanha’ no Espaço Memória – Barreiro «Guernica é um símbolo da barbárie»

Por Jornal Rostos

No dia 26 de Abril de 1937 a aviação alemã bombardeou Guernica. No ano que são assinalados os 80 anos deste acontecimento, que se inscreveu na história da humanidade, no «Espaço Memória», no Barreiro, a URAP – União de Resistentes Antifascitas Portugueses, promoveu um evento tendo como tema: ‘Evocação da Guerra Civil de Espanha’.
No abertura do evento Marília Villaverde Cabral, Coordenadora do Concelho Diretivo da URAP, referiu as “semelhanças com os dias de hoje”, nomeadamente a “hipocrisia” do governos.
Recordou o silêncio, em 1937, dos governos de França e Inglaterra – “perante os bombardeamentos de Guernica”, do fascismo alemão.

A história foi escrita pelos vencedores

Domingos Abrantes, abordou o tema da iniciativa - ‘Evocação da Guerra Civil de Espanha’ – conflito que decorreu entre 1936-39.
Sublinhou que as suas opiniões eram expressas do ponto de vista de “uma visão politica baseada na história”, referindo que ao longo destes 80 anos a Guerra de Espanha tem sido “motivo de falsificação”, porque – “a história foi escrita pelos vencedores”.
Referiu que na Guerra de Espanha lutaram pessoas de “dezenas de países” e seus depoimentos têm contribuído para “dar uma visão” da realidade, assim como a abertura de arquivos permitiram conhecer a “história real”.
Domingos Abrantes, salientou a necessidade de – “projectar esta experiência para os nossos dias, para que não se repitam”.

A Espanha era a frente da Liberdade da Europa

“A Guerra de Espanha mantém actualidade”, disse, quando existe “a ligação entre a crise económica e o fascismo” , quando se regista “a corrida aos armanentos” ou “quando as classes dominantes sacrificam os interesses nacionais em defesa dos interesses económicos”.
Salientou que a Guerra de Espanha – “teve consequências para os países da Europa e do mundo”.
Este foi, disse, “o primeiro conflito internacional entre fascistas e anti-fascistas”.
“A Espanha era a frente da Liberdade da Europa”, afirmou.
Na sua intervenção co-responsabilizou os governos de França, Inglaterra e Estados Unidos, o Vaticano e o “papel cúmplice da social democracia” no “esmagar a República espanhola”.

Barrar o caminho do fascismo

Domingos Abrantes, recordou que a República Espanhola, em 1931, tomou medidas que “atemorizou as classes dominantes”, promovendo a Reforma Agrária, atacando as forças do capital e as forças armadas – que eram uma casta – assim como a Igreja – “que era o principal potentado económico e financeiro”.
Salientou que a vitória da Frente Popular, em 1936, no “tempo que o fascismo avançava na Europa”, foi um exemplo de como “as massas populares unidas podem barrar o caminho do fascismo”.

Uma guerra com o efeito e o carácter purificador

Domingos Abrantes, salientou que a Guerra de Espanha “não era uma guerra meramente militar”, era “uma cruzada anticomunista em defesa de uma civilização” e tinha “um sujeito ideológico”, visando “extirpar o vírus que tinha minado o mundo, um perigo para a civilização ocidental”.
“Era uma guerra com o efeito e o carácter purificador”, sublinhou.
“Uma guerra em defesa da civlização cristã”, disse.
Os «rojos», salientou, eram todos – comunistas, socialistas, republicanos, professores, mulheres.
Referiu que a prática sistemática de assassinatos – mais de 750 mil civis – levou milhares de pessoas a emigrar.
“O que decidiu a guerra foi a invasão imperialista”, disse.

A maior jornada de solidariedade internacional

“A Guerra de Espanha significa até hoje a maior jornada de solidariedade internacional”, disse.
Recordou que durante os três anos de guerra a Espanha contou com a União Soviética e com o México e a participação nas Brigadas Internacionais de homens e mulheres de mais de 50 países.
Recordou que, nos anos da guerra, assistiu-se – “ao que há de mais sórdido na politica internacional”, nomeadamente dos governos de França, Inglaterra e Estados Unidos.
Recordou o apoio de Salazar a Franco, assim como o facto de os barcos de Alfredo da Silva, transportarem tropas ao serviço do fascismo espanhol.
“A Guerra de Espanha é o fim do 1º acto da peça que tem o 2º acto que é a Guerra Mundial”, disse, acrescentando que o objectivo era “esmagar a URSS”.

Guernica é um símbolo da barbárie

“Em Espanha os alemães estrearam em actos de guerra os seus armamentos. Foi a primeira vezes que em conjunto usaram tanques, aviões e marinha”, referiu Domingos Abrantes.
Recordou que Guernica – “é um símbolo da barbárie” e “o inicio da guerra moderna que tem a população como alvo”.
“Guernica representa a adopção de uma táctica militar mortífera para as populações”, salientou.
“As populações como principal arma da guerra é um problema dos dias de hoje”, referiu.

Barreirenses na Guerra Civil de Espanha

Domingos Abrantes, referiu a participação dos portugueses na Guerra de Espanha, com um contributo significativo, entre eles muitos barreirenses.
Recordou Armindo de Almeida, como um exemplo, um nome que o Barreiro devia homenagear. Foi também evocado Manuel Firmo.
“Se não ganharmos a batalha da memória do passado, não ganhamos a memória do futuro”, disse.

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção